quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Hugh Laurie | Chance

Chance | Foto: Reprodução
Eu estava apegada ao Kenneth Branagh. Assisti Voltar a Morrer (Dead Again/1991) e queria mais. Até hoje ele é dos meus atores e diretores preferidos. Na época, quando internet era realidade que não a minha, descobri outro filme no qual, assim como em Voltar a morrer, ele atuou e dirigiu.

Para o resto das nossas vidas | Foto © Samuel Goldwyn

Para o resto de nossas vidas (Peter’s Friends/1992) conta a história de Peter Morton (Stephen Fry), que herdou de seu pai o título de lorde e uma mansão. Para celebrar, ele reúne um grupo de amigos da época da faculdade para um final de semana na tal mansão. É um filme singelo e muito interessante, que os amigos trazem seus dramas para a vida de Peter, quem tem um segredo para revelar que se sobrepõe as questões de seus amigos.


Foi assim que eu conferi, pela primeira vez, um trabalho de Hugh Laurie.

Alguns anos e algumas participações em filmes depois, fiquei sabendo que Dave Matthews (Dave Matthews Band) participara de um episódio de uma série que eu, que adoro séries, tinha escolhido não assistir, porque já havia três na lista de favoritas que tinham a ver com médicos. Como não sou de começar pela metade, decidi assistir a série do primeiro episódio ao 15º da terceira temporada, o tal com a participação do músico. Foi assim que Hugh Laurie entrou de vez para a lista das minhas benquerenças.

House, M.D. | Foto: Reprodução
House, M.D. foi uma série de sucesso, com oito temporadas. Laurie construiu um personagem que jamais será esquecido. E por mais talentoso que ele fosse, ele apropriara-se de tal forma de House que eu tinha a impressão de que o médico acabaria arranjando um cantinho no puxadinho de seus próximos personagens.

Mr. Pip | Foto: Reprodução
O primeiro trabalho de Laurie que conferi, após o fim de House, apagou essa possibilidade dos meus sentidos. Mr. Pip (2012) é um filme delicado, uma adaptação do livro do neozelandês Lloyd Jones, com roteiro e direção de Andrew Adamson, uma parceria entre Austrália, Papua Nova Guiné e Nova Zelândia.

Mr. Pip é conduzido por Matilda Naimo (Yzannjah Matsi), uma das habitantes de  Bougainville, Papua Nova Guiné, que passa por uma guerra. Por esse motivo, apenas um homem branco permaneceu na ilha, Tom Watts (Laurie). Em meio à guerra e ao abandono, Watts começa a ler Grandes Esperanças, de Charles Dickens, na escola da ilha. Matilda fica maravilhada com o livro, e passa a lidar com a guerra e as perdas, apoiando-se na sua imaginação.

Mr. Pip é um belíssimo filme sobre como uma pessoa pode fazer diferença na vida de outra, de maneira valiosa. É uma história repleta de nuances, que nos leva do aqui ao ali em um misto de desolação e esperança. Um filme agridoce, com um Laurie quase sempre silente e sendo fantástico.

Chance | Foto: Reprodução
Em outubro, estreou a série Chance, com Hugh Laurie como protagonista. Senti novamente aquele questionamento: será que House vai tomar conta? Isso porque a série coloca Laurie novamente em contato com a medicina.

Chance conta a história do neuropsiquiatra Dr. Eldon Chance, que passa por um divórcio e percebe que sua mente anda acessando lugares obscuros, principalmente quando se vê enredado em uma trama de manipulação e abuso ao se envolver com uma de suas pacientes que sofre de múltiplas personalidades.

Hugh Laurie é um ator daqueles que marcam o espectador, mas não na conta de apenas um personagem. Chance é uma ótima série, mas é outra.

Foto: Reprodução
Desde Para o resto de nossas vidas, tem sido prazeroso acompanhar a carreira de Hugh Laurie. Não importa a categoria: drama, comédia, suspense. Até mesmo as linguagens se misturam: cinema, televisão, música, literatura. O que sei é que ele é um daqueles artistas que nos fazem mergulhar em seus feitos, e isso é muito agradável.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

O Relutante Fundamentalista


Há filmes que são preciosidades. Muitos deles, tornam-se atemporais, pois abordam o ser humano em sua inegável capacidade de ser benevolente, assim como cruel. Há também aqueles que são brilhantes em sua abordagem, que nos levam a olhar para grandes tragédias como que observando cada criminoso, cada vítima. Há uma proximidade que nos leva a observar com mais intimidade nosso próprio comportamento.

