segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Os fãs perguntaram e ele respondeu

O cantor e compositor Kléber Albuquerque respondeu perguntas enviadas pelos seus fãs, o que resultou na entrevista abaixo.

Cada pessoa sente a música de uma forma diferente. Quais as sensações que as suas músicas te trazem? Pra que lugar dentro de você elas te levam?
Minhas canções trazem-me sensações diferentes, a depender do momento. Geralmente, quando estou compondo, a sensação mais forte é a de necessidade de manifestação, e certa febre que não passa enquanto a canção não termina. Algumas canções me dão uma sensação de nudez, pois vejo meus sentimentos muito expostos nelas. Outras dão a sensação de ensinar coisas a mim. Outras parecem pessoas que encontro na rua.

Você começa a compor pela música ou pela letra?
Geralmente, surge algum verso já escorado por uma intenção de melodia e, a partir daí, vou desenvolvendo a canção até a forma final.

Com que idade você percebeu que já era um artista tão bom?
Obrigado pela gentileza do adjetivo. Percebi que tinha vocação artística muito jovem, por volta de sete ou oito anos. Gostava de inventar músicas para consumo próprio, tinha já a cabeça povoada de melodias. No entanto, na época, gostava mesmo era de desenhar. Fui me interessar mais seriamente por música na adolescência, quando comecei a participar de bandas de rock. Foi então que comecei a compor minhas primeiras canções.

O que você busca como artista?
Penso que a condição de artista seja, mais do que ofício, vocação. Neste sentido, creio que minha busca artística seja mais por um jeito de olhar as coisas e uma vontade de expressar a singularidade desse olhar. Acho que este é o impulso básico que me leva a criar.

O que você acha da política no Brasil?
Acho que a política se faz em vários níveis. No sentido comum de política partidária, percebo uma lenta melhora nos hábitos da política brasileira, em que pesem os constantes escândalos nos noticiários, graças ao cada vez maior acesso das pessoas às informações. Acredito que nosso país vem amadurecendo aos poucos e, no sentido simbólico, vejo uma melhora em nossa autoestima como brasileiros. Mas penso também que a classe política acaba repetindo, numa escala maior e mais devastadora, a mentalidade comum das pessoas no que se refere à distinção entre os interesses individuais e coletivos.

Você acha que é possível trabalhar com ARTE sem Amor?
Acho que sim, pois penso que não pode haver nada que diminua a liberdade artística, mas penso também que faz uma grande diferença quando se faz qualquer coisa com amor.

Qual momento da sua carreira o emocionou mais?
Já vivi momentos muito emocionantes na carreira, mas houve um em especial quando, ao participar de um festival de música, conheci um grupo de cadeirantes que usavam camisetas com a letra de uma canção minha e de Élio Camalle, chamada “Isopor”. Me emocionei quando me contaram da importância desta canção para eles.

A sua família é inspiração para sua composição?
Talvez não diretamente. A vida é inspiração para composição e é mais fácil ver o que está próximo. Então a família, os amigos, as paisagens e pessoas que me cercam acabam tornando-se matéria e inspiração para minhas canções.

Que tipo de música você escuta?
Depende do momento. Normalmente não ouço muita música quando estou compondo, para ouvir melhor as músicas que surgem na cabeça. Mas gosto de eventualmente passear pelo rádio e ouvir as canções que todo mundo ouve. De vez em quando me apaixono por alguma canção e fico ouvindo-a mil vezes. A última canção que me tocou assim foi “Sunday Smile”, do Beirut.

Qual das suas composições demorou mais tempo pra ser finalizada?
Acho que a mais demorada foi “Vigília”, uma canção do meu segundo cd. Fiquei meses com ela pela metade, sem conseguir encontrar uma segunda parte. Depois de muito tempo decidi colocar um pedaço de outra canção inconclusa nela e, assim, consegui finalizar a canção. Um exemplo muito ecológico de reciclagem musical.

Há uma canção de sua autoria que te toca profundamente?
Gosto de uma em especial. Chama-se “Movimento” e está em meu cd “O Centro Está Em Todas As Partes”. Penso que seja minha melhor canção.

Quando você volta para Santo André para alegrar nossa cidade e encher nossos ouvidos de boa música?
Estou sempre voltando a Santo André, terra onde tenho amigos e família. É aquela velha ligação com o rio de nossa aldeia, ainda que seja o Tamanduateí...

