segunda-feira, 18 de março de 2013

7 filmes de cabeceira


Há muitos anos, mantenho uma listinha de filmes e séries para indicar aos amigos. A listinha, nada curtinha, transformou-se, em parte, em álbuns de fotos no Facebook, porque alguns desses amigos só conseguiam saber se já haviam assistido ou não ao filme, ou se estariam a fim de assistir a série, conferindo as imagens.

Aliás, indicações ficam cada vez mais interessantes de se oferecer com os recursos da internet. Saudosa época em que a gente tinha de confiar somente no pode assistir/ler/escutar que você vai amar!. Hoje, além do pode assistir/ler/escutar que você vai amar!, temos sites específicos sobre autores e suas obras, um banco de imagens soberbo, e por aí vai.

De cara, vamos esclarecer que nem todos amam o que cada um de nós ama. Gosto é uma coisa muito pessoal. Sendo assim, mesmo algumas das indicações que faço com o maior amor do mundo, foram criticadas com o maior desejo de jogar o indicado no lixo. O que realmente torna isso agradável é o respeitar o gosto alheio. A discussão sobre os motivos de um ter amado e o outro detestado pode gerar boas conversas. Defender seu gosto, tudo bem. Ofender o alheio, não mesmo!

Já publiquei aqui no Talhe sobre o amor e o cinema, destacando alguns dos meus filmes de cabeceira mais queridos e dedicados ao tema. Agora, falarei sobre 7 filmes da década de 90 que fizeram minha cabeça.


Delicatessen (Delicatessen/1991) é um filme para se amar ou odiar, sem meio-termo. É uma comédia de humor negro sobre um período em que a comida é tão escassa que se torna moeda de troca. Um ex-palhaço começa a trabalhar em um prédio onde fica o açougue Delicatessen. Ele se apaixona pela filha do dono do açougue, que, para garantir a sua sobrevivência, assassina os inquilinos para vender a carne deles. Para mim, é um dos filmes mais interessantes. Vê-se de tudo, espia-se a humanidade e suas mazelas em momento de escassez. 


Delicatessen foi escrita e dirigida por Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro. Este foi o primeiro longa-metragem dirigido por Jeunet, que ficou mundialmente conhecido com o filme O fabuloso destino de Amélie Poulain (Le Fabuleux destin d'Amélie Poulain/2001).

A dupla vida de Véronique (Podwojne zycie Weroniki/1991) foi o primeiro filme de Krzysztof Kieslowski que assisti. Kieslowski é um dos meus preferidos, responsável pela trilogia das cores: A liberdade é Azul (Trois couleurs: Bleu/1993), A Igualdade é Branca (Trois couleurs: Blanc/1994) e A Fraternidade é Vermelha (Trois couleurs: Rouge/1994).


Uma verdadeira obra-prima, o filme fala sobre a sensação de se ter alguém destinado a nós, com a possibilidade de esse alguém ser nós mesmos. 

Weronika é polonesa e tem um grande talento para a música erudita. Com sua voz única, consegue entrar em uma respeitada escola de música. Durante a sua primeira apresentação, ela morre de ataque cardíaco. A partir de então, Véronique, uma francesa com um grande talento para a música, começa a se sentir só, como se não houvesse mais alguém para ela no mundo. Então, abandona a música e começa a se relacionar com um manipulador de marionetes. 


A forma como a ligação entre essas mulheres é contada tem um quê poético, melancólico, o que faz com que o espectador se prenda aos detalhes. Embarque na viagem de Kieslowski.

Frankie & Johnny (1991) é um filme com Al Pacino e Michelle Pfeiffer. Eu poderia dizer que apenas isso bastaria para eu adorá-lo, mas estaria mentindo. Apesar de gostar muito do trabalho de ambos, não pensei que eles dariam uma boa combinação em um filme. 