O Relutante Fundamentalista (The Reluctant Fundamentalist) é um desses filmes que nos inquieta e nos leva a uma jornada interior. Parte de um ato terrorista, com milhares de vítimas, e aporta na vida de um único personagem, alguém que sofre as consequências de tal ato, o que se mostra revelador, apontando um comportamento que tendemos a trazer para a vida de cidadão comum.


O filme é pontuado pelo momento em que o professor paquistanês Changez (Riz Ahmed) aceita conceder uma entrevista ao jornalista americano radicado no Paquistão, Bobby Lincoln (Liev Schreiber), sobre a época em que estudou nos Estados Unidos e se tornou um ilustre analista financeiro em Wall Street, sua volta a Lahore e o momento atual, quando sua família sofre ameaças constantes.


Trata-se de um “antes e depois” do paquistanês. A ideia de focar em um personagem para ilustrar a situação dos muçulmanos que viviam nos Estados Unidos, após o 11 de setembro, oferece intimidade que permite ao espectador se colocar no lugar dele. Porém, O Relutante Fundamentalista não trata somente de um lado das partes envolvidas em tal episódio. O filme demonstra que, em tempos de terrorismo, a verdade nem sempre tem espaço, o que é triste e se reflete no nosso cotidiano.

O sonho de Changez era ser quem se tornou. Apesar de a família insistir pela sua volta ao Paquistão, ele escolheu seguir seu próprio caminho. Então, ser quem se tornou já não importava mais. Vieram os rótulos, as deduções, as detenções. A transformação de Changez, até o momento em que decide voltar para Lahore, acontece pela pressão por ele ser um paquistanês, um muçulmano vivendo em Nova York.

De volta a Lahore, tornou-se um professor querido pelos alunos, e por isso, visto como um líder. Então, um professor americano é sequestrado no Paquistão, e as suspeitas caem sobre Changez.


A entrevista, o que Lincoln traz para esse encontro, a série de armadilhas para a compreensão de um a respeito do outro, mostram O Relutante Fundamentalista como um filme sobre a fragilidade humana diante das tragédias. Sobre como o ódio entre os de díspares culturas pode engolir até mesmo aqueles que ainda querem, precisam e acreditam na verdade.

O Relutante Fundamentalista  é uma coprodução entre EUA, Inglaterra e Qatar. Baseado no livro do paquistanês Mohsin Hamid, dirigido pela indiana, radicada nos Estados Unidos, Mira Nair, foi lançado em 2012. Também conta com as participações de Kiefer Sutherland e Kate Hudson no elenco.

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NOTA
Encontrei pela internet sites, artigos e imagens promocionais que trazem o título em português do filme como O FUNDAMENTALISTA RELUTANTE. Este é o título do livro de Hamid. O título do filme é O RELUTANTE FUNDAMENTALISTA, como consta no site da distribuidora [clique aqui e confira] e você pode tirar a dúvida conferindo ambos, filme e livro, clicando aqui.



segunda-feira, 13 de junho de 2016

Elas e as importâncias


O conteúdo é dolente, mas tem humor desprovido do sensacionalismo que impera nos telejornais. É justamente na crueza do ocorrido que se debruça o espetáculo. O humor conduz o espectador à contemplação do que a maioria tende a não observar com a devida atenção, mas que acontece às mulheres do mundo, não somente àquela que você não conhece. Acontece também àquela do pequeno mundo que é a casa ao lado, ou a sua própria.

Fui assistir ao espetáculo Os Monólogos da Vagina pela quarta vez, no Teatro Gazeta, em São Paulo. Penso que seria muito interessante se você, que não sabe do que se trata, assistisse também. Homens são muito bem-vindos. Não pensem que é só para mulheres, por conta do título. Alguns que conheço já tiveram essa dúvida, mas fiquem tranquilos que é espetáculo para todos.

[Se quiser ler sobre a apresentação de comemoração de quinze anos de espetáculo, clique AQUI.] 

Acredito que, se você assistir ao espetáculo uma única vez, já fará uma grande diferença, que ao contrário do que tentam provar por aí, arte é um veículo fantástico, não somente para alimentar o espírito das pessoas, para inspirá-las aos devaneios e reflexões (o que já maravilhoso!), mas também para registrar e contar histórias relevantes, como neste caso. 