Quais são os seus ídolos da vida?
Acho que não tenho ídolos, no sentido corrente da palavra. As pessoas que admiro são demasiado humanas, e eu as vejo assim.

Além da música, você se dedica a algum outro tipo de arte?
Sim. Gosto de literatura, de desenhar, pintar e ultimamente venho me dedicando à videoarte. Também tenho uma ligação muito forte com o teatro.

Qual canção de outro compositor que você gostaria de ter composto?
Muitas. Gostaria de ter composto “Carinhoso”, do Pixinguinha. Também gostaria de ter composto “Parabéns a Você”, mas desde que pudesse receber os direitos autorais pelas execuções.

Qual palavra faz você pensar em felicidade?
A palavra felicidade.

Fazer arte é colaborar para um mundo melhor?
Acredito que sim, num certo sentido. Penso que a Arte não deve ter compromisso de antemão com nada, nem mesmo com um mundo melhor. A função dela é oferecer um tipo de lente muito específico, pela qual podemos observar as coisas. Penso que o exercício deste tipo de observação ajuda a melhorar o mundo.

Quando você compõe em parceria, você contribui com a música e a letra ou vice-versa?
Depende muito da ocasião e do parceiro. Costumo compor tanto letra como música, então às vezes recebo letras para musicar, e em outras, música para letrar. E outras vezes ainda as coisas ocorrem junto, com cada parceiro contribuindo com um pedaço da canção.

Em sua opinião, tudo pode virar música ou poesia?
Imagino que sim. Poesia come de tudo. E a música melhora o sabor.

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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Sol entre noites

Fui ao lançamento do livro de Whisner Fraga, o Sol entre noites.

Tive o grande prazer de escrever o texto de orelha do livro, convite que me deixou feliz e um pouco temerosa, já que o Whisner é um autor que admiro muito, e um grande amigo.

Abaixo, segue o texto e aqui o link direto para o livro no site da Ficções:
www.ficcoes.com.br/livros/noites.html


Whisner Fraga lança um tema em Sol entre noites, mas cabe ao leitor decidir se irá encará-lo como proposto, ou se, diante de tal jornada, escolherá dividir-se para encarar as – e trafegar pelas – bifurcações que encontrar pelo caminho. Porque esta trama – emaranhada em uma pontuação que indica o ritmo, como se fosse a batuta do maestro cadenciando o silêncio ao ar – requer a entrega de quem não apenas abre o livro e coloca os olhos nas palavras, mas também daquele que mergulha nas páginas a ponto de se misturar a elas. O tema, a imigração libanesa no Brasil, já foi abordado pelo autor em seu emblemático Abismo poente, também publicado pela Ficções Editora, em 2009. Porém Sol entre noites não é apenas a continuação. Há na sua identidade o peso que o ser humano carrega ao ser alvejado pelo sentimento de não pertencer, e não apenas a um país. Este livro não é continuação... Deleita-se na continuidade.

Sol entre noites é uma coletânea de olhares imigrantes. Também são olhares dos que se descobrem estrangeiros às suas origens, a si mesmos, aos seus afetos e às suas vitórias.

Helena, personagem a quem o autor permite transitar por vários dos seus escritos, leva-nos pela mão, enquanto a trama é desenvolvida. Porém não há como determiná-la mulher de corpo presente na história de outros personagens. Para mim, Helena poderia muito bem ser cria da imaginação dos personagens agoniados com as próprias inquietações, tornando-se aquela que tudo observa, escuta, mas que jamais interfere nas decisões ou altera desfechos. Um misto de céu e inferno, o silêncio aos berros, o reflexo no reverso da verdade.

Neste livro, às vezes o que parece certo, determinado, mostra-se uma variação de um sonho, de um apego. Mostra-se plural, e em tantos aspectos que o leitor se perde na poesia que embala a prosa. Porém ele se perde com gosto, para encontrar-se logo adiante.

A realidade é detalhada por meio de metáforas, o que salienta o que dói e o que regozija. A busca é por reconstruir a origem, reconhecer-se nela e, mediante o insucesso, reencontrar-se com a origem adotada, engoli-la, visto que outra opção já não existe. Há uma urgência ferina em decidir quem se é no mundo.

