segunda-feira, 10 de abril de 2017

Kleber Albuquerque + Rubi | Contraveneno



LÁ PELAS BANDAS DO CONTENTAMENTO

A primeira vez que os vi em um mesmo palco foi em 2003, no show do lançamento do disco O Centro Está Em Todas As Partes, de Kleber Albuquerque. Rubi entrou em cena para cantar uma das canções do disco. Até então, eu não conhecia aquela voz.

Conhecia o Kleber, mas não nos falávamos há tantos anos, desde a gravação do disco da banda O Palhaço, lá em Santo André, nossa cidade. Eu estava feliz com o reencontro, porque na conta dele estava a estima que sentia pelas canções dos discos anteriores de Kleber: 17.777.700 e Para a inveja dos tristes.

Meu apreço pela música do Kleber não é segredo. Eu gosto mesmo, faço propaganda, apresento aos amigos. A sua poesia é de uma lindeza que me toca profundamente, e que me inspirou a escrever um livro de poemas. Meu apreço por ele, idem. É um amigo pra lá de querido, um artista que me inspira, uma pessoa admirável.

Daquele show para cá, frequentei outros shows do Kleber e do Rubi. Com eles juntos, um do grupo Canto de Cozinha. Na pilha dos discos pelo qual me apaixonei, está o Infinito Portátil, que Rubi lançou em 2006.

Sábado passado, dia 8 de abril, fui ao show de lançamento do disco Contraveneno, projeto que colocou no mesmo palco, e no mesmo disco, Kleber Albuquerque e Rubi. Para quem os conhece, sabe que daí só sairia coisa boa mesmo. Não é pretensão, papo de fã, mas fato. Eles são talentosos e, em sintonia, criam mágica. Quem estava lá, no show de sábado, pode endossar o que digo.

Rubi e Kleber Albuquerque
Contraveneno é uma declaração de amor à parceria deles. Kleber e Rubi resgataram canções que gostavam de tocar e cantar juntos, incluíram outras canções no repertório e fizeram um trabalho delicado, daquele tipo de delicadeza que nos silencia e nos leva a escutar canções como se elas ecoassem dentro de nós.

O show foi uma experiência para os sentidos. Emocionar-se foi ingrediente básico da experiência. A música vinha dos violões de Kleber e Rubi, do violão e guitarra de Rovilson Pascoal e do violoncelo de Mario Manga. Aliás, o violoncelo que me agradou deveras. Eu que tenho por ele uma paixão platônica, já que sei que não aprenderei a tocá-lo, mas sempre vou tratá-lo com a intimidade de um quem sabe?, um dia, na próxima vida. Para o qual criei um personagem em um livro, só para colocar um músico famoso a tocar violoncelo em uma sala de paredes descascadas para uma pessoa que precisava, urgentemente, de um contato mais íntimo consigo mesma. Concertos particulares de violoncelo para quebrar silêncios insistentes.

Rovilson Pascoal eu já vi em outros palcos. Gostei muito da forma sutil, porém marcante como ele apresentou sua guitarra nas canções do show. Eram como comentários pontuais. Complementavam e, ao se sobrepor, era com sutileza.

Ao pensar em Mario Manga, impossível não pensar no Premê. Uma das músicas da banda foi incluída no disco e fez parte do repertório do show. Porém, Manga já fazia parte da história desses artistas, desde muito antes desse projeto. Ele produziu o primeiro disco de Kleber. Após escutar esse disco, Rubi procurou Manga para que ele produzisse o seu primeiro disco.

Contraveneno é reencontro, mas também continuidade. Lançado pela Sete Sóis, tem como responsável Flávvio Alves, quem também tem assinado parcerias musicais com Kleber, como a faixa-título do disco.

Projeto que vai além de se colocar mais um disco no mundo. É entregar ao mundo um contentamento, apesar das tristezas que carregamos vida afora. O show mostrou isso. A música que também serve para despertar esperanças, relembrar afetos, dispersar angústias.
  
Portanto, caso eles apareçam por aí, por perto de vocês, não deixem passar a oportunidade de ver no palco o que, tão lindamente quanto, foi registrado em disco. Vale a viagem, vale o mergulho interior, vale o contentamento de observar artistas a amarrarem os cabelos da música com os laços da poesia.

CONTRAVENENO
Canções do disco: Castelo de Amor (Nenzico/Creone/Barrerito), Procura no Google (Kleber Albuquerque), Geração (Kleber Albuquerque), Sem Tempo (Juliano Holanda), Eta Nóis (Luhli/Lucina), Ai (Kleber Albuquerque/Tata Fernandes), Cerol (Kleber Albuquerque/Flávvio Alves), Papai Noel Tomou Gardenal (Kleber Albuquerque), Como La Cigarra (Maria Elena Walsh), Milonga da Noite Preta (Kleber Albuquerque), Contraveneno (Kleber Albuquerque/Flávvio Alves) e Lava Rápido (Wandi Doratiotto). 

Informações: setesois.com.br




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