segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Filipe Catto | Voz, palco, música e poesia



Feito uma droga lenta
Uma ressaca imensa
Tua boca me arrebenta, amor
Me leva por um fio, me despe no vazio
Da canção “Adorador”, de Filipe Catto e Pedro Luís, do disco Tomada


Sábado passado, estive no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, para assistir, ao lado de grandes amigos, ao show de lançamento do disco Tomada, de Filipe Catto. Eu já havia escrito a respeito do impacto desse artista e desse disco na minha pessoa – o espírito agradece profundamente –, em uma crônica publicado no Crônica do Dia, e que você pode ler clicando aqui.

Escrevo sobre o que me alimenta a alma. E esse show, meus caros... 

Filipe Catto é recente na minha lista de afetos. Fisgou-me a atenção com a canção Adoração, de sua autoria, ano passado. A partir daquele momento, de ter escutado tal canção, tornei-me apreciadora de sua obra, da interpretação poderosa que ele oferece à música. 

Porém, havia esse espaço não preenchido nessa benquerença toda. Vê-lo no palco, escutá-lo cantando ao vivo, ainda era desejo que urgia. Sábado passado, saciei esse desejo.

Eu sei... O mundo está de cabeça para baixo. O ser humano, eu sei... Alguns muitos deles andam cometendo insanidades em nome de crenças tortas, em busca de poder e dinheiro, sem se importarem com quantas vidas são ceifadas pelo caminho na conta das escolhas que fizeram. Como falar sobre arte, a sua beleza e o prazer que oferece aos seus apreciadores, quando o mundo assiste a acontecimentos tão tristes?

Como não falar sobre ela?

Quando a vida - orquestrada pelas ações das pessoas – amarga, momentos como os que aconteceram naquele palco do Auditório Ibirapuera são inspiradores, rejuvenescem nossa esperança de conquistarmos levezas e sabedoria. O que Filipe Catto deixou naquele palco foi um coração que se compadece das mazelas humanas, mas que, acima de tudo, compreende a força da arte para desenvergar o espírito de quem se vê cercado por tantas tragédias.

Não escrevo isso na tentativa de adivinhar o que o artista pensava e sentia. Posso até me valer de outras palavras, mas a menção sobre como os acontecimentos devastadores atuais o afeta, do quanto ele acredita na humanidade, foi o próprio que fez, naquele palco, onde ele deixou seu coração.

Dei a mim esse show de presente de aniversário, assim como o Tomada, que adquiri na pré-venda. Não sou de celebrar, mas achei que merecia tal agrado à alma. E eu não estava enganada... Do momento em que Filipe Catto entrou em cena, até quando ele se despediu do público, senti-me como se tivesse embarcado em uma jornada na qual seria impossível sentir menos do que deslumbramento.

Desde que Tomada foi disponibilizado online, ele tem sido tocado no meu player. É um disco do qual todas as faixas me agradam. As parcerias e as escolhas de compositores, as letras e seus significados... Seria possível criar um personagem no qual caberia a maioria das situações descritas ou sugeridas nas canções. Ao vivo, obviamente, muito da sonoridade muda, por conta da formação da banda, e até mesmo do que, no momento, inspira o intérprete. Canções como Dias e Noites (Filipe Catto) e Depois de Amanhã (Filipe Catto/Moska), soaram um pouco mais rock’n’roll, o que foi ótimo de se escutar. Um salve para os músicos da banda: Ana Karina Sebastião (baixo), Fabá Jimenez (guitarra), Lucas Vargas (teclados) e Michelle Abu (bateria).

Filipe Catto trafega tranquilamente por diversos gêneros e pode fazer o que quiser com sua voz. Ele canta com o corpo, o que é raro quando espontâneo, que é o caso, e foi muito bacana de se ver. Foi como ver a música estampada em cada gesto. 


Fôlego, primeiro disco do artista, tem um quê dramático-cativante. As canções que trouxe dele para o palco ajudaram Filipe a tecer um show que tem como base o amor em suas mais complexas e plurais notações. Para mim, escutá-lo e vê-lo cantar Adoração foi arrebatador. Eu estava à espera do feito e me senti feliz que só por ter realizado esse gosto.

Filipe tem uma voz belíssima, que escuto sempre, permito invadir meus sentidos e inspirar devaneios. Definitivamente, suas canções entraram em outra das minhas listas: aquelas que eu escuto, enquanto escrevo minhas histórias, penso meus livros, embarco nos personagens. Ele também é compositor dos bons, dos que sabem colocar som e palavra no lugar mais generoso de si, até surgir aquela canção que vai se tornar uma das preferidas de muitos.