Enquanto discorre sobre os costumes, sobre a forma como os libaneses enxergam, encaram a religião, as ligações familiares, as tradições, o sexo, a lógica, o autor aprimora a sua capacidade de envolver o leitor com a fragilidade eminente em cada certeza. Neste livro, como na vida, nem sempre amor é amor, justiça é justiça, desejo é desejo. Nem sempre o que o autor nos conta é definitivo, cravado no fato. Em alguns momentos, tudo se mistura, e de tal forma que o que sempre nos foi apresentado como intocável deita a cabeça nos nossos ombros.

Whisner Fraga resume a inquietação que permeia Sol entre noites: [eu queria me nutrir com algo que viesse a um só tempo de mim e da terra, algo que fosse cooperativo e mundano, coletivo e imperscrutável.] A inquietação – que também é desejo cravejado de urgências – de caber, de pertencer, de se identificar. De não estar só na sua condição de imigrante da vida.

Carla Dias

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Estreias

Todos os anos, novas séries de televisão são lançadas. A maioria delas é cancelada, ainda nos primeiros episódios, por não conquistar público. Algumas delas têm apenas doze ou treze episódios por temporada, e as super estrelas do cenário das séries ganham até vinte e quatro episódios.

Eu realmente adoro séries, e acompanho, no momento, várias delas. Já escrevi sobre algumas, panfletei, angariei novos fãs, até para as já canceladas, mas com episódios suficientes para contar uma boa história.

Neste ano, três séries estreantes chamaram a minha atenção. São dramas e com temas relevantes, como o herói de guerra que volta para casa, mas é suspeito de colaborar com terroristas. O homem que construiu uma máquina capaz de identificar e prever ações terroristas, descartando crimes considerados irrelevantes, mas que fazem toda a diferença na vida das pessoas que vivem a realidade dele, então, ele passa a agir em prol dessas pessoas, tentando evitar os crimes. E o médico rico e famoso, distante emocionalmente dos seus pacientes, mas correto, honesto, que passa a receber visitas de sua falecida ex-mulher, que se dedicava a uma clínica gratuita, e tenta mudar a forma como ele enxerga a vida.

O que há em comum entre as três séries são os seus protagonistas de cinema. Em Homeland, uma adaptação da série israelense Hatufim/Prisoners of War, Damien Lewis, ótimo ator que trabalhou na série Life e na minissérie Band of Brothers, divide a cena com Claire Daines, que se destacou em filmes como A Viagem (Brokedown Palace), Garota da Vitrine (Shopgirl) e Mod Squad (The Mod Squad). Lewis participou de vários filmes para a tevê, e também pode ser visto nos filmes Um Lugar Para Recomeçar (Na Unfinished Life) e O Apanhador de Sonhos (Dreamcatcher).



Em Person of Interest, além do sempre competente Michael Emerson, o Benjamin Linus de Lost, e J. J. Abrahms (Lost/Fringe) como produtor executivo, a série conta com Jim Caviezel, ator que tem uma lista honrosa de ótimos filmes, entre eles Alta Frequência (Frequency), O Conde de Monte Cristo (The Count of Monte Cristo), A Paixão de Cristo (The Passion of the Christ) e Olhar de Anjo (Angel Eyes). Sou suspeita em dizer, por ser fã dos dois atores, mas digo mesmo assim: Jim Caviezel e Michael Emerson estão muito bem, obrigada, nesta série.



A Gifted Man pode contar com um quê sobrenatural, afinal, há um espírito que conversa com o protagonista da série. Porém, o tema em nada nos faz lembrar de séries como Medium e Ghost Whisperer. A atuação de Patrick Wilson, de Pecados Íntimos (Little Children), Menina Má.Com (Hardy Candy) e O Vizinho (Lakeview Terrace), dá credibilidade à série e o tom de drama a respeito de um homem que sempre manteve o trabalho em primeiro plano, por isso é bom no que faz, e que por influência da ex-mulher, uma humanista, passa a perceber o mundo além das paredes de sua clínica ou de seu apartamento.



Person of Interest estreará na Warner, no dia 18 de outubro, e A Gifted Man em novembro, na Universal. Homeland estreou no dia 2 de outubro, nos estados Unidos.

Estas são séries que, se seguirem o caminho que apontam nos primeiros episódios, conquistarão seu espaço e o reconhecimento do público. O meu reconhecimento elas já conquistaram.