Eve Ensler, autora de Os Monólogos da Vagina, colheu depoimento de mais de duzentas mulheres, de várias partes do mundo, sobre sexo, relacionamentos e violência doméstica. Alguns relatos incluídos no espetáculo são contundentes e provocam o espectador a se perguntar como é possível alguém passar por aquilo em tempos modernos. Pelo jeito, a nossa capacidade de lutar contra abusos não anda se modernizando com a urgência desse espanto. Ao contrário, tendemos a fazer de conta que não temos nada a ver com isso, assim não precisamos lidar com tais questões, que apesar de parecerem pessoais, são globais. 

No palco, as atrizes interpretam situações que algumas das mulheres entrevistadas viveram. Torna-se impossível aceitar o fato de que mulheres ainda passem por aquelas situações. Os depoimentos muitas vezes levam os espectadores às gargalhadas, até chegarem ao ponto de escancarar o problema. A reação do público é imediata, como deveria ser no diariamente, diante da privação de direitos das mulheres, do desrespeito aplicado a muitas delas... Muitas de nós.

A mulher vem se posicionando com mais energia e coletivamente, apontando os abusos sofridos, mas muitas delas ainda escondem sua condição da família, dos amigos, como se fossem culpadas por serem vítimas. Esse pensamento é que precisa ser mudado. Pode levar tempo, mas creio que o processo foi iniciado. 

Além do mais, cai por terra qualquer esforço dessas mulheres em se apresentar quando a política, as leis, as pessoas que têm como função orientar e atender às necessidades dessas mulheres se tornam seus algozes.

Os Monólogos da Vagina é um resumo do que a mulher ainda tem de enfrentar, apesar de toda modernidade de hoje em dia. Trata de um cenário que, em vez de melhorar, agarra-se a um retrocesso que deveríamos – e nós todos, como seres humanos e cidadãos – encarar como inadmissível, e nos unirmos para soluções, não para gerar mais rótulos e aumentar estatísticas, endossar violência.

Adriana Lessa, Cacau Melo e Maximiliana Reis interpretam lindamente, e com o devido respeito, a experiência de mulheres que, em alguns casos, nem mesmo compreendem a violência que sofrem. São reféns em suas casas, aprisionadas pela cultura de seu país, pela religião herdada.

Eu poderia relatar o que me encantou na forma como as atrizes conduzem o espetáculo. Mas, na verdade, creio que será muito mais interessante se você aparecer por lá para vê-las no palco. É feito um balé de interpretações ora graciosas, ora calcadas no humor, para então abraçarem a dramaticidade que as histórias carregam. 



Acredito que muito do que julgamos ser clichê são verdades gritantes. Porque, sim, é difícil imaginar uma mulher sofrer violência física e emocional pelo simples fato de ser mulher, o que a faz ter de lutar para defender o que lhe é de direito. Talvez a questão seja essa, e não somente para as mulheres. Tratar-nos como seres humanos, em primeiro lugar, pode nos libertar da ideia – completamente equivocada – de que somos melhores ou mais importantes do que o outro; que temos o direito de escravizar, corpo e alma, de outro ser humano.


Paulo Renato Pirozzi, Maximiliana Reis, Raquel Pirozzi, Adriana Lessa e Carla Dias.

Clique AQUI e leia comentário de Miguel Falabella.
Clique AQUI para informações sobre o espetáculo.


OS MONÓLOGOS DA VAGINA
Com Adriana Lessa, Cacau Melo e Maximiliana Reis

Temporada | Até 7 de agosto

Teatro Gazeta
Avenida Paulista, 900 | São Paulo, capital
Informações | 11.3253 4102 – teatro.gazeta@terra.com.br

Horário | Sexta às 21h | Sábado às 21h | Domingo às 20h

Compre online clicando AQUI.

Texto | Eve Ensler
Adaptação e Concepção Original | Miguel Falabella
Elenco | Adriana Lessa, Cacau Melo e Maximiliana Reis - Sônia Ferreira (standing)
Visagismo | Anderson Bueno
Trilha composta | Ricardo Severo
Operação de Som | Mattheus Chaves
Operação de Luz | Lucas Nascimento
Figurinos | Anderson Bueno e Milton Fucci Júnior
Cenário 2012 | Cássio L. Reis
Montagem de vídeo | Fábio Lima
Produção 2016 | R&M Brasil Produções Artísticas


domingo, 17 de abril de 2016

A Paixão Segundo Nelson


Acabei de chegar em casa. Acabei de chegar em casa, vinda do teatro. Não é de meu feitio escrever a respeito das minhas aventuras como espectadora de feitos artísticos, assim, no mesmo dia. Gosto de ruminar. Sou ruminadora por natureza. Mas não hoje. Acabei de chegar do teatro e sinto uma vontade imensa de falar sobre o que vi.

