segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Leitura das primeiras páginas

Agradeço muito às pessoas que participaram do vídeo-leitura do meu livro, o Estopim, os queridíssimos Carolini Lucci, Eduardo Loureiro Jr., Elaine Zannette, Élio Camalle, Franchi Foglia, Graça Cunha, Kléber Albuq uerque, Lucina, Marinete da Silva, Maximiliana Reis, Patrícia Paschoalin, Roberto Bieto, Silvia Falabella, Vera Figueiredo, Vincenzina De Simone e Whisner Fraga. Música Buenos Dias, de Claudio Lucci, com São Quixote.

Confira o vídeo abaixo e se prepare para o lançamento, que será no próximo sábado na Livraria da Vila - Alameda lorena, 1731, São Paulo, das 16h às 19h. Durante o lançamento, apresentação musical de Raquel de Assis (voz) e Paulo Renato Pirozzi (violão), com repertório que inclui as músicas citadas nas aberturas dos capítulos, e que serviram de trilha sonora enquanto eu escrevia o livro.




 Confira também: estopimlivro.blogspot.com

De cabeça e ouvidos abertos


Música, como em qualquer setor da nossa vida, depende das escolhas que fazemos. Não há problema algum em você optar por ser aquele que aprecia o estilo que for de música. Problema há quando você se atém à exclusividade, fechando os olhos – e os ouvidos – para o que acontece além daquilo que você decidiu ser o seu único gosto cabível na sua percepção musical.

Há muitos músicos talentosos por aí, colaborando com compositores inspirados, ou eles mesmos sendo os compositores de suas obras. Não importa mais o instrumento... O instrumentista também pode ter seu próprio trabalho e composto por suas próprias obras musicais.

Com a internet, as opções são tantas que melhor nem mesmo se atrever a contabilizar. E com tantas opções disponíveis, a ideia de exclusividade no gosto, que já era um tanto equivocada, torna-se completamente avessa à liberdade de apreciarmos boa música.

É por conta dessa liberdade que podemos conhecer alguns músicos excepcionais, como Renato Martins, percussionista brasileiro, hoje residente em Bruxelas, que já passou por vários estilos até encontrar o seu próprio, porque não há como defini-lo, principalmente por ele estar em constante processo de transformação.

O que continua o mesmo é o seu talento para fazer o Udu cantar. Na Clínica Criativa Novos Caminhos, que apresentou no IBVF – Instituto de Bateria Vera Figueiredo, no dia 11 de agosto, Renato tocou no Udu a introdução do tema de Missão Impossível. E ele também toca, no Udu, o Hino Nacional.

Não é apenas no Udu que o talento de Renato se mostra. Ao tocar o cajon e a cajita, ele consegue aproveitar a sonoridade dos instrumentos a favor do seu rico vocabulário.

Não é preciso ser percussionista para apreciar a música de um percussionista. E Renato Martins vale a pena ser apreciado. Abrir a cabeça para o que o meio musical está oferecendo é também surpreender-se, constantemente, com talentos como ele.

Trechos da apresentação de Renato Martins no IBVF
   

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Eric McCormack se reinventa em Perception


Foram 187 episódios em oito temporadas nas quais Debra Missing e Eric McCormack pintaram e bordaram da melhor forma possível, oferecendo uma sitcom de qualidade e humor afiado. Will & Grace foi, e continuará sendo, das melhores.

Desvincular-se de Will Truman, o advogado homossexual e suas aventuras com a melhor amiga Grace, uma designer de interiores heterossexual, poderia ser uma aventura das não muito agradáveis, não fosse Eric McCormack um talentoso ator.

McCormack, desde o cancelamento de Will & Grace, em 2006, não teve o mesmo destaque que essa série lhe proporcionou, participando de séries como convidado, entre elas Law & Order: Special Victims Unit e The New Adventures of Old Christine, e atuando na série-animação Pound Puppies, entre outros trabalhos. O que realmente faltava a ele era um papel para que pudesse mostrar que não somente de Will Truman vive o talento de Eric McCormack.




Perception estreou em julho na tevê americana. Uma produção da TNT, traz McCormack como protagonista, dando vida ao complexo Dr. Daniel Pierce, um excêntrico professor de neurociência atormentado pela esquizofrenia, que é contratado pelo FBI para ajudar a resolver os casos mais labirínticos. 

