quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Olyphant e High Life



Timothy Olyphant é da safra de atores que realmente têm talento e sabem muito bem o que fazer com ele, construindo personagens dignos dos ótimos roteiros que, consequentemente, passam a fazer parte da sua rotina de trabalho.

Obviamente, não posso deixar de citar o sucesso de Justified, que está na terceira temporada, contando com Olyphant interpretando o protagonista, Raylan Givens. A série conta com ótimas interpretações e um roteiro muito interessante. Porém, Justified é assunto para um próximo post.


Apesar de ser fã da série – que conta com um roteiro impecável e tramas que prendem a atenção dos espectadores, e que vão além dos tiros disparados a cada episódio –, não foi através dela que me tornei fã desse ator norte-americano, nascido no Havaí. Olyphant me chamou a atenção, pela primeira vez, em Pegar e Largar (Catch and release/2006), filme no qual o noivo de Gray Wheeler (Jennifer Garner) morre repentinamente. Ela busca apoio, para passar pelo luto, nos três melhores amigos dele, e descobre que seu quase marido não era exatamente a pessoa que demonstrava ser. O filme trata da busca pela superação da dor da perda, assim como sobre o segundo olhar lançado às certezas que julgamos ter pelo outro.


Neste filme, Olyphant é um dos três amigos, Fritz, a ovelha negra, o playboy marrento, papel que dá o tom adequado à trama. E assim como Gray descobre seus enganos sobre o noivo, ela também percebe que Fritz, o ser agridoce do cenário, não é tão indigesto quanto ela pensava. Em um mesmo filme, o amor morre e o amor nasce, e a jornada fica muito mais interessante com a presença de Olyphant.

Depois de Pegar e Largar, deparei-me com o ensandecido A Trilha (A Perfect Getaway/2009), que apesar do enredo poder ser definido como turistas em remotas ilhas do Havaí se deparam com assassino de casais em lua-de-mel, acaba nos surpreendendo ao se mostrar um ótimo thriller, sem contar a belíssima fotografia.

A Trilha é o filme dos casais, tanto no crime quanto nas conversas que abordam os seus relacionamentos. Um casal é assassinado, a polícia procura por outro como autor do crime. Cydney (Milla Jovovich) e Cliff (Steve Zahn) encontram Gina (Kiele Sanchez) e Nick (Timothy Olyphant) que ajuda o primeiro casal a passar por um trecho muito perigoso da trilha. Depois disso, decidem seguir juntos até um remoto ponto da ilha.


Olyphant coloca em pauta a sua capacidade de se transformar no que o personagem pede. Neste filme, ele brinca com a dualidade, com o bandido e o mocinho morando na mesma pessoa, recorrendo a sua habilidade em dar nuance ao personagem, e elevando o suspense que faz com que o espectador não tire os olhos da tela.

Depois disso, assisti a vários filmes com esse ator, que em diversas entrevistas, se mostra bem humorado e consciente da sua condição de artista, além de contar histórias hilárias protagonizadas pelos seus filhos. Porém, é em um filme com quê cult, no qual ele deixa completamente de lado qualquer raspa de charme, escancarando com o seu olhar mais insano, que Olyphant se mostra o ator versátil e interessante que gostamos tanto de ver em filmes tão versáteis e interessantes quanto.


High Life é um filme canadense que conta a história de um grupo de ladrões que arquitetam um plano para roubar um dos caixas eletrônicos de um banco.

Dick (Timothy Olyphant) é um ex-presidiário que trabalha como zelador em um hospital. Ao receber a visita de seu ex-companheiro de cela, e sócio nas contravenções, Bud (Stephen Eric McIntyre), acaba perdendo o emprego.


Bud é um sujeito violento, um assassino, enquanto Dick é aquele que, apesar de criminoso, é contra a violência, e tenta sempre prejudicar o mínimo de pessoas durante os “trabalhos”. Viciado em morfina, após perder o emprego ele decide reunir um grupo de amigos-bandidos para um grande golpe que lhe garanta viver dignamente consumindo a droga que adora, como se estivesse escolhendo uma carreira.

Dick é o idealizador do golpe e tido pelo grupo – também formado por Donie (Joe Anderson) e Billy (Rossif Sutherland) – como um guru, um intelectual. Porém, trata-se de um grupo de viciados que estão sempre viajando, três deles aos trapos, um deles sempre bem vestido, parecendo galã, para seduzir enfermeiras e conseguir drogas para vender aos participantes de um grupo de viciados em recuperação.


High Life é um filme peculiar, com um humor inteligente e eficaz, e às vezes tão surreal que o espectador é levado à constatação de que não há muita inteligência ali, mas sim um tanto de ingenuidade. A forma como esses bandidos tratam o golpe é como um profissional trata a necessidade de conseguir o dinheiro para pagar as contas do mês, só que ao invés do bem-estar da família, da comida, da casa, das férias, a meta deles é poder viver sempre com drogas à disposição, sem precisar mendigar por isso.

High Life conta com a direção de Gary Yates, um ex-mágico profissional que se tornou cineasta, e dos premiados. Talvez por isso ele tenha feito a mágica de nos fazer rir com temas tão pesados, o vício e o crime, mas sem tirar deles a seriedade.

Lee MacDougall é autor da peça de teatro que deu origem ao filme, do qual ele também é roteirista, e desempenha este papel oferecendo ao filme grandes diálogos, apesar de um tanto insanos, quase sempre.

Quanto a Timothy Olyphant, vou continuar conferindo o seu trabalho, esperando que sejam sempre tão bem feitos.


Site oficial do filme: highlifethemovie.com
Timothy Olyphant: www.imdb.com/name/nm0648249

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