segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Quando dizer adeus é um engasgo


A primeira vez que o assisti foi em Perfume de Mulher (Scent of a Woman/1992). A impressão que tive sobre ele foi que aquele era um ator que não era jovem ou velho. Havia nele um ar irônico, mesmo quando, no papel do estudante rico culpado, jogando a culpa em um estudante pobre inocente, quando passava pela vergonha de engolir o seu erro, ele parecia dizer mais do que o diálogo permitia.

Perfume de Mulher
Philip Seymour Hoffman, para mim, nunca foi jovem, nunca foi velho. Era um ator tão peculiar, com tantas camadas, que só conseguia pensá-lo capaz de ser quem ele quisesse. E eu sempre acreditaria nele. Não era jovem ou velho, não tinha idade quando se vestia de personagem. E sempre sorria um sorriso embebido em mistério.

Magnólia
Portanto, aceitar sua idade nesse formato, sabe? Formato R.I.P, é triste, provoca a questão: o que fazer com o espaço que ele deixou?

O Talentoso Ripley
Ele fez uma série de filmes memoráveis, entre eles Magnólia (1999), O Talentoso Ripley (The Talented Mr. Ripley/1999),  Quase Famosos (Almost Famous/2000), Dúvida (Doubt/2008), e um dos catárticos, pelo qual levou o Oscar de Melhor Ator, Capote (2005). Quem assistiu a esse filme, deliciou-se com a capacidade de Hoffman fazer mágica no cinema.

Capote

Só que, para mim, o filme dele mais significativo é Ninguém é Perfeito (Flawless/1999). Em meio a diversos trabalhos brilhantes, esse me chega assim, genial. Em Capote ele se tornou o homem em questão, trejeitos e etc e tal. Em Flawless, ele se tornou a Drag Queen Rusty, infernizada pelo ex-policial Walter Joontz, interpretado por outro ator fantástico, Robert De Niro. 

Ninguém é perfeito
Walter é um homem superconservador, que vive brigando com Rusty e seus amigos. Durante um evento, em que tenta ajudar um dos vizinhos, ele sofre um derrame. Seu lado direito fica paralisado, o que resulta, depois de muita fisioterapia, em ele ter de usar bengala. Ele também fica com dificuldade na fala, e para ajudá-lo nessa questão, seu fisioterapeuta indica aulas de canto. É quando Walter deixa de lado todo desprezo que sente por Rusty e lhe pede ajuda. A partir daí, assistir Huffman e De Niro se torna uma viagem muito especial.

Dúvida
Philip Seymour Hoffman vai sim fazer falta, e muita. Em um meio no qual a juventude e a beleza perfeita anda se esbaldando, atores e atrizes como ele, que se sobrepõem aos rótulos e campanhas de marketing com seu talento, deixam sempre esse vazio, esse espaço ao qual pertencerão as lembranças de ótimos personagens que nos levaram a fantásticos passeios.

Quase Famosos
Ele não era jovem, não era velho. Tinha esse rosto expressivo, o sorriso que sempre me pareceu dolente, a feição do sábio e daquele sabe da importância da gentileza O vício pode ter levado sua vida, mas não seu legado.  Philip Seymour Hoffman foi e sempre será um dos mais talentosos atores da sua geração.



2 comentários:

Tina Bau Couto disse...

Um engasgo, uma tristez, um lamento o fim de vidas de pessoas próximas e distantes, comuns e com talentos que são dons divinos, astros, sues fãs, colegas, famílias abaladas pelo caminho nebuloso, cruel, com retorno dificil e saídas mal posicionadas e disponibilizadas no mundo das drogas.
Triste!
Que vire, na verdade, siga sendo estrela.

Carla Dias disse...

Que assim seja, Tina. Para ele e para outras estrelas. Beijo.