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Mostrando postagens de Julho, 2013

Faroeste Caboclo é cinema de primeira

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Eu não fui fã de carteirinha da banda Legião Urbana.  O pouco que conheço, é pelo sucesso das músicas, nos anos oitenta, e com a releitura de certas canções por diversos artistas brasileiros. Sim, eu achava o Renato Russo interessante, e muito. Fui uma das pessoas que admirou a sua coragem em ir além, de não ter pudores artísticos. Por esse motivo, pela minha distância musical da Legião Urbana, assistir ao  Faroeste Caboclo foi uma experiência quase que exclusivamente cinematográfica. Obviamente, lembrei-me de alguns trechos da canção. Só que,durante o filme, isso realmente não fez diferença. Faroeste Caboclo é um filme digno de levar grandes prêmios. Claro que a genialidade de Renato Russo em criar uma história-canção como a de João de Santo Cristo e Maria Lúcia, uma história-canção de amor nascida para um final nada feliz, está lá. Porém, os roteiristas Marcos Bernstein (O Outro Lado da Rua) e Victor Atherino criaram uma história para cinema, transpondo para a tela,

TOC com um toque de comédia

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No texto que escrevi sobre o espetáculo Conexão Marilyn Monroe , manifestei meu desejo profundo por continuar a conhecer o trabalho de Alexandre Reinecke. Por esse motivo, recebi um gentil convite do João Bourbonnais para assistir ao  TOC TOC , do qual ele faz parte do elenco.  Com texto do francês Laurent Baffie, TOC TOC é o espetáculo com direção de Reinecke que está há mais tempo em cartaz. São cinco anos no circuito. Claro que aceitei o convite, e a prova de que vou continuar me embrenhando no universo de Alexandre Reinecke é esse post . Mais que isso, fiquei muito feliz em conhecer o trabalho de atores que ainda não conhecia. O teatro tem sido tão gentil comigo quanto o João foi ao me fazer o convite. ANTES DAS GARGALHADAS VEM O PAPO SÉRIO Os transtornos mentais são tratados com certo receio fora do ambiente médico. Ter um transtorno mental, na popularização do entendimento, é ser louco. E neste caso, ainda que a pessoa também seja um gênio – quem não se le

TAP de Gregory Hines

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Na minha lista de preferidos, há uma série dedicada somente aos filmes que têm a música como tema, às vezes até mesmo como personagem.  TAP (1989) é um filme escrito e dirigido por Nick Castle, roteirista de outro filme com música do qual gosto muito, O Som do Coração (August Rush/2007). Ele conta a história de Max Washington (Gregory Hines), que acaba de sair da prisão e tem de decidir qual das suas profissões irá assumir: a de ladrão ou a de sapateador. Antes de me aprofundar na história de Max, devo dizer que me apaixonei por Gregory Hines já na primeira cena do filme. Depois de TAP , esse sapateador talentosíssimo e ator de grandes filmes como The Cotton Club (1984), de Francis Ford Coppola e O Sol da Meia-Noite (1985), de Taylor Hackford, passou a fazer parte da leva de atores das quais assisto tudo o que aparece.  E dos filmes às séries de televisão, ele nunca me desapontou. Quem conhece Clayton Cameron, sabe que ele foi baterista do grande Sammy Davis, Jr. du

A arte de vender o invendável

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Imagine você atendendo a porta, dando de cara com uma pessoa que, nos moldes dos mais bem qualificados vendedores de porta em porta, apresenta-lhe um produto inovador, que dá de dez, de mil, de cem mil em produtos de beleza, assinaturas de revista ou tevê a cabo, em monólogo religioso com direito a panfletinho, de oportunidade de fazer faculdade online. Um produto tão especial, mas tão especial que nem mesmo você imaginava o quanto necessitava dele, até esse momento, quando um vendedor bate a sua porta para lhe vender uma raridade: ilusões. Ludomar Orni, sujeito amargurado, mas agarrado à possibilidade de uma vida menos ferrada, personagem do romance Exercícios Ilusórios , de Osvaldo Rodrigues, não bate literalmente à porta das pessoas, mas vai logo se embrenhando na realidade delas, retocando suas biografias, sem atentar para as consequências do seu intrometimento.  Trata-se de um vendedor peculiar, que se deu por satisfeito de andar ao ritmo de uma realidade rasa, e que tenta

Conexão Marilyn Monroe: para assistir, rir e pensar

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A MINHA CONEXÃO COM O ESPETÁCULO Acredito que a comédia é uma ferramenta poderosa para uma crítica social, política, comportamental, enfim, uma boa crítica. Quem consegue arrancar gargalhadas do outro sem tirar do enredo o significado e a importância do que é abordado, certamente merece que lhe tirem o chapéu. E digo isso como quem morre de inveja de quem consegue fazer isso. Meus personagens mais cômicos parecem nascidos do humor negro emburrado. Infelizmente, não são todos os que se apossam da comédia que sabem fazê-la funcionar decentemente. E infelizmente – parte II, muitos se acham mestres da comédia, alimentando mais o ego do que a própria arte. Para os espectadores, resta o bom senso de escolher uma obra que não lhes trate como idiotas. Porque apesar de nos fazer rir como doidos, quando sob a batuta de um bom criador, ela pode nos tornar mais sábios a respeito de temas que, em conversas cotidianas, jamais poderíamos abordar com a crueza que a comédia permite. An