quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Tinha Que Ser Você


Este é um filme que se aproxima da realidade de muitos que acreditam que já tiveram a chance de amar e ser amado, agora é levar a vida.

Joel Hopkins, o diretor, acredita que é muito mais fácil fazer um filme sobre o romance entre dois jovens, no ápice do apaixonamento, lindos, repletos de esperanças, do que falar de amor quando já se passou dos quarenta, a mortalidade é altamente questionada, e há ex-esposa, filhos, ou um histórico familiar onde constam os atributos de uma solterice melancólica. Sendo assim, Tinha que ser você (Last Chance Harvey - 2009) é um filme com uma trama que pede muito mais esforço para ser contada com originalidade.

Emma Thompson adorou trabalhar com Dustin Hoffman em Mais estranho que a ficção (Stranger than fiction – 2006), mas a participação dele foi pequena, e ela desejava um novo projeto, no qual eles pudessem interagir e construir uma história.

As diferenças entre os personagens de Emma e Dustin são tantas, físicas e sociais. Porém, quando olhamos o cenário geral, percebemos o emocional da trama, percebemos que as diferenças não são tão poderosas quando o desejo de se abrir para o amor que eles já desejam secretamente, pois estão certos de que jamais o terão.

Um compositor de jingles desempregado e frustrado porque queria mesmo era ser pianista de jazz. Uma funcionária do Departamento de Estatísticas Nacionais que trabalha no aeroporto, que cuida de uma mãe que se aproveita do fato de ela não ter sua própria família para mantê-la por perto. Dizem que o amor pode nos levar às escolhas mais malucas, mas, certamente, às vezes ele nos faz compreender que é preciso amadurecer nossos desejos para ser capaz de aproveitar o sentimento oferecido. E este filme, de uma forma muito bonita, nos leva à tal compreensão.


terça-feira, 24 de agosto de 2010

STOMP > Altamente recomendável

O ritmo tem seus mistérios, e desvendá-los é o que nos faz compreender a sua importância. Há ritmo em tudo o que fazemos, mesmo quando ele não é o ‘ritmo solicitado, correto’. Dizem alguns que o ritmo da vida tem de ser cadenciado, enquanto outros acham mesmo que ele deve ser frenético. No meio-termo, o ritmo tempera os passos dos sambistas, faz roqueiros balançarem as cabeleiras, torna peculiar a forma como cada um de nós diz cada palavra, até elas formarem frases, diálogos. No mais profundo significado, é ele que nos mantém vivos, o coração no tempo do sentimento.

Domingo passado, assisti a um espetáculo que me fez repensar o ritmo, isso porque, durante a apresentação, era quase possível enxergá-lo como integrante do grupo que estava no palco. Foi a primeira vez que assisti a um show do Stomp.

Logo que entrei no Credicard Hall, aqui em São Paulo, meus olhos se encheram de curiosidade sobre o cenário. Eu já conhecia a história do Stomp, assistira alguns vídeos, mas não há o que nos prepare para o contato direto, quando percebemos uma série de itens do nosso cotidiano espalhados pelo palco, e imaginamos como aquilo tudo irá colaborar com a performance do grupo.

O Stomp nasceu no Reino Unido, em 1991, e os seus criadores são Luke Creswell e Steve McNicholas. A companhia é uma combinação de percussão, dança e performances teatrais bem humoradas, o que torna o espetáculo muito divertido.

O Stomp conta com um brasileiro, o baiano Marivaldo dos Santos, integrante mais antigo da trupe. É ele o primeiro a entrar no palco, e depois de observar o público por alguns instantes, ele pega uma vassoura e começa a varrer. Essa é a primeira de uma serie de esquetes surpreendentes, nas quais objetos como cadeiras, cabos de vassoura, canos de borracha, pias de cozinha, entre outros, se tornam instrumentos musicais.

