terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

LIFE - uma série para se levar a sério

Enquanto zapeava, freneticamente, depois de desistir de assistir um filme na TV a cabo que não estava me agradando em nada, fui fisgada pela cena e me detive nela por algum tempo.

Não conhecia, jamais ouvira falar a respeito. Ainda que seja frequentadora de sites sobre séries, costumo me aprofundar naquelas que estou acompanhando, por pura necessidade de coordenar o tempo disponível para esse meu gosto, combinado ao fascínio pelo cinema.

Apenas alguns minutos e saí de cena, pulando para outro canal e decidida a conferir do piloto ao último episódio transmitido pela TV. Bastaram alguns diálogos, uma breve idéia do tom, do ritmo da série, e estava decidida a embarcar nessa jornada. Pronta para entrar, de mala e cuia, no universo do detetive Crews.


Life estreou no Brasil em setembro de 2008, no canal AXN. É uma produção da NBC e seu criador é Rand Ravich, diretor e roteirista do excelente “Enigma do Espaço” (The Astronauta’s Wife / 1999), com Johnny Depp e Charlize Theron.

A série conta a história de Charlie Crews (Damian Lewis), um policial que passou doze anos na prisão por um homicídio triplo, libertado ao ser comprovada sua inocência. A trajetória dele na prisão é apenas pincelada pelo o que lembra depoimentos para um documentário, no qual amigos e a esposa, que não acreditaram na inocência dele, assim como a advogada que o tirou da prisão, falam sobre essa condenação equivocada e a libertação de Crews. O detalhe crucial está no fato de que as três pessoas assassinadas, um casal e seu filho, eram amigos próximos de Crews e sua esposa.

Na prisão, Crews sofreu a violência que bandidos dedicam aos policiais condenados. Suportou sua nada breve estadia em Pelicano Bay (prisão localizada em Los Angeles, EUA), adotou a filosofia zen e aguentou até que sua inocência fosse provada. Fora da prisão, tornou-se milionário por conta da indenização que recebeu e exigiu voltar para a polícia, sendo reintegrado como detetive e a contragosto de muitos.

Divorciado, enquanto estava preso e por gosto da esposa, Crews tem de lidar com o fato de ela estar casada com outra pessoa. As cenas em que eles se encontram são sempre recheadas de tiradas muito eficazes no quesito desestruturar as certezas dela e afoguear o desejo dele por ela. Mas não pensem que o detetive passa seu tempo somente remoendo esse amor do passado. Na verdade, as mulheres estão sempre por perto de Crews, seduzidas pelo seu charme ou por ele ser um novo-milionário.

Há também, no cenário sentimental, a paixão que a advogada Constance Griffiths (Brooke Langton), quem provou a inocência de Crews, nutre por ele.

Numa tentativa de tirar qualquer credibilidade de Crews como policial e que ele deixe o departamento, Dani Reese (Sarah Sahi) é escalada pela tenente Karen Davis (Robin Weigert) como parceira dele, com expressas ordens de delatar qualquer passo em falso dado por Crews. Davis é substituída pelo capitão Kevin Tidwell (Donal Logue), uma figura que pontua o humor de Crews e o mau humor de Reese.

Crews é um personagem com métodos nem sempre convencionais quando se trata de solucionar crimes. A busca pela verdade sobre sua prisão, e pela evolução espiritual, garante um tempero dos bons à série. Além do mais, os crimes resolvidos por Crews e Reese conduzem ao que mais de interessante há na série: as características e a história pessoal desses personagens.

Damian é perfeito ao expor um Crews que se apegou à filosofia zen para sobreviver na prisão e tenta, às vezes arduamente, aplicá-la às situações cotidianas, mas sempre com um humor irreverente. É comum vê-lo comendo frutas, conhecedor que se tornou delas, lembrando que a comida da prisão nunca era fresca, por isso ter frutas frescas por perto se tornou um hábito. E há o desapego que ele busca na sua nova realidade, e que rende ótimos momentos, como a relação que mantém com os carros que compra ou a casa privada de móveis.

Reese é uma mulher cética, às vezes inflexível, cercada pela pressão de ser filha de um pai distante e figurão da polícia. Teve sérios problemas com drogas, é alcoólatra em tratamento, por isso acreditava - e com razão, mas não só por isso - que ter sido designada como parceira de Crews se tratava de punição. Mas não demora muito para que ela se convença de que Crews é uma boa pessoa e, ao invés de cumprir o papel de delatora, uni-se a ele, assumindo de vez o papel de parceira dele.

Outro personagem que caiu fácil nas graças dos telespectadores é Ted Earley (Adam Arkin), ex-agente financeiro condenado por fraude. Ted e Crews se tornaram amigos na prisão e hoje Ted mora em cima da garagem de Crews e, com toda sua habilidade no setor financeiro, gerencia os milhões de Crews. Completando o cast, o ex-parceiro de Crews, Bobby Stark (Brent Sexton).

Life seria apenas mais uma série policial não fossem suas peculiaridades. Charles Crews é pedra no sapato de um sistema que ainda erra muito a mão na hora de aplicar a lei. Apesar das técnicas high tech, dos grandes centros forenses e profissionais capacitados nessa área, ainda é o caráter e a visão humana que determinam o destino do réu. Se hoje é muito mais eficaz a capacidade de se comprovar fatos, não esqueçamos que também é muito mais fácil burlá-los.

Vale lembrar que, assim como Hugh Laurie, protagonista da série House M.D, Damian Lewis é inglês, não americano.

LIFE - 2ª temporada
AXN: quarta (20h00); quinta (10h00/15h00); domingo (21h00).

Site oficial da NBC: http://www.nbc.com/Life.

2 comentários:

Anônimo disse...

adorava essa série Life! assistia ela quando passava na Record! pena que a emissora do bispo não a passou na integra! gostei muito do teu texto! vou passar a visitar o Talhe sempre! Marcos Punch.

Carla Dias disse...

Olá Marcos.
Vale a pena tentar assistir o que você ainda não assistiu, ainda que através do site oficial da série. Apesar da vida curta, a Life foi muito bem amarrada.
E obrigada por visitar o Talhe e decidir voltar. Volte sim, sempre!
Abraço, Carla.