quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Abismo Poente


Conheci Whisner Fraga passando cheque sem fundo pra ele... Pois é...

Havia duas coisas, em 1998, com as quais estava aprendendo a lidar: conta em banco e me enturmar no cenário literário. Nesse ano, o Whisner organizou uma antologia de contos para a Blocos Editora, naquele sistema de o autor colaborar financeiramente com o feito. Bom, eu colaborei com um conto e também com um cheque sem fundo. Mas foi apenas descuido de principiante. Paguei a conta e ganhei um amigo.

Mais do que um amigo, tornei-me apreciadora das obras desse autor. De Seres e Sombras, passando por inéditos que – agradecidamente - recebo por e-mail para matar a vontade de lê-lo, pelo belíssimo O Livro dos Verbos, chegando ao atual Abismo Poente. As obras de Whisner Fraga mostram um autor plural.

Primeiro que meu lado poeta não se fez de rogado e adorou o título. Depois, Abismo Poente - uma coletânea de contos que, na verdade, pode ser lida como um romance – se mostrou uma obra muito bem construída, capaz de levar o leitor a uma viagem intrigante e interessante pela cultura dos imigrantes libaneses, numa linguagem tão intimista que permite que nos embrenhemos na trama como se a assistíssemos pela janela.

Particularmente, muito me encanta a forma como Whisner tece metáforas. Há nesse fazer um enriquecimento poético em Abismo Poente, numa prosa que desvela desafetos, descuidos, maledicências, estrangeirismo até mesmo quando se chama a terra onde se pisa de lar. A pessoa quem se ama de lar.

Chegar ao âmago do ser humano, ainda antes de lhe alcançar a bondade, o amor e a compaixão, é tarefa para poucos. Whisner Fraga é um desses poucos. E Abismo Poente é uma das provas.


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