quinta-feira, 26 de julho de 2012

As recompensas de Kléber Albuquerque

Pessoas!

O querido amigo e compositor-poeta, que eu adoro, Kléber Albuquerque, iniciou uma campanha de crowdfunding para o seu novo disco. Quem puder, assista ao vídeo e colabore. A música dele merece, e acho que quem pode mesmo sair ganhando nessa somos nós, porque precisamos fazer circular a boa música para fazer bem é para a nossa alma.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Lançamento do livro Estopim

Um vídeo com fotógrafos e artistas plásticos divulgando o meu novo livro, o romance Estopim que será lançado em agosto. Confira o post no blog do livro com link para o vídeo:

http://estopimlivro.blogspot.com.br/2012/07/veja-e-escute-o-livro_18.html


Clique na imagem para vê-la ampliada.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Uma das minhas pessoas preferidas: Selton Mello



Selton Mello é uma das minhas pessoas preferidas. A sua transição das novelas para o cinema foi um ganho e tanto para a cultura brasileira. Nada contra as novelas, aliás, eu sou noveleira assumida. E não que ele tenha abandonado a televisão, até porque algumas das melhores séries brasileiras têm sido protagonizadas por ele. Porém, a série está mais para o cinema do que para o folhetim.

O que venho observando com admiração é o crescimento dessa uma pessoa das minhas preferidas. Um ótimo ator ele já se mostrou em tantos anos de carreira. Há nele (personagem-pessoa ou pessoa-personagem?) uma melancolia que na comédia incrementa e no drama alimenta sutilezas, e tais entretons seduzem o espectador, dão credibilidade aos personagens. Só que Selton Mello é mais do que um ator de primeira. Ele também vem se mostrando um diretor com um olhar atento, capaz de contar histórias em uma cadência própria, aproximando o espectador do personagem.


Feliz Natal (2008), seu primeiro longa como diretor, mostrou o rumo que ele seguiria, a intimidade provocada entre espectador e personagens. O filme aborda a aproximação de Caio - belissimamente interpretado por Leonardo Medeiros – de sua família que mora na capital, após anos afastado por conta de um acontecimento que o levou a se mudar para o interior. Além do drama pessoal de Caio, que se esgueira pela culpa e pela sorte por ter sobrevivido a tal evento, o filme mergulha em questões familiares e em uma época em que as emoções se misturam e são mais intensas. A forma como essa história é contada nos faz sentir a densidade dessas emoções. Foi com este filme que conheci o Selton Mello diretor e gostei... Muito.


Além de ator e diretor, Selton também vem demonstrando sua habilidade como autor. Ele foi coroteirista de Feliz Natal e do poético O Palhaço (2011), ambos em parceria com Marcelo Vindicatto.

De volta para a televisão, ele atuará como diretor da Sessão de Terapia, série adaptada da israelense Be Tipul, que teve várias adaptações, sendo a mais conhecida a americana In Treatment, estrelada pelo talentoso Gabriel Byrne. A estreia da Sessão de Terapia está prevista para outubro.

O que me faz ter Selton Mello como uma das minhas pessoas preferidas - e olha que ainda não o assisti atuando em teatro - é o seu olhar transeunte. Seja como ator, autor ou diretor, ele sempre encontra a forma mais interessante de contar uma história. E eu espero pelo que virá.



segunda-feira, 2 de julho de 2012

Super mãe!

Voltei ao Teatro Gazeta - que é um lugar muito acolhedor - para assistir a comédia Como se tornar uma super mãe em 10 lições. Com texto de Paul Fuke, baseado na obra de Dan Dreenburg, e tradução de Clara Carvalho, através das lembranças de Daniel é construída a história sobre uma típica família judia, destacando a influência da mãe na formação do homem que ele se tornou. Isso é mostrado logo no início, quando ele interrompe sua palestra, no dia em que recebe um importante prêmio, para desfiar uma série de satisfações aos questionamentos cotidianos da mãe, que se encontra no auditório. É então que ele decide revelar ao público como se tornara o homem ali presente, tendo sido criado por uma mãe judia.


Danton Mello conduz Daniel como um adulto que ainda é um menino aos olhos da mãe. Nós sabemos que os pais costumam tratar seus filhos como eternos pimpolhos, mas há um limite que essa mãe se esqueceu de enxergar. E com todos os exageros, o drama, a manipulação por meio da culpa, Ana Lúcia Torre encanta ao dar forma aos absurdos cometidos por essa mãe judia, que ama - e comanda - seu filho.

No silêncio de Ary França, o marido submisso ao poder de fogo da mãe da família, cravam-se os pontos e vírgulas da história. Sua interpretação pontua a dos outros, como se um olhar, uma careta, um gesto ou um som emitido fossem desfechos distribuídos durante o espetáculo.

