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Faroeste Caboclo é cinema de primeira

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Eu não fui fã de carteirinha da banda Legião Urbana.  O pouco que conheço, é pelo sucesso das músicas, nos anos oitenta, e com a releitura de certas canções por diversos artistas brasileiros. Sim, eu achava o Renato Russo interessante, e muito. Fui uma das pessoas que admirou a sua coragem em ir além, de não ter pudores artísticos. Por esse motivo, pela minha distância musical da Legião Urbana, assistir ao  Faroeste Caboclo foi uma experiência quase que exclusivamente cinematográfica. Obviamente, lembrei-me de alguns trechos da canção. Só que,durante o filme, isso realmente não fez diferença. Faroeste Caboclo é um filme digno de levar grandes prêmios. Claro que a genialidade de Renato Russo em criar uma história-canção como a de João de Santo Cristo e Maria Lúcia, uma história-canção de amor nascida para um final nada feliz, está lá. Porém, os roteiristas Marcos Bernstein (O Outro Lado da Rua) e Victor Atherino criaram uma história para cinema, transpondo par...

TOC com um toque de comédia

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No texto que escrevi sobre o espetáculo Conexão Marilyn Monroe , manifestei meu desejo profundo por continuar a conhecer o trabalho de Alexandre Reinecke. Por esse motivo, recebi um gentil convite do João Bourbonnais para assistir ao  TOC TOC , do qual ele faz parte do elenco.  Com texto do francês Laurent Baffie, TOC TOC é o espetáculo com direção de Reinecke que está há mais tempo em cartaz. São cinco anos no circuito. Claro que aceitei o convite, e a prova de que vou continuar me embrenhando no universo de Alexandre Reinecke é esse post . Mais que isso, fiquei muito feliz em conhecer o trabalho de atores que ainda não conhecia. O teatro tem sido tão gentil comigo quanto o João foi ao me fazer o convite. ANTES DAS GARGALHADAS VEM O PAPO SÉRIO Os transtornos mentais são tratados com certo receio fora do ambiente médico. Ter um transtorno mental, na popularização do entendimento, é ser louco. E neste caso, ainda que a pessoa também seja um gênio – quem ...

TAP | O ritmo de Gregory Hines

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Na minha lista de preferidos, há uma série dedicada somente aos filmes que têm a música como tema, às vezes, como personagem.  TAP - A dança de suas vidas  (1989) foi escrito e dirigido por Nick Castle, conta a história de Max Washington (Gregory Hines), que acaba de sair da prisão e tem de decidir qual das suas profissões irá assumir: a de ladrão ou a de sapateador. Castle é roteirista de outro filme com música do qual gosto muito,  O Som do Coração  (August Rush/2007). Antes de me aprofundar na história de Max, devo dizer que Gregory Hines me ganhou já na primeira cena do filme. Depois de TAP , esse sapateador talentosíssimo e ator de grandes filmes como The Cotton Club (1984), de Francis Ford Coppola, e O Sol da Meia-Noite (1985), de Taylor Hackford, passou a fazer parte da leva de atores das quais assisto tudo o que aparece. Clayton Cameron  foi baterista da banda de Sammy Davis, Jr. durante muito tempo. Foi tocando em cassinos com o dançar...

A arte de vender o invendável

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Imagine você atendendo a porta, dando de cara com uma pessoa que, nos moldes dos mais bem qualificados vendedores de porta em porta, apresenta-lhe um produto inovador, que dá de dez, de mil, de cem mil em produtos de beleza, assinaturas de revista ou tevê a cabo, em monólogo religioso com direito a panfletinho, de oportunidade de fazer faculdade online. Um produto tão especial, mas tão especial que nem mesmo você imaginava o quanto necessitava dele, até esse momento, quando um vendedor bate a sua porta para lhe vender uma raridade: ilusões. Ludomar Orni, sujeito amargurado, mas agarrado à possibilidade de uma vida menos ferrada, personagem do romance Exercícios Ilusórios , de Osvaldo Rodrigues, não bate literalmente à porta das pessoas, mas vai logo se embrenhando na realidade delas, retocando suas biografias, sem atentar para as consequências do seu intrometimento.  Trata-se de um vendedor peculiar, que se deu por satisfeito de andar ao ritmo de uma realidade rasa, e que t...

Conexão Marilyn Monroe: para assistir, rir e pensar

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A MINHA CONEXÃO COM O ESPETÁCULO Acredito que a comédia é uma ferramenta poderosa para uma crítica social, política, comportamental, enfim, uma boa crítica. Quem consegue arrancar gargalhadas do outro sem tirar do enredo o significado e a importância do que é abordado, certamente merece que lhe tirem o chapéu. E digo isso como quem morre de inveja de quem consegue fazer isso. Meus personagens mais cômicos parecem nascidos do humor negro emburrado. Infelizmente, não são todos os que se apossam da comédia que sabem fazê-la funcionar decentemente. E infelizmente – parte II, muitos se acham mestres da comédia, alimentando mais o ego do que a própria arte. Para os espectadores, resta o bom senso de escolher uma obra que não lhes trate como idiotas. Porque apesar de nos fazer rir como doidos, quando sob a batuta de um bom criador, ela pode nos tornar mais sábios a respeito de temas que, em conversas cotidianas, jamais poderíamos abordar com a crueza que a comédia permite. An...

Para não estar só no fim do mundo

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Eu gosto muito de Steve Carell. Minha preferência são pelos filmes em que ele está com os pés quase no drama. Compreendi isso ao assistir Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada (Dan In Real Life/2007). Carell tem suas tiradas, mas elas são refinadas. É quase possível sentir o peso da questão do momento por meio de suas feições, mas nada é escancarado quando o tema é mais sério. Neste caso, ele ter se apaixonado pela namorada do irmão. Eu, meu irmão e nossa namorada Em comédias dramáticas, Carell está sempre acompanhado de atores que o ajudam a manter a bola no alto. Em Eu, Meu Irmão..." seus companheiros de cena são o ator e comediante Dane Cook, que interpreta o irmão, e Juliette Binoche como a namorada do irmão. Ter um ator com experiência em comédia e uma atriz em drama é o que permite a Carell fazer o papel dele sem se preocupar em atender a um dos lados. É o que permite brincar com o humor e o drama. E isso ele faz muito bem. Assisti ao Procura-se um amigo para o...

Visível e belo

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Algumas obras são catárticas, visto que o tema já foi pra lá de esmiuçado, mas alguém o desfiou de maneira muito mais interessante e certeira na compreensão. Como em As vantagens de ser invisível  (The perks of being a wallflower/2012), um filme de Stephen Chbosky que foi muito feliz em adaptar para o cinema o seu livro, cuidando do roteiro e da direção. Charlie (Logan Lerman) é um jovem às voltas com seus fantasmas. Recentemente, seu único amigo se suicidou. Também traz resquícios da época em que uma das pessoas mais importantes da sua vida, sua tia, morreu em um acidente. Os traumas que sofreu levaram Charlie a se tornar uma pessoa extremamente solitária, e a sua entrada no ensino médio amplifica a sua solidão. Inteligente, com a ideia de se tornar escritor, encontra em seu professor de literatura um ponto de apoio. Chbosky poderia, facilmente, cair no clichê de apenas narrar as problemáticas de um jovem como Charlie em sua jornada escolar. Poderia ter mergulhado no...