segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Sobre paraísos




Não é uma história de amor... Mas é. Não é uma história sobre drogas... Mas é. Não é uma história sobre música eletrônica... Mas é. Não é somente, porque tudo se mistura.

Paraísos Artificiais, primeiro longa de ficção de Marcos Prado, e do qual é roteirista ao lado de Pablo Padilla e Cristiano Gualba, é apresentado como “Uma história de amor e êxtase”, mas acredito que seja mais, apesar do amor que pontua a trama e das muito bem dirigidas cenas de sexo, a maioria com personagens em viagens provocadas pelas drogas.

A história é contada entrelaçando três períodos das vidas de Érika (Nathalia Dill) e Nando (Luca Bianchi), ótimos atores que interpretam muito bem os seus papeis. Um deles acontece em paradisíaca praia do nordeste brasileiro, durante um festival de música eletrônica. As pessoas dançam, flertam e usam drogas, algumas por pura diversão e outras, abraçando um quê hippie, estão em busca de uma viagem interior que lhes dê as respostas que procuram. Érika é DJ e faz sua estreia durante o evento. Na companhia de Lara (Lívia Bueno), ela mergulha em si, valendo-se das emoções provocadas pelo sexo e pelas drogas.

Nando foi ao festival com um amigo, Patrick (Bernardo Melo Barreto). No caso dele, o uso de drogas é pela diversão, pela experiência de usá-la durante a rave.


O segundo momento se passa alguns anos depois, quando Nando e Patrick viajam para Amsterdam, na Holanda, e Érika o reconhece em uma festa da qual é DJ, mas ele não. Os dois se envolvem, acabam apaixonados, mas Nando tem de voltar para o Brasil, trazendo drogas, porque precisa do dinheiro. O terceiro momento se passa no Rio de Janeiro, quando Nando sai da prisão, alguns anos depois de ser preso com as drogas, já no Brasil. 

Com uma fotografia impecável e dessa maneira fragmentada, porém muito bem colocada, Marcos Prado constrói uma trama na qual o amor guia os personagens em seus conflitos pessoais, enreda reencontros e mostra como as drogas influenciaram seus destinos. E o mais interessante, o que realmente torna Paraísos Artificiais um grande filme, é que não se toma partido. Não é um filme onde escolhas ruins se separam das boas, como se fosse uma batalha entre o bem e o mal. Nele tudo se mistura e acontece, assim como acontece na vida.


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A sorte está lançada



É fato que o tema ‘guerra’ gera ótimos filmes. Porém, não são todos que são bem produzidos, a ponto de não apenas gerarem uma ótima bilheteria, mas também conquistarem a credibilidade destinada somente aos filmes impecáveis, como Apocalypse Now (1979), de Francis Ford Coppola.

Há também os filmes que usam a guerra para introduzir uma história de amor, e isso é exatamente o que acontece em Um homem de sorte (The Lucky One/2012), dirigido por Scott Hicks. Obviamente, estamos falando de mais um filme baseado no livro de um inspirado criador de histórias de amor. Nicholas Sparks se tornou sinônimo de filmes dramáticos e românticos, mas sem apelar para o dramalhão e dando um bom rumo aos clichês que, todos nós sabemos, faz parte da realidade dos apaixonados. E o cinema descobriu que Nicholas Sparks escreve de um jeito para caber nas telas. 

Um homem de sorte é impecável em algo: na fotografia. Não há como não desejar estar naquele lugar, molhar os pés no lago, colocar as flores do jardim nos cabelos, brincar com os cães, morar na casa de Beth Clayton, sua avó e seu filho. Mas vamos começar pelo começo...



Zac Efron é um ator e músico que ficou famoso com a franquia High School Musical, e que vem se construindo como ator de cinema com muita graça. Em 2010, ele deu uma mostra de que leva o cinema a sério em A Morte e Vida de Charlie” (Charlie St. Cloud), de Burr Steers, um filme sobre um rapaz que perde o irmão em um trágico acidente e mantém contato com o espírito dele, o que o torna uma pessoa ensimesmada e esquisita. Em “Um homem de sorte” ele novamente interpreta uma alma atormentada, dessa vez como Logan Thibault, um fuzileiro que, em meio à guerra do Iraque, encontra a foto de uma mulher. A partir daí, ele escapa da morte algumas vezes e atribui àquela foto, àquela mulher, a sua sorte. Quando volta para casa, com problemas para se adaptar na casa da irmã, decide sair em busca de si e da mulher que tanto lhe beneficiou.


Logan encontra Beth (Taylor Schilling), a mulher da foto, em um canil, onde trabalha com a sua avó. Ele até tenta contar a ela, logo que chega, por que está ali, mas acaba não encontrando as palavras e acaba como empregado do canil, onde, ao bom estilo Sparks, um grande amor nascerá.

Um homem de sorte é um bom filme. Alguns momentos nos surpreendem, mas são somente alguns. E a real beleza do filme, repito, está na fotografia, que nos leva a acreditar que, em um lugar como aquele, não há como não nascer um grande amor.