sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Frank Mora na 33ª Mostra Internacional de Cinema


No longa de estréia do diretor Frank Mora, Ponto de Virada, dez personalidades do mundo dos esportes e da cultura são convidadas a responder à questão: “qual foi o dia que mudou a sua vida?”. Impossível a quem assiste ao filme não se voltar sobre sua própria história e também reconstruir este momento raro. E esta talvez seja a grande provocação do documentário. O espectador é naturalmente convidado a ser o décimo primeiro entrevistado. Ao acompanhar as respostas fica-se tentado a imaginar como responder qual teria sido o momento que mudou a vida de cada um de nós.

Os participantes do filme são o escritor Marcelo Rubens Paiva, o músico Kiko Zambianchi, o autor e diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa, a diretora de cinema Tata Amaral, o ator Milhem Cortáz, o maestro Júlio Medaglia, os esportistas Raí e Éder Jofre, o cartunista Laerte e o radialista Daniel Daibem.




link do site da mostra:
http://www.mostra.org/exib_diretor.php?filme=141&language=pt

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Novo disco de Kléber Albuquerque


Já saiu o disco do compositor e cantor Kléber Albuquerque. Para quem quiser saber um pouco mais sobre o novo trabalho deste artista, que vem se destacando como dos mais inspirados compositores brasileiros, leia mais sobre o CD Só o amor constrói no site Crônica do Dia:

http://crondia.blogspot.com/2009/10/so-o-amor-constroi-carla-dias.html

sábado, 17 de outubro de 2009

Dummy


Publicado originalmente no site
Crônica do Dia, em  08/02/04

Quando assisti ao Pães e Rosas (Bread and Roses/2001 |  Ken Loach), não encontrei nele o Adrien Brody do filme O Pianista (The Pianist/2002 | Roman Polanski). Mesmo tratando de um tema tão difícil como a Segunda Guerra Mundial e a invasão da Varsóvia pelos alemães, além da restrição aos judeus poloneses pelos nazistas, O Pianista é poesia do começo ao fim, talvez por ter sido baseado nas memórias do pianista polonês Wladyslaw Szpilman, um sobrevivente, e por ter sido magnificamente interpretado por Brody.

Pães e Rosas é um filme fantástico sobre pessoas comuns tentando sobreviver, imigrantes que trabalham nos Estados Unidos sem que os seus direitos trabalhistas sejam respeitados. É nesta hora que o sindicato entra em cena, trazendo um Brody que apresenta aos imigrantes a opção de ir à luta, e as conseqüências disso geram os momentos mais tensos do filme, que gira em torno da personagem vivida por Pilar Padilla, quem o faz belamente.


Tão fascinante quanto nestes dois filmes que tratam de temas tão difíceis, é a atuação de Brody no hilário Dummy — Um Amor Diferente (Dummy/2002 | Greg Pritikin), uma mistura de comédia, drama e romance que nos prende do começo ao fim, levando-nos até mesmo a refletir sobre os nossos próprios embaraços.

A ideia de uma pessoa completamente desgostosa com a vida e desacreditada pela família que resolve ser ventríloquo já é interessante. Quando Steven, personagem vivido por Brody, vai a uma agência de empregos e se oferece como ventríloquo, conquistando a atendente que se transforma na paixão da sua vida, o filme se torna engraçado e apaixonante.

A amizade entre Steven e a tresloucada da Fangora, uma punk líder de banda vivida por Milla Jojovich, nos faz achar que o impossível acontece e, em pouco tempo, o impossível se apresenta provável. Assim como Steven, Fangora não se encaixa no mundo convencional. E Jojovich construiu o personagem belamente. Ela que já foi a Joana D'Arc de Luc Besson, e enfrentou sérios questionamentos sobre o seu talento, prova, mais uma vez, que é ótima em papéis extravagantes, como aqueles que viveu nos filmes O Quinto Elemento (The Fifth Element/1997 | Luc Besson) e O Hotel de Um Milhão de Dólares (The Million Dollar Hotel/2001 | Wim Wenders). E o que Fangora faz para conseguir tocar no casamento que a irmã de Steven está 'produzindo'... É bárbaro!

A relação entre Steven e o seu boneco é a mesma que muitos de nós temos com a vida. Tudo de sério, belo, honesto e que dá medo de dizer, quem diz é o boneco, como se através dele não fosse tolo dizer certas coisas, revelar certos segredos, como se ele, Steven, estivesse imune às conseqüências do que o boneco revelava. E Steven passa o filme todo brigando com ele mesmo através do seu inseparável amigo e, sem querer, se encontrando.

