segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O talento de Élio Camalle

Eu conhecia algumas das suas canções, antes de conhecê-lo pessoalmente, na época do lançamento do CD Bicho Preto que, para mim, é um dos melhores discos autorais de um compositor brasileiro.

Em minha opinião, Élio Camalle é uma combinação de compositor que sabe muito bem conciliar a sua música com a sua poesia, um instrumentista talentosíssimo, que faz o violão cantar ritmicamente, abusando da dinâmica para criar nuances. Ele também é um grande intérprete, com uma voz que agrada aos ouvintes. Enfim, um artista que vale a pena conhecer.

Na sexta passada, dia 10, Élio Camalle se apresentou no espaço DB Cultura e Bem-Estar - www.dbproducoes.com.br, em São Paulo, em um show que definiu como um encontro com os amigos, antes de embarcar para a França, onde fará diversas apresentações.

O show - que coube muito bem no perfil intimista que o espaço oferece - foi muito especial, com direito à belíssimas canções, como Pão e Poesia, Cabeça, Receita e Isopor, parceria de Élio com Kléber Albuquerque, e atendendo ao pedido do público a Sai da Cruz.

Tenho grande apreço pelo trabalho do Élio. Quando nos apresentamos juntos em um projeto de poesia e música, em 2006, ele com o repertório do Bicho Preto, tive não apenas de escutar bastante um disco do qual eu já gostava, mas também mergulhar em suas letras, para poder selecionar os poemas que combinassem melhor com a poesia que havia nelas. Esse é um daqueles momentos que guardo com o maior carinho no meu baú de memórias. E a cada disco dele que escuto, a cada show que assisto, sinto-me privilegiada pela oportunidade de conhecer esse artista, que se tornou um querido amigo, e quem sempre apreciarei pela música que traz a esse mundo.

Espero que a França o receba de braços abertos, que os franceses tenham a chance de apreciar tão boa música. Mais do que isso, espero que, retornando ao seu país de origem, Élio Camalle possa ser cada vez mais reconhecido pela música que faz... Que é - como a vida - agridoce, por isso se aproxima tanto da essência do ser humano.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Lucina no espaço DB Cultura & Bem-Estar

Engana-se aquele que pensa que a mágica da música acontece somente nos grandes estádios. Na verdade, tenho comigo que depois de passada a curtição de ouvir milhares de pessoas cantarem junto com o artista aquela música, que também você adora que só, que também cantou junto com elas, nada mais agradável do que se imaginar em um show dessa querença musical em um lugar no qual a música chegue sem risco de se atrasar, porque perdeu o caminho, e você enxergue o artista no palco, até mesmo o seu sorriso, ao invés de vê-lo em telões ou tentar resgatar suas feições embaçadas pela distância.

Os shows em espaços culturais alternativos, ou teatros para cento e poucas pessoas, são especiais porque permitem a intimidade do olhar com a pessoa que faz aquela música que emociona a gente. E assim tudo fica mais bonito, pode acreditar!

Sábado passado, dia 4, tive o prazer de assistir a um show desses em um espaço muito bacana, criado pela minha amiga Drika Bourquim, que é produtora de eventos e fotógrafa, e agora a pessoa que cuida com todo carinho do espaço DB Cultura e Bem-Estar. E como recheio da programação, a talentosíssima compositora, violonista e cantora Lucina nos presenteou com um show lindo que só, com direito a canções que, meus caros, são de uma lindeza musical e poética capaz de alimentar direitinho a alma da gente.


Como convidados, Lucina contou com os talentosíssimos Ney Marques (guitarra), Adriana Sanchez (acordeom) e Chica Brother (pandeiro).


Lucina também apresentou, no mesmo espaço, no domingo, dia 5, o workshop Gira de Luz – Fundamentos Energéticos e Ritmos Construtores, e se apresentará na próxima quarta-feira junto a Alzira E. no show Canto de Encontro, ou seja, vocês ainda têm a oportunidade de apreciar essa fantástica artista no DB Cultura e Bem-Estar.


Agradeço muito a Drika Bourquim, ao Tato Souza e ao Henrique Bourquim Guimarães por terem me recebido tão bem no DB Cultura e Bem-Estar. Adorei a minha passagem por lá! Também fiquei super feliz em encontrar o querido Élio Camalle, compositor e cantor que admiro muito, por quem tenho imenso carinho.

