segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Eu quero ser Tim Burton!

Publicado originalmente no site
Crônica do Dia, em  30/05/12

“Sabe o que é estranho? É que sempre me achei normal quando era
criança. Depois de um tempo,você começa a pensar que é maluco,
porque todo mundo te chama assim. Aí os anos passam e você
se dá conta de que eles estavam certos, você era louco mesmo.”
Tim Burton


O que você quer ser quando crescer?

Pergunta recorrente na vida de qualquer criança, acaba sempre recebendo respostas sazonais. Há dias em que se quer ser herói, em outros, professor, bombeiro, astronauta, ou colecionador de gibis, filho da mãe e do pai e não de um extraterrestre, porque isso dá medo e afasta os amiguinhos. Não há limites para o que se pode ser quando crescer sendo criança.

Eu quis ser muitas coisas quando criança. Apesar de a minha memória infante depender das minhas irmãs para funcionar, lembro-me de duas coisas que queria ser quando crescesse: freira e aconselhadora para apaziguar alma. Crescendo, percebi que as pessoas não gostam quando nos metemos em seus assuntos com um punhado de conselhos que não pediram, eu não gosto. E que ser freira é um chamado que eu nunca estive realmente a fim de atender.

Então, fui sendo.

Se me perguntassem hoje, mas com a mesma intenção de quando eu era criança, o que eu seria quando crescesse, mesmo aos quase quarenta e dois anos de idade, eu responderia com a paixão da menina: o Tim Burton!


O mundo criado pelo menino que se achava normal, enquanto rotulado louco, que se tornou, depois do sucesso, um rotulado excêntrico, é de uma perspicácia aguçada. Sei que a maioria de nós teve uma infância regada às alegrias de ser criança, às brincadeiras, aos planos do que ser quando crescer e que isso é bom e saudável. Só que também há aquelas crianças que, desde sempre, existem de um jeito diferente. Se houvesse um Tim Burton na minha escola, quando eu era menina, talvez tivéssemos nos tornado grandes amigos com roupas esquisitas, ar taciturno e silêncio imperante, porque ao começarmos a conversar,  ele contando sobre os personagens que lhe inquietavam a alma, eu me deslumbraria de vez, e não haveria quem pudesse me tirar daquele universo que ele me permitiu visitar. Talvez, se eu tivesse conhecido um Tim Burton quando criança, desde lá eu já desejaria ser ele quando crescesse.

O universo de Tim Burton me fascina. Seria incapaz de criar algo tão profundo, melancólico e de uma beleza dissimétrica tão encantadora. O artista dos desenhos, da poesia e dos filmes, de tantos talentos, é uma inspiração para mim. Os personagens que traz à vida, bom, alguns estão mortos, mas tudo certo! Continuam interessantemente construídos e contando histórias envolventes.

Frankenweenie

Na verdade, escrevendo a respeito, percebo que cometi uma gafe existencial. Não é que eu realmente queira ser Tim Burton quando crescesse...

Se inventarem um jeito de se voltar ao passado - e que não tenha nada a ver com o Marty McFly tentando voltar para o futuro -, quando voltasse a ser criança eu gostaria de conhecer um Tim Burton na escola. E que ele me permitisse ser sua amiga independente das nossas esquisitices. E que ao me contar sobre os lúgubres e sublimes personagens que lhe habitassem a alma eu finalmente pudesse exercer a função de aconselhadora para apaziguar alma, mas sem ofender ou ultrapassar limites.

Quando eu crescer quero ser.


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