quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Eu gosto do Kevin



Originalmente publicado no site
Crônica do Dia, em 13/03/2013.


Quem não se lembra de Kevin Bacon em Footloose - Ritmo Louco (Footloose / 1984) é porque nasceu em tempo de assistir ao remake e não ficou a fim de assistir ao original. Aliás, eu assisti ao remake, porque gosto de conferir as variações sobre o tema, e posso dizer, com toda certeza, que nada como Kevin Bacon em Footloose. Nada como a canção tema do filme, cria de Kenny Loggins, interpretada por ele. Nada como aquele riff de guitarra que nos faz sair pulando. Nada como Footloose nos anos 80.


Certas obras não precisam de remake, de releitura, de versão contemporânea, de retoque.

Além de ator, Kevin também é músico. Há anos tem uma banda com seu irmão, Michael, a The Bacon Brothers, que é muito bacana. Michael Bacon também é compositor de trilhas para cinema e televisão.

Tudo bem que Kevin me ganhou em Footloose. Eu tinha quatorze anos, dancei aquela música na sala de casa mil e tantas vezes. Fiquei tentando reproduzir na voz o tal riff de guitarra, achando que estava conseguindo, o que era uma eficiente auto-enganação. Assisti ao filme nem sei quantas vezes.


O primeiro filme com Kevin que assisti, e que me fez acreditar que gostava dele como ator e não apenas por conta do impacto de Footloose, foi Linha Mortal (Flatliners / 1990). Aliás, este é um daqueles filmes que, sempre que passa na tevê, eu assisto. A partir daí, segui assistindo Kevin, e entre os meus filmes preferidos há vários que ele estrela, e em muitos deles, ele é o vilão da história. O Rio Selvagem (The River Wild / 1994), Sleepers - A Vingança Adormecida (Sleepers / 1996), Ecos do Além (Stir of Echoes / 1999), Encurralada (Trapped / 2002), Sobre Meninos e Lobos (Mystic River / 2003) e por aí vai.


Em O Lenhador (The Woodsman / 2004), Kevin se mostrou extremamente eficiente ao contar a história de um homem que, após doze anos na prisão por molestar garotas menores de idade, luta para se manter na linha. Não é uma história palatável, porque a reação do espectador a um pedófilo é, de cara, que ele se dane no mínimo na mesma proporção do crime que cometeu. Só que, em determinado momento do filme, o espectador se pega torcendo para que esse homem consiga o que deseja. Esse tipo de virada só é possível quando o ator consegue, apesar do peso da história do personagem, comover o espectador. E Kevin Bacon conseguiu nesse filme.


Estreou em 2013 a série The Following, primeiro projeto para televisão do qual Kevin Bacon participa. Na trama, ele interpreta Ryan Hardy, um ex-agente do FBI responsável pela prisão do serial killer Joe Carroll, interpretado pelo inglês James Purefoy, de quem também sou fã confessa.

O ator escolheu este projeto porque o personagem que interpreta é um mocinho cheio de problemas, que vai de um coração danificado ao alcoolismo. E o coração danificado foi um presentinho do serial killer ao agente quando este ainda estava no FBI, na época da captura Carroll, anos antes.


Quando Carroll foge da prisão, Hardy é chamado como consultor para ajudar a capturá-lo. Porém, o que parece uma caça ao criminoso, mostra-se um jogo criado pelo brilhante professor de literatura, um sedutor de primeira, que coloca Hardy como peça central de um grande projeto, que conta com os “seguidores” de Carroll, pessoas que matam e morrem por ele, uma seita de serial killers. E tudo muito bem embasado pela literatura de Edgard Allan Poe, especialidade de Carroll.

Kevin Bacon e James Purefoy estão muito bem como antagonistas e oferecem momentos dignos de Oscar, quer dizer, Emmy.


The Following inquieta por ter uma história plausível, apesar dos acontecimentos absurdos. Basta alguém inteligente e total do mal para dar a largada. E um anti-herói para correr atrás.

A estreia de Kevin Bacon na televisão, esse veterano do cinema, não poderia ser melhor. Um ótimo personagem para um ator como ele dar vida.

Kevin Bacon

The Bacon Brothers

The Following
2ª temporada
Warner, às sextas - 22h25

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