domingo, 31 de março de 2013

Para não estar só no fim do mundo



Eu gosto muito de Steve Carell. Minha preferência são pelos filmes em que ele está com os pés quase no drama.

Compreendi isso ao assistir Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada (Dan In Real Life/2007). Carell tem suas tiradas, mas elas são refinadas. É quase possível sentir o peso da questão do momento por meio de suas feições, mas nada é escancarado quando o tema é mais sério. Neste caso, ele ter se apaixonado pela namorada do irmão.

Eu, meu irmão e nossa namorada

Em comédias dramáticas, Carell está sempre acompanhado de atores que o ajudam a manter a bola no alto. Em Eu, Meu Irmão..." seus companheiros de cena são o ator e comediante Dane Cook, que interpreta o irmão, e Juliette Binoche como a namorada do irmão. Ter um ator com experiência em comédia e uma atriz em drama é o que permite a Carell fazer o papel dele sem se preocupar em atender a um dos lados. É o que permite brincar com o humor e o drama. E isso ele faz muito bem.

Assisti ao Procura-se um amigo para o fim do mundo (Seeking a Friend for the End of the World/2012) e me dei conta, mais uma vez, do talento de Steve Carell, de como é bom o trabalho que ele faz.


Procura-se... trata da contagem regressiva para o fim do mundo. Lorene Scafaria escreveu uma história interessante, sem ir direto ao abismo de se estar mediante ao fim do mundo, o fim de si. Foi extremamente inteligente em mostrar as pessoas tentando levar suas vidas normalmente, com apenas 21 dias para o mundo acabar, exercendo o direito à negação. O caos se instala, mas também a necessidade de as pessoas aproveitarem seus últimos dias ao lado de seus afetos.

Mas e quando se está completamente é sozinho?

Dodge (Steve Carell) é um vendedor de seguros que, no dia em que é anunciado o fim do mundo, causado por um asteróide que vem direto para a terra, também perde a esposa, que foge logo após ao anúncio. Sozinho, começa a contemplar seu desfecho, quando recebe uma carta de sua namorada da época da escola, dizendo que se separou e que nunca deixou de pensar nele. O problema é que esta carta passou três meses na casa de sua vizinha, Penny (Keira Knightley), e quando ele a recebe, faltam apenas alguns dias para o fim do mundo. Penny, que perdeu o último avião que poderia levá-la a passar o fim do mundo com a família, decide ajudar Dodge a encontrar sua amada em tempo.


Knightley é uma atriz que aprecio bastante, mas poderia ter dado à Penny - personagem a quem cabe algumas tiradas cômicas - um pouco mais de credibilidade se a interpretasse com a mesma loucura, mas sem tanto melindre. Ainda assim, o filme corre muito bem com a atuação de ambos, passando por momentos hilários, dignos de fim de mundo, aos mais dramáticos.

Procura-se... é um filme e tanto, que se debruça na construção de um relacionamento honesto, com data limite para acabar. Tem suas sutilezas, como quando Penny fala sobre seu amor pelos discos de vinil. Em momentos como este, Scafaria recorre a um tom poético, o que apenas abrilhanta o filme. Mas não me surpreende a forma como ela recorre à música para desfiar sentimento.

0 comentários: