quarta-feira, 23 de março de 2011

Whisner Fraga virtual

Whisner Fraga, amigo e escritor que admiro muito, está inaugurando hoje o seu site – www.whisnerfraga.com.br. Quem quiser visitar o espaço encontrará informações sobre os livros que ele já publicou, poesias, contos e por aí vai. Enfim, vale o passeio.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A morte em cena

A morte é tema profundamente explorado nas artes. No cinema, ela tem sido abordada com classe e também com violência, na cadência da rotina, da surpresa, nas condições da espera.

A vida é o que nos prepara para a morte, mas como será a entressafra?

Além da Vida (After Life/2010) é um filme que trata do período entre a vida e a morte, este espaço em que, muitos acreditam, a pessoa é preparada para deixar completamente a realidade que conhece.

Eliot Deacom (Liam Neeson) é diretor de uma funerária e responsável pela preparação dos corpos para o funeral. Anna Taylor (Christina Ricci) é uma professora em um relacionamento complicado com Paul Coleman (Justin Long). Após uma discussão com Paul, Anna sofre um acidente e quando desperta está na mesa de trabalho da funerária.

Anna descobre, não da melhor forma, que Eliot tem o dom de conversar com os mortos que estão em transição entre a vida e a morte. Além de preparar o corpo para o funeral, ele ajuda a pessoa a aceitar que está morta.

Seria tudo muito simples de se entender se o filme não nos embrenhasse em detalhes que nos fazem duvidar se Anna está mesmo morta, e isso acontece durante todo o filme, em questões levantadas por ela e pelo destempero de Eliot, que brada que as pessoas levam suas vidas como se já estivessem mortas, e quando realmente estão, insistem em não querer acreditar no fato.

Paul é impedido de ver Anna na funerária, algo permitido somente aos familiares, mas que Eliot parece ter prazer em impedir. De alguma forma, Paul sente que há algo de muito estranho acontecendo naquele lugar, e passa a desconfiar de que Anna não está morta, principalmente depois de um dos alunos dela alegar que a viu em pé, pela janela.

A partir daí, o espectador muda de opinião várias vezes, e a verdade é que Além da Vida é um suspense que brinca com a nossa certeza, o que torna o filme ainda mais interessante. É um ótimo trabalho de atores – Neeson, Ricci e Long -, com um roteiro bem amarrado e uma direção eficaz de Agnieszka Wojtowicz-Vosloo, também uma dos três roteiristas do filme.


quinta-feira, 3 de março de 2011

O mestre do Samba

A gente pensa que sabe sobre uma série de coisas que apenas conhecemos porque fazem parte da nossa cultura, mas se trata apenas do bom e velho “conhecemos por nome”, não por conteúdo, o que geralmente nos permite conhecer o assunto pelas bordas. Portanto, é preciso um olhar mais atento, certa proximidade para realmente compreender a importância desse fragmento que complementa o cenário geral do que acontece no nosso país.

Na semana passada, assisti a um workshop no IBVF, destinado a mostrar aos presentes como funciona o curso Instrumentos do Samba. E foi tão interessante que cairia bem aos que não tocam um instrumento ou pretendem aprender a tocá-lo. Caberia perfeitamente no aprendizado dos que, por serem brasileiros, interessam-se pela História cultural do nosso país.

O workshop foi ministrado pelo percussionista Julio Cesar, pessoa tão talentosa que, fácil, fácil, faz o coração da gente bater ao ritmo dos tamborins. Ele não é apenas um músico exemplar, mas também um profundo conhecedor do Samba, tendo como educador nessa matéria o pai, o grande Osvaldinho da Cuíca.


Julio Cesar Grupo no Batuka! Brasil 2009

Primeiramente, Julio fez com que os presentes sentissem a pulsação. Se para tudo o que fazemos nessa vida é preciso cadência, imagine para a música, uma dependente completa da capacidade do músico de interpretá-la com suas nuances. E enquanto marcávamos essa cadência, com os pés, como que caminhando pela música, ele nos deu uma aula sobre os instrumentos usados na interpretação do Samba, seja nos grupos, nas rodas de Samba ou nas baterias de escolas de Samba.

Aliás, foi justamente ao gosto do carnaval que o workshop seguiu em frente. A cada participante ele delegou um dos instrumentos: caixas, surdos, tamborins, ganzás e chocalho de platinela (rocar). Aos poucos, e com muita paciência - porque havia pessoas ali que nunca tinham sequer empunhado um daqueles instrumentos, o que dirá de tocá-lo -, ele começou a incluir os instrumentos em uma peça de percussão, explicando como os surdos eram tocados, como as caixas soavam, onde entravam os ganzás e os tamborins de algumas escolas de samba.


No Batuka! Brasil 2009

Eu confesso que estava um tanto apreensiva por ter ficado com o chocalho de platinela. Nunca fui muito boa com o ganzá, e esse modelo me parecia ainda mais assustador. Mas acontece que para ser mestre é preciso sabedoria. E o Julio, o mestre da vez, conseguiu coordenar a todos, mantendo a confiança necessária para o simples que cabe no início de todo aprendizado. Ele nos mostrou que, apesar de não sabermos nada sobre estes instrumentos, somos capazes de aprender a lidar com eles e a fazer música. Sendo assim, mesmo errando o passo, com frequência, senti-me participante, atuante nessa aula, como todos os presentes, o que é muito positivo quando se trata de adquirir conhecimento.

Por exemplo, o workshop me deu embasamento suficiente para escrever este artigo. Posso dizer, com toda certeza, que hoje sei um pouco mais sobre o Samba. Porque, enquanto nos ensinava a tocar os instrumentos, o Julio nos dava uma aula tão importante quanto: a origem do Samba, o perfil dele, de acordo com a região, as modificações nos instrumentos, com o avanço da tecnologia. E um dos pontos altos desse workshop foi a demonstração das diferenças na interpretação da bateria de diversas escolas de samba, um assunto fascinante.


Trecho do workshop no IBVF

Julio Cesar é tão apaixonado pela música, pela percussão, que acaba contagiando a todos. Ele é um instrumentista como poucos, com uma capacidade fantástica de brincar com a dinâmica, de perceber a sonoridade que cabe em cada música. Além do mais, é um ótimo mestre.

Se você tem algum interesse em aprender a tocar percussão brasileira, o curso Instrumentos do Samba está com inscrições abertas. Uma nova classe deve começar no dia 14 de março, e conta com até 6 alunos. Para solicitar informações sobre o curso: cursos@ibvf.com.br. Para saber um pouco mais sobre o Julio Cesar: www.ibvf.com.br/juliocesar.htm.


Fotos © Thiago Figueiredo