E quem se interessar em conhecer um pouco mais da música brasileira, fique de olho na agenda deste espaço. Há muita gente boa aportando por lá.

DB Cultura e Bem-Estar
Rua do Paraíso, 790
Paraíso – São Paulo – SP

Fone: 11.3266 2488
E-mail: eventos@dbproducoes.com.br


Fotos © Drika Bourquim


Abaixo, um texto sobre o último CD de Lucina, originalmente publicado no site Crônica do Dia. Algumas músicas deste CD fizeram parte do repertório do show.

LUCINA: + DO QUE PARECE


Tudo pode ser mais ou menos do que parece, mas raramente igual. Pode desparecer só para enganar aos distraídos, e depois encantá-los com desvelo.

“A vida é mais do que parece”, dizem os religiosos, os sábios e dizem as avós, enquanto cozem delícias e engolem dolências.

Nesse mais que jamais dá a cara assim, de graça, que pede uma atenção honesta para se despir diante do nosso entendimento, encontramos um sem número de motivos para brincar de despir aparências. Por detrás dos outdoors nos quais nos estampamos para sobrevivermos à rotina, da lógica necessária para que o pão nosso de cada dia esteja na mesa quando os filhos se levantam para o café da manhã, há esse lugar que não pertence à pressa. É da preguiça do observador, da mansidão do interessado, da necessidade do ser humano.

Quando ouvi, pela primeira vez, o disco “+ do que parece”, da compositora, violonista e cantora Lucina, senti-me chegando a esse lugar privado, mas escancarado quando estamos prontos para encará-lo. Esse lugar no qual as sutilezas imperam, onde o sorriso faz a diferença, onde são torneadas a intensidade e a beleza das benfeitorias da vida.

“+ do que parece” vai além de ser um disco. É um apanhado de sentimentos amparados pelo olhar de quem sabe catar poesia no diariamente, de quem dá voz aos desejos, à catarse, às conquistas, aos silêncios inebriantes. De quem não deixa escapar as importâncias.

Em parceria com Zélia Duncan, amiga e co-autora das nove composições que compõe “+ do que parece”, Lucina talha a essência do desaprender o óbvio e buscar o que há por detrás, o além, o logo ali, naquele lugar do outro e de nós mesmos aonde jamais iríamos não fossemos inspirados a fazê-lo. Sendo assim, esse disco nasce como uma inspiração... Das boas inspirações.

As letras são de uma candidez que nos envolve sem pressa. “Seus olhos de jardim pousaram em mim/Seu olhar de floresta/invadiu minha tonalidade modesta de castanho” (Olhos de Marte). Mas tão bela quanto às letras é a voz do violão de Lucina, ritmada, floreando nuanças, pincelando cenários. E a própria voz da artista entra em cena, desfiando a conquista certa do ouvinte.

“+ do que parece” é um disco muito bem executado, com músicos afinados e composições belíssimas. Vale se permitir conquistar por ele. Lucina é uma artista que vem contribuindo com a música de uma forma muito especial. E que assim continue.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Olyphant e High Life



Timothy Olyphant é da safra de atores que realmente têm talento e sabem muito bem o que fazer com ele, construindo personagens dignos dos ótimos roteiros que, consequentemente, passam a fazer parte da sua rotina de trabalho.

Obviamente, não posso deixar de citar o sucesso de Justified, que está na terceira temporada, contando com Olyphant interpretando o protagonista, Raylan Givens. A série conta com ótimas interpretações e um roteiro muito interessante. Porém, Justified é assunto para um próximo post.


Apesar de ser fã da série – que conta com um roteiro impecável e tramas que prendem a atenção dos espectadores, e que vão além dos tiros disparados a cada episódio –, não foi através dela que me tornei fã desse ator norte-americano, nascido no Havaí. Olyphant me chamou a atenção, pela primeira vez, em Pegar e Largar (Catch and release/2006), filme no qual o noivo de Gray Wheeler (Jennifer Garner) morre repentinamente. Ela busca apoio, para passar pelo luto, nos três melhores amigos dele, e descobre que seu quase marido não era exatamente a pessoa que demonstrava ser. O filme trata da busca pela superação da dor da perda, assim como sobre o segundo olhar lançado às certezas que julgamos ter pelo outro.


