quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Hugh Laurie | Chance

Chance | Foto: Reprodução
Eu estava apegada ao Kenneth Branagh. Assisti Voltar a Morrer (Dead Again/1991) e queria mais. Até hoje ele é dos meus atores e diretores preferidos. Na época, quando internet era realidade que não a minha, descobri outro filme no qual, assim como em Voltar a morrer, ele atuou e dirigiu.

Para o resto das nossas vidas | Foto © Samuel Goldwyn

Para o resto de nossas vidas (Peter’s Friends/1992) conta a história de Peter Morton (Stephen Fry), que herdou de seu pai o título de lorde e uma mansão. Para celebrar, ele reúne um grupo de amigos da época da faculdade para um final de semana na tal mansão. É um filme singelo e muito interessante, que os amigos trazem seus dramas para a vida de Peter, quem tem um segredo para revelar que se sobrepõe as questões de seus amigos.


Foi assim que eu conferi, pela primeira vez, um trabalho de Hugh Laurie.

Alguns anos e algumas participações em filmes depois, fiquei sabendo que Dave Matthews (Dave Matthews Band) participara de um episódio de uma série que eu, que adoro séries, tinha escolhido não assistir, porque já havia três na lista de favoritas que tinham a ver com médicos. Como não sou de começar pela metade, decidi assistir a série do primeiro episódio ao 15º da terceira temporada, o tal com a participação do músico. Foi assim que Hugh Laurie entrou de vez para a lista das minhas benquerenças.

House, M.D. | Foto: Reprodução
House, M.D. foi uma série de sucesso, com oito temporadas. Laurie construiu um personagem que jamais será esquecido. E por mais talentoso que ele fosse, ele apropriara-se de tal forma de House que eu tinha a impressão de que o médico acabaria arranjando um cantinho no puxadinho de seus próximos personagens.

Mr. Pip | Foto: Reprodução
O primeiro trabalho de Laurie que conferi, após o fim de House, apagou essa possibilidade dos meus sentidos. Mr. Pip (2012) é um filme delicado, uma adaptação do livro do neozelandês Lloyd Jones, com roteiro e direção de Andrew Adamson, uma parceria entre Austrália, Papua Nova Guiné e Nova Zelândia.

Mr. Pip é conduzido por Matilda Naimo (Yzannjah Matsi), uma das habitantes de  Bougainville, Papua Nova Guiné, que passa por uma guerra. Por esse motivo, apenas um homem branco permaneceu na ilha, Tom Watts (Laurie). Em meio à guerra e ao abandono, Watts começa a ler Grandes Esperanças, de Charles Dickens, na escola da ilha. Matilda fica maravilhada com o livro, e passa a lidar com a guerra e as perdas, apoiando-se na sua imaginação.

Mr. Pip é um belíssimo filme sobre como uma pessoa pode fazer diferença na vida de outra, de maneira valiosa. É uma história repleta de nuances, que nos leva do aqui ao ali em um misto de desolação e esperança. Um filme agridoce, com um Laurie quase sempre silente e sendo fantástico.

Chance | Foto: Reprodução
Em outubro, estreou a série Chance, com Hugh Laurie como protagonista. Senti novamente aquele questionamento: será que House vai tomar conta? Isso porque a série coloca Laurie novamente em contato com a medicina.

Chance conta a história do neuropsiquiatra Dr. Eldon Chance, que passa por um divórcio e percebe que sua mente anda acessando lugares obscuros, principalmente quando se vê enredado em uma trama de manipulação e abuso ao se envolver com uma de suas pacientes que sofre de múltiplas personalidades.

Hugh Laurie é um ator daqueles que marcam o espectador, mas não na conta de apenas um personagem. Chance é uma ótima série, mas é outra.

Foto: Reprodução
Desde Para o resto de nossas vidas, tem sido prazeroso acompanhar a carreira de Hugh Laurie. Não importa a categoria: drama, comédia, suspense. Até mesmo as linguagens se misturam: cinema, televisão, música, literatura. O que sei é que ele é um daqueles artistas que nos fazem mergulhar em seus feitos, e isso é muito agradável.