sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Um dia

Quando pensamos em vinte anos adiante, dependendo da nossa idade vigente, apreciamos o futuro de forma diferente. Há uma série de planos arquitetados, alguns com grande possibilidade de realização, outros nem tanto, ainda assim, eles não saem da nossa lista de projetos futuros.

Futuro é algo que tem voz própria. Apesar de o construirmos a cada dia vivido, ele é o lugar no tempo que inexiste quando o alcançamos, pois ao fazê-lo, ele se torna o presente. Ele é, simplesmente, um berço para os nossos sonhos.

Um dia (One Day/2011) é desses filmes que brincam com o tempo. Muitos filmes fizeram isso, como o De repente é amor (A Lot Like Love/ 2005), filme de Nigel Cole, com Ashton Kutcher e Amanda Peet. Mas acredito que poucos lidaram com a melancolia de forma tão graciosa, como em Um dia.

Emma Morley e Dexter Mayhew passam o dia de sua formatura juntos, 15 de julho de 1988. É assim que se dá início a uma amizade que se estende pela vida afora. Ela é uma garota da classe operária e que sonha em ser poeta, escritora, mas acaba como garçonete em um restaurante mexicano. Ele é um rapaz rico, acostumado às conquistas e aos relacionamentos efêmeros, que acaba como apresentador de um programa de televisão trash. Mas ambos mudam o rumo de suas histórias.



Nas duas décadas que se seguem, eles vivem momentos cruciais, em muitos dos 15 de julho de suas vidas, e não há como não se identificar com eles, nem sempre pela situação em si, mas pela forma como somos conduzidos aos nossos próprios momentos catárticos.

Anne Hathaway, de O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada/2006) e O Casamento de Rachel (Rachel Getting Married/2008), empresta à Emma o humor gracioso, o sorriso honesto da moça desajeitada e ensimesmada, sempre às voltas com as suas inseguranças. Jim Sturgess, de Across the Universe (2007) e Quebrando a Banca (21/2008), mergulha em um tom sedutor quase escrachado, e que dá crédito ao personagem, construindo uma biografia que se revela, diferente do que Dexter busca, repleta de altibaixos.

Um dia conta com a direção de Lone Scherfig, de Educação (An Education/2009). Baseado no Best-seller de David Nicholls, também o roteirista do filme, o que talvez tenha garantido a ele a dinâmica das emoções vividas por Emma e Dexter, como se o amor que descobrem, logo que se conhecem, tivesse sendo lapidado a cada tombo e a cada conquista.

David Nicholls também é responsável pelo roteiro de um dos filmes mais belos que já assisti, Quando você viu seu pai pela última vez (And When Did You Last See Your Father?/2007), uma adaptação do livro de Blake Morrison, dirigido por Anand Tucker e estrelado por Colin Firth e Jim Broadbent.

Um dia não é apenas um romance, tampouco nada mais que um drama. Na vida, não há como catalogar a nossa história com apenas um gênero, pois somos a mistura de drama, comédia, romance, tragédia e ação. E esse filme trata dessa pluralidade desencadeada pelas emoções com certa pureza, como se estivéssemos ouvindo as confidências de um amigo. E ele não é apenas triste ou somente alegre. Ele é bom e nos faz compreender a importância do tempo das nossas escolhas.


Um dia - trailer


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