segunda-feira, 1 de outubro de 2018

O dia em que Kleber Albuquerque leu o que estava escrito no muro


Lembro-me de quando li o título daquele disco, pela primeira vez. Minha cachola, toda enredada nos tantos pensamentos pulsantes que abriga, aquietou-se por um instante, dedicando-se ao lido: Para a Inveja dos Tristes.

Uns segundos depois, ela, a minha cachola, descarrilou punhados de pensamentos diversos novamente e me peguei imaginando que aquele daria um ótimo título para um livro. Que história contaria? Como seriam seus personagens? Em quais paragens eles estariam? O que, de fato, causaria inveja nos tristes? Uma tristeza menor, que provocasse nos tristes o desejo de senti-la? Uma alegria retumbante, das de deixar qualquer triste morrendo de vontade de ser feliz?

O disco era um apanhado de histórias que me agradou escutar. Daria um livro, mas era disco, dos que moram na minha preferência. Para mim, quem consegue silenciar meus pensamentos, ainda que por segundos, e com tão poucas palavras, e em seguida me inspirar tantas possibilidades, não apenas chama a minha atenção, mas acaba se tornando destinatário dela.

Sábado passado, fui ao show de Kleber Albuquerque nesse espaço muito interessante e acolhedor, o Casa Teatro de Utopias. O espaço cultural fica na Lapa, São Paulo, e vale conferir a agenda e conhecer o lugar: casateatrodeutopias.com.br.

O evento marcou o lançamento do single Os Antidepressivos Vão Parar de Funcionar, que fará parte do próximo disco do cantor e compositor. As canções que compõem o disco serão disponibilizadas homeopaticamente (sic) nas principais plataformas digitais. O disco físico será lançado em 2019.

Kleber Albuquerque
Ele leu a frase pichada em muro da cidade de São Paulo. Transportar o impacto que ela lhe causou para uma canção, deu início à criação de uma coleção de canções com letras poeticamente melancólicas, embrulhadas em diversidade musical e esperança dramaticamente descarada.

Kleber Albuquerque tem o dom de sintetizar em canções emoções arrebatadoras. E ele o faz com uma linguagem travestida de singeleza, porque há um refinamento no seu fazer poético que poucos conseguem alcançar, principalmente quando se trata de trançar poesia e música.   

Em tempos em que as palavras ecoam soltas, nem sempre combinadas de forma a celebrar o melhor do ser humano, a música de Kleber Albuquerque chega para desarrumar certezas e abrandar auguras. Há um significado ali, bradado pela voz, refletidos na melodia, ritmado nas cordas do violão, na sua postura no palco. Aliás, o palco cai muito bem ao artista, e a forma como o público corresponde ao oferecido por ele é a prova de que a música desse poeta tem muito a dizer e a inspirar. 

O show contou com uma série de momentos especiais.

Foi muito bom conhecer novas canções e recordar tantas outras. A participação de Rovilson Pascoal (violão/guitarra/ukulele) é sempre apreciável, visto que se trata de um ótimo músico para se travar parcerias. Eu o acho um grande instrumentista. 

Foi maravilhosa a participação de Rubi, que junto com Kleber lançou Contraveneno, um disco que é uma lindeza, que resultou em um dos shows mais bacanas que já assisti [clique AQUI para ler sobre o Contraveneno]. Foi emocionante quando eles tocaram Eta Nóis, canção de Luhli e Lucina, que faz parte do Contraveneno. Luhli faleceu semana passada e deixou muitos admiradores de sua música. 

Kleber Albuquerque e Rubi foram indicados para o 29º Prêmio de Música Brasileira, na categoria dupla, por conta do Contraveneno.

Também foi muito especial assistir ao show de um amigo tão querido, na companhia de outros amigos. 

A discografia de Kleber Albuquerque faz parte da trilha sonora da minha biografia, há seis discos – quase sete, se contarmos este que está em fase de criação – e tantos shows, tantos bate-papos, as criações dele inspiram as minhas, além de me ajudarem a compreender o mundo das contradições. São crônicas musicais, misturadas a relatos comoventes e a mergulhos interiores capazes de tocar até o coração escolado em evitar se entregar aos rompantes emocionais. 

Kleber Albuquerque é um artista plural. Assistir a um show dele é sempre uma experiência inspiradora. Conhecer suas canções - que fique o alerta! -, é correr o risco de se embrenhar em autoconhecimento. Não há como passar despercebido pela música dele. Sendo assim, aos que acompanham a carreira dele e aos que desejam conhecer uma obra que vale a pena ser conhecida, acompanhem a jornada do Os Antidepressivos Vão Parar de Funcionar. Acompanhe a trajetória desse artista que, para a inveja dos que sabem apenas ser tristes, sabe transformar tristeza em possibilidade para se abraçar felicidade.

Os Antidepressivos Vão Parar de Funcionar
Confira algumas canções: 
kleberalbuquerque.com.br/antidepressivos

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