Se você tiver a oportunidade, assista ao show Tomada. É um espetáculo que aborda emoções diversas, de música composta com requinte e interpretada com entrega. 

É tão bonito de se ver e de se escutar...

No final do show, Filipe Catto fez uma sessão de autógrafos. Fila longa, chuva caindo pesada lá fora e calor. Ensaiei mil coisas para dizer na hora que ele fosse autografar o meu disco. Aliás, comprei o Tomada na pré-venda, autografado, por isso estava com o Fôlego para ele autografar. Ensaiei mil coisas para dizer, muitas delas eram sobre o que eu havia sentido durante o show. Queria agradecê-lo por isso. No final, a única palavra que saiu da minha boca foi meu nome para o autógrafo. E ganhei uma foto.


Sendo péssima com as palavras ditas, desde sempre, aprendi a me perdoar por não conseguir verbalizar assim, na lata. Escrevo depois, mas nem por isso com sentimentos requentados. Eles continuam a reverberar no meu dentro, atiçando silêncios a serem quebrados com música e poesia.

Minha estreia assistindo a um show de Filipe Catto foi melhor... Insanamente melhor do que eu esperava. E hoje, no dia do meu aniversário, chegou o Tomada, parte dois do meu presente. 


Eu sei... O mundo está de cabeça para baixo. Amém ao fato de termos a música, a poesia, a arte para nos sustentar.


11 comentários:

Klaudia Alvarez disse...

Carla, parabéns pelo seu texto belíssimo e tão verdadeiro. Vc verbalizou o que muitos sentem mas não conseguem expressar. Obrigada por "ler" tão bem nossa mente.

Unknown disse...

Carla, não se deixe policiar por NINGUÉM... Arte e amor transcendem tudo o mais
bjs
Renata

Anônimo disse...

Belíssimo texto!!! Parabéns!!! Descreveu muito bem as sensações e sentimentos que Filipe faz aflorar em nós!!!! ������

Angel Angelica Officinalis.

Joceli Franco disse...

Carla, que texto mais lindo !!!

Visceral como o que Filipe faz ... sem meias palavras e sem medo de se entregar ...

Amei !!!

antonio jose alves disse...

Carla, vc é como eu, quando chega no FILIPE, tem tanto a dizer e não sai nada, vez em quando eu consigo dizer ainda que amo ele, nem sei como....kkkk Parabéns, o texto é muito lindo e vou compartilhar no Fã Clube ! Obrigado por ter ido, energia boa é sempre bem vinda !

Anônimo disse...

Fico pensando se o mundo está ao contrário antes ou se fica depois de um show desse menino, mago, homem e bruxo.
Ele e a música dele desenvergam a alma da gente!
Parabéns pela sensibilidade ao escrever sobre Filipe. Se já não amasse iria correndo conhecer.


Carla Dias disse...

Klaudia... Eu que lhe agradeço pela leitura e por se permitir reconhecer nessa minha singela declaração de afeto.

Renata... Pode acreditar que arte e amor são livres no meu entendimento e no meu sentimento. Assim continuarão. Beijos!

Angel... E ele faz isso sem se esforçar, não é mesmo?

Joceli... Obrigada pelas suas palavras.

Antonio... Vale mudar o jeito, mas que todo sentimento bom ganhe espaço e conhecimento. Ainda bem que escrever me salva dos engasgos. Obrigada por ler e por compartilhar.

Anônimo... Acho que a expectativa nos vira ao avesso e, depois, é a vez do acontecido. De qualquer forma, impossível não se render à beleza da música e interpretação de Filipe.

JC disse...

Carla, parabéns pelo texto. Poucas vezes vi um texto tão puro, forte e verdadeiro sobre um cantor e o seu show.

JC disse...

Carla, parabéns pelo texto. Poucas vezes vi um texto tão puro, forte e verdadeiro sobre um cantor e o seu show.

Adelina Leão disse...

Muito lindo seu texto! Que mestria ao colocar em palavras o que nos arrebata a alma e chega em seu âmago sem filtro. Parabéns!

Carla Dias disse...

JC... Música e literatura são minhas companheiras de viagem nessa vida. Assim, quando reconheço algo... Alguém tão bacana, não há como não celebrá-lo. Abraço!

Adelina... A alma da gente adora uma coleção de palavras tentando traduzi-la. :)
Beijo e obrigada!