Neste filme, Olyphant é um dos três amigos, Fritz, a ovelha negra, o playboy marrento, papel que dá o tom adequado à trama. E assim como Gray descobre seus enganos sobre o noivo, ela também percebe que Fritz, o ser agridoce do cenário, não é tão indigesto quanto ela pensava. Em um mesmo filme, o amor morre e o amor nasce, e a jornada fica muito mais interessante com a presença de Olyphant.

Depois de Pegar e Largar, deparei-me com o ensandecido A Trilha (A Perfect Getaway/2009), que apesar do enredo poder ser definido como turistas em remotas ilhas do Havaí se deparam com assassino de casais em lua-de-mel, acaba nos surpreendendo ao se mostrar um ótimo thriller, sem contar a belíssima fotografia.

A Trilha é o filme dos casais, tanto no crime quanto nas conversas que abordam os seus relacionamentos. Um casal é assassinado, a polícia procura por outro como autor do crime. Cydney (Milla Jovovich) e Cliff (Steve Zahn) encontram Gina (Kiele Sanchez) e Nick (Timothy Olyphant) que ajuda o primeiro casal a passar por um trecho muito perigoso da trilha. Depois disso, decidem seguir juntos até um remoto ponto da ilha.


Olyphant coloca em pauta a sua capacidade de se transformar no que o personagem pede. Neste filme, ele brinca com a dualidade, com o bandido e o mocinho morando na mesma pessoa, recorrendo a sua habilidade em dar nuance ao personagem, e elevando o suspense que faz com que o espectador não tire os olhos da tela.

Depois disso, assisti a vários filmes com esse ator, que em diversas entrevistas, se mostra bem humorado e consciente da sua condição de artista, além de contar histórias hilárias protagonizadas pelos seus filhos. Porém, é em um filme com quê cult, no qual ele deixa completamente de lado qualquer raspa de charme, escancarando com o seu olhar mais insano, que Olyphant se mostra o ator versátil e interessante que gostamos tanto de ver em filmes tão versáteis e interessantes quanto.


High Life é um filme canadense que conta a história de um grupo de ladrões que arquitetam um plano para roubar um dos caixas eletrônicos de um banco.

Dick (Timothy Olyphant) é um ex-presidiário que trabalha como zelador em um hospital. Ao receber a visita de seu ex-companheiro de cela, e sócio nas contravenções, Bud (Stephen Eric McIntyre), acaba perdendo o emprego.


Bud é um sujeito violento, um assassino, enquanto Dick é aquele que, apesar de criminoso, é contra a violência, e tenta sempre prejudicar o mínimo de pessoas durante os “trabalhos”. Viciado em morfina, após perder o emprego ele decide reunir um grupo de amigos-bandidos para um grande golpe que lhe garanta viver dignamente consumindo a droga que adora, como se estivesse escolhendo uma carreira.

Dick é o idealizador do golpe e tido pelo grupo – também formado por Donie (Joe Anderson) e Billy (Rossif Sutherland) – como um guru, um intelectual. Porém, trata-se de um grupo de viciados que estão sempre viajando, três deles aos trapos, um deles sempre bem vestido, parecendo galã, para seduzir enfermeiras e conseguir drogas para vender aos participantes de um grupo de viciados em recuperação.


High Life é um filme peculiar, com um humor inteligente e eficaz, e às vezes tão surreal que o espectador é levado à constatação de que não há muita inteligência ali, mas sim um tanto de ingenuidade. A forma como esses bandidos tratam o golpe é como um profissional trata a necessidade de conseguir o dinheiro para pagar as contas do mês, só que ao invés do bem-estar da família, da comida, da casa, das férias, a meta deles é poder viver sempre com drogas à disposição, sem precisar mendigar por isso.

High Life conta com a direção de Gary Yates, um ex-mágico profissional que se tornou cineasta, e dos premiados. Talvez por isso ele tenha feito a mágica de nos fazer rir com temas tão pesados, o vício e o crime, mas sem tirar deles a seriedade.

Lee MacDougall é autor da peça de teatro que deu origem ao filme, do qual ele também é roteirista, e desempenha este papel oferecendo ao filme grandes diálogos, apesar de um tanto insanos, quase sempre.

Quanto a Timothy Olyphant, vou continuar conferindo o seu trabalho, esperando que sejam sempre tão bem feitos.


Site oficial do filme: highlifethemovie.com
Timothy Olyphant: www.imdb.com/name/nm0648249