segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Conexão e liberdade


Semana passada - eu ainda férias e brincando com o controle remoto da televisão -, vi um crítico de cinema dizer que A viagem (Cloud Atlas/2012), que estreou esse mês no Brasil, era um filme legal, mas cansativo, longo demais. Também disse que, por conta de os atores interpretarem mais de um papel, havia uma grande falha na maquiagem, já que nem sempre ele conseguia reconhecer o ator ou a atriz que estava representando determinado papel.

O que ele não disse – ou no que ele não prestou atenção – é que a estranheza com a caracterização e a duração do filme de quase três horas, não impedem que A viagem seja um belo filme.


Com roteiro e direção dos irmãos Andy e Lana Wachowski, responsáveis pela trilogia Matrix, e de Tom Tykwer , de Corra, Lola, Corra, A viagem é uma adaptação do romance de David Mitchell. Entre os atores que interpretam os personagens principais estão Tom Hanks, Halle Berry, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Doona Bae, Ben Wishaw e James D’Arcy.


São seis histórias que acontecem em períodos e lugares diferentes, contadas sem confundir o espectador. A ideia de pular de uma trama para outra, contando as histórias de forma fragmentada, parecia ter tudo para criar mais um filme que seria impossível de se compreender. Porém, isso não acontece. A história flui em A viagem, que é um filme que vai muito além da maquiagem e da sua duração, que ganha nas entrelinhas e nas sutilezas. As tramas são atraentes, ora engraçadas, ora completamente trágicas, e ainda assim é possível se compreender a ligação entre elas.


Os personagens que pontuam a trama são o advogado responsável pela compra de escravos (século XIX), um compositor talentoso e inquieto (1930), uma jornalista comprometida com a sua profissão (1970), um editor de livros (2012), No futuro, na Coréia do Sul, batizada Nova Seul, um clone que trabalha em um restaurante fast food. Em futuro mais adiante, depois de Nova Seul ser tragada pelas águas, o líder de uma tribo e a integrante de um grupo evoluído. Não quero dar mais detalhes, pois eles fazem toda a diferença ao assistir ao filme.


Para mim, A viagem é, além de um filme sobre como estamos conectados, também sobre catarse. Seus personagens estão, de uma forma ou de outra, intimamente ligados à escravidão. E o que presenciamos é a forma como cada um deles luta pelo direito à liberdade. É um filme que merece que o espectador se permita mergulhar na experiência que ele oferece.