segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A delicadeza de um sonho quase impossível de se realizar


Penso que quem escreve as chamadas dos cartazes dos filmes que estão no cinema não os assistem, o que é pra lá de errado. Neste caso, "Uma fantástica e charmosa história" e "A comédia romântica do ano". Se quem escreveu isso assistiu ao filme, bom, a pessoa é ruim mesmo na percepção ou está apenas copiando o que o outro disse.


Apesar de a própria sinopse do filme tratá-lo como comédia, eu realmente não consigo concordar com isso. Há romance, há drama, há humor, mas não se trata de uma comédia. Quem for ao cinema não encontrará a comédia prometida. Na verdade, os momentos dedicados à serventia do sentido cômico são os que em nada me agradam.


Amor impossível já é um título em português lamentável e não define o filme. O original, em tradução livre, é A pesca do salmão no Iêmen. Ok, trata-se de um título nada sedutor, mas não só de obviedades vive uma obra. Esta é baseada no livro homônimo de Paul Torday.

Nesta história, o salmão é tão importante quanto a história de amor que tentam vender ao espectador. Na verdade, há mais de uma história de amor acontecendo, ao mesmo tempo. Há o amor de um xeique visionário, Muhammed (Amr Waked), pela pesca do salmão e pelo seu povo, assim como há o amor que nasce entre um especialista em peixes, Dr. Alfred Jones (Ewan McGregor), e a responsável pelos negócios do xeique na Inglaterra Harriet (Emily Blunt). E também há a amizade cultivada entre três pessoas completamente diferentes dedicadas a fazer acontecer algo quase impossível, que é implementar a pesca de salmão no Iêmen, no deserto. Enfim, o amor existe, não é impossível, e mesmo o sonho, por mais insano que pareça, é “quase” impossível.


Só que nem tudo flui facilmente. Além de o xeique enfrentar a posição contrária de sua gente ao seu sonho, o Dr. Alfred Jones reluta em trabalhar com o projeto, tratando jocosamente a ideia do xeique e solicitando itens complicados e caríssimos para fazer o projeto virar, porque acredita ser impossível fazê-lo. O que ele não esperava é que o xeique atendesse aos seus pedidos, porque, além de ser apreciador da pesca do salmão, ele também acreditava que ter como praticar a pesca no Iêmen poderia beneficiar seu povo. Aliás, é a admiração pelo xeique que aflora no cientista que faz deste um filme muito especial.


A ideia do xeique não teria dado em nada não fosse a intervenção do governo britânico, que na tentativa de abafar ações do exército no Afeganistão, precisava de uma notícia positiva que envolvesse o Oriente Médio. 

O filme não é uma comédia. Aliás, dele eu tiraria justamente o tom cômico utilizado somente nas citações políticas do filme. Se a ideia era ridicularizar a política quando se trata de abafar escândalos, o que realmente se consegue com os momentos em que aparecem esses interesses e os envolvidos é beirar o ridículo. Esse é o único erro do filme.

Amor impossível conta com a direção de Lasse Hallström (Chocolate/Querido John) e roteiro de Simon Beaufoy (Quem quer ser um milionário/Ou tudo ou nada).

 

1 comentários:

Vera Figueiredo disse...

Então Carla...lindo demais tudo que escreveu. O filme realmente vale a pena! Obrigada por postar tal preciosidade de palavras!