Brody está fantástico em Dummy e divertidíssimo. Definitivamente, trata-se de um ator versátil e talentoso, capaz de desempenhar qualquer papel como se estivesse vivendo a sua própria vida.


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Abismo Poente


Conheci Whisner Fraga passando cheque sem fundo pra ele... Pois é...

Havia duas coisas, em 1998, com as quais estava aprendendo a lidar: conta em banco e me enturmar no cenário literário. Nesse ano, o Whisner organizou uma antologia de contos para a Blocos Editora, naquele sistema de o autor colaborar financeiramente com o feito. Bom, eu colaborei com um conto e também com um cheque sem fundo. Mas foi apenas descuido de principiante. Paguei a conta e ganhei um amigo.

Mais do que um amigo, tornei-me apreciadora das obras desse autor. De Seres e Sombras, passando por inéditos que – agradecidamente - recebo por e-mail para matar a vontade de lê-lo, pelo belíssimo O Livro dos Verbos, chegando ao atual Abismo Poente. As obras de Whisner Fraga mostram um autor plural.

Primeiro que meu lado poeta não se fez de rogado e adorou o título. Depois, Abismo Poente - uma coletânea de contos que, na verdade, pode ser lida como um romance – se mostrou uma obra muito bem construída, capaz de levar o leitor a uma viagem intrigante e interessante pela cultura dos imigrantes libaneses, numa linguagem tão intimista que permite que nos embrenhemos na trama como se a assistíssemos pela janela.

Particularmente, muito me encanta a forma como Whisner tece metáforas. Há nesse fazer um enriquecimento poético em Abismo Poente, numa prosa que desvela desafetos, descuidos, maledicências, estrangeirismo até mesmo quando se chama a terra onde se pisa de lar. A pessoa quem se ama de lar.

Chegar ao âmago do ser humano, ainda antes de lhe alcançar a bondade, o amor e a compaixão, é tarefa para poucos. Whisner Fraga é um desses poucos. E Abismo Poente é uma das provas.


Chroma: Music on the edge


No início dos anos 90, assisti ao vídeo, em VHS mesmo, do show Chroma – Music On The Edge. Meu conhecimento sobre a música instrumental ainda era parco, de iniciante de tudo, mas isso não evitou que eu me encantasse completamente por esse trabalho.

Chroma é um projeto que conta com músicos muito talentosos e benquistos no cenário da música instrumental: Jim Beard (piano/sintetizadores), Bob Berg (sax), Randy Brecker (trumpete), Mike Stern (guitarra), Jon Herington (guitarra/vocais), Mark Egan (baixo), Dennis Chambers (bateria), Mino Cinelu (percussão/vocais/vocoder), Mark Ledford (vocais/marimba/trumpete/teclados/percussão) e Cecilia Engelhart (backing vocals). Infelizmente, em 2002, Bob Berg sofreu um acidente de carro e faleceu.

Neste show estão músicos que passei a admirar profundamente ao conhecer mais da sua música. Mark Ledford tive o prazer de assistir no show do guitarrista Pat Matheny, aqui no Brasil, há alguns anos.

Depois de Chroma, tornei-me fã do guitarrista Mike Stern. Comprei CDs, assisti a outros shows em vídeo. Do baterista Dennis Chambers eu já conhecia a carreira e, claro, já tinha me apaixonado pela música dele há tempos.

Em 1994, através da empresa onde trabalho, colaborei com a produção do workshop de Mike Stern, aqui em São Paulo. Obviamente, senti-me com um sonho realizado. Além do mais, também produzimos o workshop com um baterista fantástico: Dave Weckl. Mais um sonho realizado.

Sonhos são bacanas, principalmente quando se realizam. Em 1998, produzimos show e workshops do Mike Stern Trio, contando com Dennis Chambers na bateria e Lincoln Goines no baixo.

Chroma ainda é referência de boa música para mim. Sempre assisto ao show, pensando em como este projeto elucidou a forma do fusion. O texto de Bill Milkowski inserido no vídeo e CD diz: Houve um tempo, há vinte anos ou mais, no qual a música tinha um limite. Ela foi possuída por um espírito renegado. Havia um elemento de perigo nisso. Correndo riscos, cruzando fronteiras, fazendo descobertas. Os próprios músicos não tinham um nome para este som híbrido. Eles apenas tocavam, deixando prevalecer a atitude de “vamos fazer algo diferente”. Era o Cream encontrando Coltrane. Era Jimi (Hendrix) tocando com Miles (Davis), jazzistas descobrindo a força do rock, roqueiros capturando o espírito do jazz. A isso se deu o nome de FUSION.

Sugiro aos que nunca assistiram este vídeo que o faça. Vale a viagem.