segunda-feira, 2 de julho de 2012

Super mãe!

Voltei ao Teatro Gazeta - que é um lugar muito acolhedor - para assistir a comédia Como se tornar uma super mãe em 10 lições. Com texto de Paul Fuke, baseado na obra de Dan Dreenburg, e tradução de Clara Carvalho, através das lembranças de Daniel é construída a história sobre uma típica família judia, destacando a influência da mãe na formação do homem que ele se tornou. Isso é mostrado logo no início, quando ele interrompe sua palestra, no dia em que recebe um importante prêmio, para desfiar uma série de satisfações aos questionamentos cotidianos da mãe, que se encontra no auditório. É então que ele decide revelar ao público como se tornara o homem ali presente, tendo sido criado por uma mãe judia.


Danton Mello conduz Daniel como um adulto que ainda é um menino aos olhos da mãe. Nós sabemos que os pais costumam tratar seus filhos como eternos pimpolhos, mas há um limite que essa mãe se esqueceu de enxergar. E com todos os exageros, o drama, a manipulação por meio da culpa, Ana Lúcia Torre encanta ao dar forma aos absurdos cometidos por essa mãe judia, que ama - e comanda - seu filho.

No silêncio de Ary França, o marido submisso ao poder de fogo da mãe da família, cravam-se os pontos e vírgulas da história. Sua interpretação pontua a dos outros, como se um olhar, uma careta, um gesto ou um som emitido fossem desfechos distribuídos durante o espetáculo.

Flávia Garrafa está muito bem. Ela interpreta a filha da família, mas também dá vida à esposa de um comerciante, um personagem muito engraçado. Como o comerciante, Luciano Gatti se mostra frágil, o que fortalece ainda mais a ideia de mães que conduzem a família. Gatti também interpreta o médico e o psicanalista.

A sintonia entre Danton Mello e Ana Lúcia Torre conduz o espetáculo em um tom que o público aprecia. Em contrapartida ao talento desses atores, à dinâmica com a qual interpretam seus papéis, os presentes reagem da melhor forma que se pode reagir a uma comédia: eles se divertem e gargalham muito. Eu me diverti. Eu gargalhei. E, obviamente, a direção de Alexandre Reinecke colabora, e muito, com a forma como a história é entregue ao público.




Conhecemos as consequências de certas combinações. Um bom texto, por exemplo, se combinado a uma performance mediana, pode se tornar um espetáculo morno. Entretanto, há atores e atrizes que fazem milagres com textos medianos, elevando a qualidade do espetáculo com o seu talento em se expressar no palco. Sendo assim, só nos resta concluir que de nada adiantariam textos fantásticos não fossem atores e atrizes tão fantásticos quanto, capazes de debulhar a trama em performances marcantes. E quando a combinação é essa, quando os atores e atrizes estão entregues a um texto que os merece, o espectador sempre sai ganhando. E o que posso dizer de Como se tornar uma super mãe em 10 lições é justamente isso. No espetáculo, tudo se combina.

Como se tornar uma super mãe em 10 lições é um espetáculo para não se perder.

COMO SE TORNAR UMA SUPER MÃE EM 10 LIÇÕES
com ANA LÚCIA TORRE, DANTON MELLO, ARY FRANÇA, LUCIANO GATTI e FLÁVIA GARRAFA

Sexta às 21h15min
Sábado às 22h
Domingo às 18h

Teatro Gazeta
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