Falarei, então. Melhor... Escreverei.

Você pode pensar: ah, mas é só um espetáculo! Uma pena mesmo será se você não puder ver o que vi, pouco antes de chegar em casa, vinda do teatro. Então, dizer a si: “ah, que espetáculo! ”

Assisti ao A Paixão Segundo Nelson [uma farsa musical brasileira], no Teatro Bradesco, aqui em São Paulo. Com adaptação dos textos de Nelson Rodrigues feita por Zeca Baleiro, quem também assina as canções originais. Eu que ando nesse apaixonamento pelo teatro sendo amplificado a cada vez que assisto a um bom espetáculo, ganhei hoje a oportunidade não só de ver personagens de Nelson Rodrigues desfilarem pelo palco, mas tais personagens serem interpretados de uma forma que me fez acreditar completamente neles. Houve esse momento em que me senti espectadora dentro da história. Uma vizinha bisbilhotando a vida alheia e com sucesso.

Não ter intimidade com as obras de Nelson Rodrigues não é impedimento para quem deseja assistir a um espetáculo que é uma lindeza. Há delicadeza na brutalidade das histórias daqueles personagens, e um humor refinado, que inspira não somente a gargalhada, mas a gargalhada acompanhada de uma fisgada de inquietação. Daquelas fisgadas que doem na alma.

A direção de Débora Dubois deu ao espetáculo ritmo e profundidade. A música de Zeca Baleiro não dá tom de musical ao espetáculo, mas o envolve de tal forma que se apresenta como aquele personagem outro, que sem ele todo o resto poderia desmoronar. A liga. O laço. A benção. O abraço.

Mais uma vez, Jarbas Homem de Mello fez um trabalho impecável. Eu disse e repito: ele é capaz de fazer os personagens se deslumbrarem por ele, porque ao se apossar deles, Jarbas faz com que se rendam a sua capacidade de trazê-los, de forma crível e rica, à vida.

Roberto Cordovani faz um belo trabalho incorporando/interpretando Myrna, um dos pseudônimos femininos de Nelson Rodrigues. Fez-me voltar no tempo, de quando o vi pela primeira vez e fiquei fascinada por sua figura. Na época, ele estava em cartaz com o espetáculo “O Retrato de Dorian Gray”. Na época, eu não fazia ideia do que poderia acontecer em um palco, ou quem era Dorian Gray. Eu estava somente começando minha jornada no mundo das artes. Foi emocionante, finalmente, vê-lo nesse palco que aprendi a respeitar.

Os atores em A Paixão Segundo Nelson fizeram um trabalho de uma beleza daquelas de comover. Bom também ver no palco Rui Rezende, Vanessa Gerbelli e Helena Ranaldi. Cada ator que participa do espetáculo construiu parte dessa jornada iniciada por Zeca Baleiro e Débora Dubois. Aliás, somente um apreciador da obra de Nelson Rodrigues poderia ter adaptado seus textos para tal espetáculo com tamanha coerência e fluidez.

Cheguei em casa ontem... Sim, já é ontem. Cheguei feliz que só, por ter assistido a um ótimo espetáculo sobre uma figura importante do repertório artístico brasileiro, que reuniu muita gente boa. Não é preciso conhecer a obra de Nelson Rodrigues para se deleitar com A Paixão Segundo Nelson [uma farsa musical brasileira]. É preciso não perder o último dia do espetáculo em São Paulo.

Aproveite para fascinar-se.