Gênios com transtornos psíquicos severos não são novidade nas telas. O diretor Ron Howard levou aos cinemas a história do gênio da matemática John Nash, com o belíssimo Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind/2001). Monk foi uma ótima série, com um toque cômico, que contava as aventuras do brilhante detetive de homicídios que sofria de Transtorno Obsessivo-compulsivo (TOC), interpretado Tony Shalhoub. Obviamente, Perception tem de provar a que veio, mas em poucos episódios, já provou que McCormack foi a escolha acertada para dar vida ao Dr. Pierce.





Como neurocientista, o Dr. Pierce vive às voltas com a ruminação sobre a sua condição. Afinal, ser um gênio não muda a sua situação. Personagens imaginários o ajudam nos necessários quebra-cabeças oferecidos pela agente do FBI, e sua ex-aluna, Kate Moretti (Rachael Leigh Cook).


O Dr. Daniel Pierce em nada lembra o alegórico e sedutor Will Truman, e isso é um elogio, porque, às vezes, um personagem marca a carreira de um ator de forma que fica difícil reinventar-se. Em Perception, McCormack vem se reinventando com todo o talento que lhe cabe.





MacCormack vem construindo Daniel Pierce com muito cuidado, e os resultados têm sido gratificantes. Acredito que, finalmente, ele recebeu o personagem que merecia para voltar às séries. É bom vê-lo interpretando um personagem tão complexo sem torná-lo uma caricatura. Sendo assim, ele coloca Will & Grace no seu devido lugar, mas respeitosamente: no passado.


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A delicadeza de um sonho quase impossível de se realizar


Penso que quem escreve as chamadas dos cartazes dos filmes que estão no cinema não os assistem, o que é pra lá de errado. Neste caso, "Uma fantástica e charmosa história" e "A comédia romântica do ano". Se quem escreveu isso assistiu ao filme, bom, a pessoa é ruim mesmo na percepção ou está apenas copiando o que o outro disse.


Apesar de a própria sinopse do filme tratá-lo como comédia, eu realmente não consigo concordar com isso. Há romance, há drama, há humor, mas não se trata de uma comédia. Quem for ao cinema não encontrará a comédia prometida. Na verdade, os momentos dedicados à serventia do sentido cômico são os que em nada me agradam.


Amor impossível já é um título em português lamentável e não define o filme. O original, em tradução livre, é A pesca do salmão no Iêmen. Ok, trata-se de um título nada sedutor, mas não só de obviedades vive uma obra. Esta é baseada no livro homônimo de Paul Torday.

Nesta história, o salmão é tão importante quanto a história de amor que tentam vender ao espectador. Na verdade, há mais de uma história de amor acontecendo, ao mesmo tempo. Há o amor de um xeique visionário, Muhammed (Amr Waked), pela pesca do salmão e pelo seu povo, assim como há o amor que nasce entre um especialista em peixes, Dr. Alfred Jones (Ewan McGregor), e a responsável pelos negócios do xeique na Inglaterra Harriet (Emily Blunt). E também há a amizade cultivada entre três pessoas completamente diferentes dedicadas a fazer acontecer algo quase impossível, que é implementar a pesca de salmão no Iêmen, no deserto. Enfim, o amor existe, não é impossível, e mesmo o sonho, por mais insano que pareça, é “quase” impossível.


Só que nem tudo flui facilmente. Além de o xeique enfrentar a posição contrária de sua gente ao seu sonho, o Dr. Alfred Jones reluta em trabalhar com o projeto, tratando jocosamente a ideia do xeique e solicitando itens complicados e caríssimos para fazer o projeto virar, porque acredita ser impossível fazê-lo. O que ele não esperava é que o xeique atendesse aos seus pedidos, porque, além de ser apreciador da pesca do salmão, ele também acreditava que ter como praticar a pesca no Iêmen poderia beneficiar seu povo. Aliás, é a admiração pelo xeique que aflora no cientista que faz deste um filme muito especial.


A ideia do xeique não teria dado em nada não fosse a intervenção do governo britânico, que na tentativa de abafar ações do exército no Afeganistão, precisava de uma notícia positiva que envolvesse o Oriente Médio. 

O filme não é uma comédia. Aliás, dele eu tiraria justamente o tom cômico utilizado somente nas citações políticas do filme. Se a ideia era ridicularizar a política quando se trata de abafar escândalos, o que realmente se consegue com os momentos em que aparecem esses interesses e os envolvidos é beirar o ridículo. Esse é o único erro do filme.

Amor impossível conta com a direção de Lasse Hallström (Chocolate/Querido John) e roteiro de Simon Beaufoy (Quem quer ser um milionário/Ou tudo ou nada).