Flávia Garrafa está muito bem. Ela interpreta a filha da família, mas também dá vida à esposa de um comerciante, um personagem muito engraçado. Como o comerciante, Luciano Gatti se mostra frágil, o que fortalece ainda mais a ideia de mães que conduzem a família. Gatti também interpreta o médico e o psicanalista.

A sintonia entre Danton Mello e Ana Lúcia Torre conduz o espetáculo em um tom que o público aprecia. Em contrapartida ao talento desses atores, à dinâmica com a qual interpretam seus papéis, os presentes reagem da melhor forma que se pode reagir a uma comédia: eles se divertem e gargalham muito. Eu me diverti. Eu gargalhei. E, obviamente, a direção de Alexandre Reinecke colabora, e muito, com a forma como a história é entregue ao público.




Conhecemos as consequências de certas combinações. Um bom texto, por exemplo, se combinado a uma performance mediana, pode se tornar um espetáculo morno. Entretanto, há atores e atrizes que fazem milagres com textos medianos, elevando a qualidade do espetáculo com o seu talento em se expressar no palco. Sendo assim, só nos resta concluir que de nada adiantariam textos fantásticos não fossem atores e atrizes tão fantásticos quanto, capazes de debulhar a trama em performances marcantes. E quando a combinação é essa, quando os atores e atrizes estão entregues a um texto que os merece, o espectador sempre sai ganhando. E o que posso dizer de Como se tornar uma super mãe em 10 lições é justamente isso. No espetáculo, tudo se combina.

Como se tornar uma super mãe em 10 lições é um espetáculo para não se perder.

COMO SE TORNAR UMA SUPER MÃE EM 10 LIÇÕES
com ANA LÚCIA TORRE, DANTON MELLO, ARY FRANÇA, LUCIANO GATTI e FLÁVIA GARRAFA

Sexta às 21h15min
Sábado às 22h
Domingo às 18h

Teatro Gazeta
teatrogazeta.com.br
Av. Paulista, 900 - Térreo
Próx. ao Metrô Trianon
(11) 3253-4102
teatro.gazeta@terra.com.br

Vendas por Telefone
Call Center Livepass
(11) 4003-1527
Horário de atendimento
de segunda-feira a sábado
das 09 às 21 horas

Like Crazy



Publicado originalmente no site
Crônica do Dia, em  20/06/12

Vivemos em processo de idealização e desapontamento. Não há como negar que, sempre que possível, criamos versões para desfechos sobre os quais não temos qualquer poder de mudança, esperando sempre pelo melhor para nós mesmos e para quem amamos.

Não acho isso errado, contanto que saibamos lidar com os possíveis – e frequentes – resultados diferentes e, às vezes, até mesmo contrários aos esperados. É preciso saber desapontar-se.

Like Crazy (2011) aborda bem o tema da idealização, mas de uma forma quase hipnótica, porque, neste caso, o idealizado aconteceu, mas se perdeu nos acontecimentos.

No filme, uma jovem britânica conhece um jovem americano em uma faculdade em Los Angeles, nos Estados Unidos. Eles se apaixonam, ficam juntos durante o tempo que resta da faculdade e então o visto dela expira. Ela tem de voltar para a Inglaterra para fazer a renovação, mas vislumbrando o tempo que teria de ficar longe do seu namorado, decide adiar a viagem, perdendo o prazo para renovação do visto. Quando tenta entrar nos Estados Unidos, com visto de turista, descobre que aquela infração a impedia de entrar no país. A partir daí, Anna e Jacob passam a viver um relacionamento a distância.




Separar duas pessoas completamente apaixonadas por continente é lançá-las ao inesperado. Ainda que nelas sobreviva a noção de que o amor é tão grande que não há como se dobrar à situação, na prática a vida ensina que essa expectativa é das mais traiçoeiras. E quanto maior o amor, mais a falta talha desamparo no espírito desses amantes.

Like Crazy é um filme que lida com delicadeza das emoções mais facilmente decifráveis às que surgem quando o desejo não é atendido, mas sem perder a tensão quando acontecem. O diretor e corroteirista Drake Doremus fez um ótimo trabalho, o que ajuda a destacar as atuações dos protagonistas Felicity Jones e Anton Yelchin. Eles estão ótimos para um filme que dá destaque à atuação e com diálogos muito bem escritos.

É muito interessante a forma como o desfecho do filme é apresentado. Todas as situações que antecederam aquele momento apontavam para ele. Ainda assim, o diretor conseguiu chegar a ele de uma maneira peculiar. É possível enxergar, na cena final, o quanto somos movidos a expectativas que não estamos preparados para descartar, quando a não realização delas instala um vazio incapaz de ser preenchido com outra história, até aceitarmos que sim, a distância modifica relacionamentos.

E o Like Crazy que dá título ao filme é uma das coisas mais bacanas nele.