Um objeto, nas mãos certas, canta. O corpo, com a mente aberta, dança, canta e comete as mais sensacionais coreografias, nas quais um simples erro pode fazer com que latas despenquem nas cabeças de seus integrantes. Portanto, se eles erraram qualquer passo, eu não sei dizer, mas se aconteceu, erraram acertando. E o que sei é que latas voaram naquele palco, e todos souberam, no ritmo que lhes cabia, mantê-las bem longe do chão, atiçando a imaginação do público, que estava morrendo de vontade de, efetivamente, participar do espetáculo. Aliás, foram muitas as vezes em que ele, o público, interferiu nas performances.

E se um espetáculo lhe desperta o desejo de fazer parte dele, a ponto de você tentar interagir com ele, certamente se trata de um belo espetáculo.

O que mais me impressionou na apresentação do Stomp foi a dinâmica. Bater tambor, tamborilar dedos nas caixas de fósforo, “fazer um som” com tampas de lixeira, “groovar” com o abrir e fechar de cadeiras, nada disso seria tão interessante não houvesse a aplicação da dinâmica. Mas o Stomp leva isso a outro patamar... A forma como aplicam a dinâmica, revezando e somando estes instrumentos inusitados ao sapateado, está intimamente ligada à sincronia de seus integrantes. As pessoas do grupo são, na verdade, o mais importante instrumento presente no palco.

E chega o momento de eu entender aquele cenário que, na verdade, é outro instrumento formado por diversas peças. São placas de sinalização, panelas, tubos, e por aí vai. Enfim, não dá para contar aqui... É preciso estar lá, ver e ouvir, para compreender a peculiaridade dos sons, a competência dos integrantes do grupo ao nos oferecer uma performance exemplar. Porém, a Ana Oliveira, a quem agradeço muito por ceder as fotos que ilustram este artigo, pode lhes dar uma ideia. Aproveitem para conferir o post dela sobre a apresentação do Stomp, clicando aqui.


E aí vai um pouquinho de Stomp em vídeo:


O Stomp se apresentará no Credicar Hall amanhã, quarta-feira, depois seguirá para o Rio de Janeiro, Curitiba, e então, Porto Alegre. Informações sobre ingressos:


www.stomponline.com


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Shows internacionais e seus ingressos salgados


O segundo semestre de 2010 traz tantos shows internacionais que o jeito é se sentar e respirar fundo, antes de tomar qualquer decisão.

Há diversidade no estilo, pluralidade nos eventos, mas o que não muda é o preço salgado dos ingressos. Por mais leiga que eu seja no que se refere às finanças de eventos como estes, posso garantir que é fato que o mesmo poderia ser arrecadado com ingressos mais em conta, pois a quantidade de ingressos vendidos aumentaria. Isso sem contar o benefício cultural, já que outras pessoas, de poder aquisitivo no qual antes não cabia tal despesa, poderiam comparecer ao evento.

Gostaria de compreender a insistência dos produtores, ou de seja lá o responsável por taxar shows internacionais no Brasil, em manter os valores tão altos, principalmente porque há patrocinadores apoiando as apresentações.

Minha intenção, de forma alguma, é colocar preço no trabalho de outros, ou dizer que a produção desses shows no Brasil é fácil e barata. Mas não posso fazer de conta que não afeta ao público em geral a eterna briga entre ingressos meia-entrada e inteira. Quem sabe, quando finalmente alguém pensar sem que a prioridade seja o próprio bolso, chegue-se à conclusão de que um público maior pode ser culturalmente mais enriquecedor, além de trazer mais benefícios aos produtores, aos patrocinadores e aos artistas, além do próprio público

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Jardim de Agnes

No próximo dia 28 lançarei o meu livro, o romance Jardim de Agnes. Quem quiser conferir o vídeo abaixo, há alguns trechos do livro nele.



JARDIM DE AGNES
Lançamento do livro de Carla Dias

28 de agosto, das 17h às 20h
LIVRARIA DA VILA
Alameda Lorena, 1731 - Piso Térreo - São Paulo

INFORMAÇÕES: info@carladias.com

JARDIM DE AGNES - BLOG
http://www.jardimdeagnes.blogspot.com