segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Belíssimo filme sobre dois homens incríveis


 2 Filhos de Francisco, que conta a história de Zezé Di Camargo e Luciano, foi lançado em 2005 e se tornou um grande sucesso da carreira de Breno Silveira. Quando lhe ofereceram esse projeto, ele não aceitou, não queria ficar marcado como biógrafo da telona. Foi após ler as transcrições, e então escutar as fitas em que Gonzaguinha entrevista o pai, que ele decidiu dirigir Gonzaga – De Pai Pra Filho.

Fica fácil entender o motivo dessa aceitação. A ideia de um filho entrevistando o pai a fim de conhecê-lo melhor, de conhecer partes obscuras da própria história, seria uma grande ideia para um filme de ficção. O fato de ser real, de fazer parte da história de dois ícones da música brasileira, torna o enredo ainda mais atraente. Breno Silveira só aceitou esse projeto pelo conflito, pelo teor cinematográfico da história de vida de Luiz Gonzaga e Gonzaguinha, e criou uma obra de arte em homenagem a esses dois homens tão complexos, vivendo uma relação tão delicada.


A música tece a história de Luiz Gonzaga, desde Exu, em Pernambuco, onde nasceu, em 1912, até a sua mudança para o Rio de Janeiro, o seu encontro com Odaléia Guedes dos Santos, cantora pela qual ele se apaixona, apesar de ela ser tão diferente do nordestino. Eles se casam e em 1945 nasce Luiz Gonzaga do Nascimento Junior, o Gonzaguinha. Dois meses após o nascimento do filho, Odaléia é internada por ter contraído tuberculose. Cabe aos amigos do casal, o músico Enrique Xavier e Dina, a criação do menino.


Nivaldo Expedito de Carvalho, conhecido como Chimbinho do Acordeom, interpreta Luiz Gonzaga adulto com muita competência. Júlio Andrade veste a história de Gonzaguinha com propriedade, interagindo de forma tocante com Adelio Lima, que interpreta o Gonzagão aos setenta anos.  

Gonzaga – De Pai Pra Filho não é filme exclusivo para os apaixonados pela música nordestina. Ainda assim, muitos que não são atentos a tal repertório se pegarão a cantarolar as canções do Rei do Baião. E muitos correm o risco de se apaixonar por ela. E há Gonzaguinha, compositor de talento impecável para criar canções.

O roteiro de Patrícia Andrade revela os conflitos entre pai e filho com a mesma cadência das obras deles. Luiz Gonzaga exalta a alegria, mesmo quando suas canções falam sobre a saudade da sua terra ou do amor de sua vida. Ele era o Rei do Baião e sua sanfona cantava ritmada, fazia as pessoas dançarem, despertava a euforia. Era homem que apreciava cantar para o povo. Gonzaguinha era ensimesmado, melancólico, atormentado pela ausência do pai, politizado, criado no morro do Rio de Janeiro à mercê do samba carioca. Sua presença, assim como suas canções, era de uma beleza profunda, de tristeza escancarada. É a forma como Breno Silveira apresenta a história, assim como a belíssima fotografia, que a poesia se instala nessa obra. 

Gonzaguinha e Luiz Gonzaga

Gonzaga – De Pai Pra Filho é um belíssimo filme sobre dois homens incríveis.


Gonzaga - De Pai Pra Filho (trailer)