A Paixão Segundo Nelson [uma farsa musical brasileira]
17 de abril | Último dia!
Teatro Bradesco
Rua Palestra Itália, 500 | 3 piso do Bourbon Shopping
Perdizes | São Paulo


INGRESSOS
> Na bilheteria do Teatro Bradesco
> Pela internet: teatrobradesco.com.br


FICHA TÉCNICA
DIREÇÃO E CONCEPÇÃO | Débora Dubois.
ADAPTAÇÃO DE TEXTOS E CANÇÕES ORIGINAIS | Zeca Baleiro.
ELENCO | Giselle Lima, Helena Ranaldi, Jarbas Homem de Mello, Lula Lira, Marcos Lanza, Roberto Cordovani, Rui Rezende e Vanessa Gerbelli.
MÚSICOS | Adriano Magoo e Billy Magno.
PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS (em off) | Cauby Peixoto, Jards Macalé, José Mayer, Juca de Oliveira e Mel Lisboa.
ASSISTENTE DE DIREÇÃO E PARTICIPAÇÃO ESPECIAL | Luis Felipe Correa.
DIREÇÃO DE ATORES | Fernando Neves.
DIREÇÃO DE MOVIMENTO | Fernando Neves e Jarbas Homem de Mello.
ASSISTENTE DE DIREÇÃO DE MOVIMENTO | Cris Rocha e Erica Monteiro.
PREPARADORA VOCAL | Ana Luiza.
DIREÇÃO MUSICAL E TRILHA INCIDENTAL | Adriano Magoo e Zeca Baleiro.
DESENHO DE LUZ E OPERAÇÃO | Wagner Pinto.
DESENHO DE SOM E OPERAÇÃO | Guilherme Ramos.
SONOPLASTIA | Sergio Fouad.
GRAVAÇÃO OFF | Adriana Maciel, Leonardo Nakabayashi, Sergio Fouad e Walter Costa.
CENOGRAFIA | Duda Arruk.
ASSISTENTE DE CENOGRAFIA | Fernando Passetti.
CENOTÉCNICO | Ezequiel Tiburcio Jr..
PRODUÇÃO CENOTÉCNICA | Mara Cesar.
ASSISTENTE CENOTÉCNICO | Alex Farias.
EQUIPE CENOTÉCNICA | Edmir Filgueiras, Carmos Tiburcio e Thiago Taveira.
PRODUÇÃO DE OBJETOS | Márcio Vinicius.
FIGURINOS | Marichilene Artisevskis e Leopoldo Pacheco.
CRIAÇÃO DE MAQUIAGEM E CARACTERIZAÇÃO | Leopoldo Pacheco.
PERUCAS | Emi Sato.
MAQUIAGEM | Claudinho Hidalgo.
COSTURA | Judite Gerônimo de Lima.
ALFAIATE | Miguel Ange Arua.
TURBANTES E MAIÔS | Desolina Martinati.
ADEREÇO DE FIGURINO | Luís Rossi (FCR Produções).
DESIGNER GRÁFICO | Pietro Leal.
FOTOS DIVULGAÇÃO | Gal Oppido.
FOTOS MAKING OFF | Larissa Cardoso.
FOTOS DE CENA | Daniela Albuquerque.
REGISTRO VIDEOGRÁFICO | Jhonny Luz.
DIRETORA TÉCNICA | Vanessa Campanari.
MICROFONISTA | Pollyana Oliveira.
TÉCNICOS DE PALCO | Alexandre Peixoto da Silva e Umberto Alves.
CAMAREIROS | André Rocha, Luciano de Freitas, Sandra Matos e Renata Reis.
PERUCARIA | Kerolaine Amorim.
ASSESSORIA DE IMPRENSA | Casé Assessoria.
FINANCEIRO E LEI | Sonia Odila.
ASSESSORIA JURÍDICA | Dra. Raquel Lemos.
ASSISTENTE DE PRODUÇÃO | Beto Muller.
CAPTAÇÃO DE RECURSOS | Bia Wetzel.
CAPTAÇÃO DE PARCERIAS | Amalia Tarallo.
EQUIPE DE PRODUÇÃO | Fabrício Sindice, Vanessa Campanari e Thiago Marchine.
PRODUÇÃO EXECUTIVA E ADMINISTRAÇÃO | Marisa Medeiros.
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO | Deco Gedeon e Edinho Rodrigues.
REALIZAÇÃO | Brancalyone Produções, Fidellio Produções e Opus.



terça-feira, 12 de abril de 2016

Estúpido Cupido | O Musical

Foto: Reprodução
A cada vez que vou ao teatro, aumenta consideravelmente meu afeto por essa vertente artística. Admiro mais e mais aqueles que têm o talento de levar acontecimentos a um palco, chegando ao ponto de contar uma história. Falando em afeto, desta passagem pelo teatro vou guardar o assanhamento considerável da minha memória afetiva por conta da música.