Frankie & Johnny já começa muito bem com a música tema, homônima, lindamente interpretada por Terence Trent D’Arby, ou melhor, Sananda Maitreya. Johnny (Al Pacino) é um ex-presidiário que começa a trabalhar em uma lanchonete. Frankie (Michelle Pfeiffer) é garçonete nessa lanchonete. A atração entre eles não é o tema central do filme, mas sim um fim que exige um começo e um meio. O filme trata, de uma forma muito singela e bonita, da solidão. Há personagens, no restaurante, que vamos descobrindo aos poucos, assim como a forma como cada um lida com a própria solidão.


Al Pacino está demais, como sempre. Michelle Pfeiffer, idem. O roteiro de Terrence McNally é repleto de sutilezas, e o diretor Garry Marshall conseguiu captar o melhor olhar possível para a história de duas pessoas e a dificuldade em abrirem mão da solidão.

Jogos de ilusão (An Awfully Big Adventure/1995) é um filme sobre atores de teatro e um diretor sem noção e egocêntrico. O filme é sobre uma menina que conversa com a mãe morta pelo telefone. É sobre a menina que se apaixona pelo diretor. Sobre o diretor que odeia o ator principal e joga a menina nos braços dele. E sobre a história complicada que há entre a menina e o ator.


Definitivamente, este não é um filme fácil de digerir. Primeiro porque se trata de um filme focado no elenco de um espetáculo de teatro. E tendo a arte como cenário, não há como faltarem dramas. Às vezes, tem-se a sensação de que haverá mais romance do que tragédias, e então a tragicomédia se apresenta.  Além do mais, Alan Rickman em um papel que lhe apetece é sempre bom demais de se assistir. 


Para o resto de nossas vidas (Peter's friends/1992) é um filme com um ator que eu adoro, e que também é um diretor que muito me agrada: Kenneth Branagh. Neste filme, escrito por Rita Rudner e Martin Bergman, dirigido por Branagh, reúnem-se companheiros de jornada e amigos, entre eles Emma Thompson e a dupla Stephen Fry e Hugh Laurie, o saudoso House.


É um filme sobre amigos da época da faculdade. Um filme sobre amigos, criado, dirigido e interpretado por amigos na vida real. Talvez por isso não tenha aquele tom sonso dos filmes sobre reencontro de amigos que estudaram juntos. O cenário também é outro, não é um baile de escola. Eles são convidados por Peter Norton (Stephen Fry), que além do título de lorde, herdou uma mansão de seu pai. Como todo reencontro, há dramas e trocas de farpas, histórias a serem esclarecidas, temores, sentimentos que se tornarão insignificantes mediante à revelação de um segredo de Peter.


A prova (Proof/1995) tem um quê de humor negro, o que deixa o filme ainda mais interessante. O filme é sobre Martin (Hugo Wearving), um cego que acredita que as pessoas sempre mentem para ele. Quando menino, ele acreditava que a mãe desfiava mentiras ao lhe descrever paisagens e objetos. Adulto, tornou-se fotógrafo, e continuou a se sentir vítima da mentira das pessoas. 


Hugo mantém um relacionamento complicado com Célia (Genevieve Picot), quem cuida de sua casa. Torna-se amigo de Andy (Russel Crowe) que se apaixona por Célia, mas a mulher tem ciúme da amizade entre eles e tenta fazer com que Hugo se desaponte com o amigo.


Um filme muito interessante, escrito e dirigido por Jocelyn Moorhouse.

Cyrano (Cyrano De Bergerac/1990) é um filme de Jean-Paul Rappeneau, com Gérard Depardieu como Cyrano, Anne Brochet como Roxanne e Vincente Perez como Christian de Neuvillette. É considerada a versão mais fiel à peça escrita por Edmond Rostand.


A história do espadachim e poeta apaixonado por sua prima, Roxanne, e que não se declara por ter vergonha do seu nariz descomunal, é mundialmente conhecida. Na verdade, Rostand se inspirou na história do escritor francês Hector Savinien de Cyrano de Bergerac para criar a peça de teatro. Até mesmo Steve Martin viveu sua versão de Cyrano em Roxanne (1987).


No Cyrano de Rappeneau a poesia é belamente desfiada por um Depardieu em sua melhor forma.

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