Domingo passado, foi a última apresentação da temporada do espetáculo Estúpido Cupido no Teatro Gazeta, em São Paulo. O musical marca a comemoração de 50 anos de carreira da protagonista, Françoise Forton, o que também inclui a exposição A Incansável Guerreira da Arte.

O repertório do espetáculo é formado por canções que tocavam em todas as festas da minha infância... Desculpem, mas eu avisei: memória afetiva. E parece que a memória não era somente minha. Os presentes vibraram e cantaram junto com os hits dos anos 60 e 70 e de festas da infância e adolescência de muitos deles.

Estúpido Cupido conta a história de Maria Tereza, a Tetê (Françoise Forton), ex-miss que se tornou uma atriz de sucesso e apresentadora de programa de tevê, que é convencida por sua amiga Ana Maria (Clarisse Derzié Luz) a ir a um baile de reencontro dos amigos do colégio. Esse baile traz trilha sonora e figurino da época do colégio, quando as paixões eram urgentes e o futuro cabia no final de semana.



Foto: Reprodução

A leveza de Estúpido Cupido é ingrediente necessário para visitar o passado. O que me ganhou foi o “antes e depois” da biografia dos personagens acontecendo ali mesmo, no palco. Enquanto a versão atual dos personagens - ainda que esbarrando em levezas - desfiavam questões que ganham importância e urgência somente com o passar do tempo, com a experiência adquirida, como alegrias e tristezas da carreira e do casamento, por exemplo, a versão da época do colégio, muito mais apaixonada e apaixonante, apesar de tão escolada em desfiar uma e outra crueldade, circula pelo mesmo palco, promovendo um flashback ao vivo e conversas entre as versões de um mesmo personagem.

Colocar no mesmo palco as versões da época do colégio e atuais dos personagens foi uma ótima forma de se ligar o passado ao presente, de se desnudar aquela percepção melhorada que a nostalgia, às vezes, nos leva a abraçar. Nem tudo que vem de lá, do passado, chega ao presente na versão original. Não somos apenas nós que mudamos... A forma como nos lembramos de algumas passagens de nossa vida também sofre transformação. É isso que Tetê entende ao reencontrar sua paixão da época de colégio.

Interessante também foi mencionar, de forma realmente espirituosa, ingredientes do universo tecnológico – que quem não curte e compartilha não tem festa de arromba -, que assim como as pessoas, e principalmente por conta delas, o mundo também muda.

Quando nesse cenário, pincelado com músicas tão agradáveis, às vezes até pueris, inclui-se uma jovem fã de Annita, Daniele (Carla Diaz), observa-se, então, as diferenças entre o que era popular nos anos 60 e 70 e o que é popular em 2016. Obviamente, trata-se de um filão cultural, tanto de uma época quanto da outra. Uma citação de uma variedade de estilos. Mais do que isso, travou-se uma comparação comportamental inevitável, que levou o público a desfrutar com mais gosto do humor que o espetáculo oferecia.

Estúpido Cupido é um musical de celebração da carreira de Françoise Forton, mas também uma revisitação. Maria Teresa, a Tetê do espetáculo, foi o personagem que a atriz interpretou na novela homônima de Mário Prata, sucesso nos anos 70. Porém, a referência ao folhetim para por aí. A Tetê do musical tem história própria.

Essa passagem pelo teatro foi agradável, com direito ao assanhamento de boas memórias. Se a ideia de Françoise Forton era levar ao palco o encontro entre a ingenuidade de uma época e as intempéries de outra, podemos dizer que Estúpido Cupido cumpriu seu papel.

Celebrar uma carreira de personagens marcantes, como Tetê, rendeu ao público um ótimo espetáculo.Sendo assim, caso o espetáculo aporte na sua região, aproveite e embarque, que Estúpido Cupido é um agrado dos bons.  

FICHA TÉCNICA
Ficha Técnica
Texto: Flávio Marinho
Direção: Gilberto Garwronski
Elenco: Françoise Forton, Luciano Szafir, Clarisse Derzié Luz, Renato Rabelo, Sheila Matos, Carla Diaz, Luísa Viotti, Júlia Guerra, Ryene Chermont, Ricardo Knupp e Mateus Penna Firme
Direção Musical: Liliane Secco
Coreografia: Mabel Tude
Cenários e Figurinos: Clívia Cohen