Uma noite com The Swell Season

Às vezes eu me perco da música, não por desgostá-la, o que é realmente impossível, mas por acabar lidando com ela mais no aspecto da produção, na burocracia que isso envolve.
Fato é que sem música eu não existiria. Ela é uma parte muito importante, não apenas da trilha sonora da minha vida, mas uma companhia que, vez ou outra, diz a coisa certa, toca no ponto exato com suas melodias e harmonias e ritmos.
De vez em quando, presencio performances de artistas que me fazem desejar correr para a sala de aula, voltar a estudar e tocar bateria com a mesma intensidade de uma década. Então, eu me perco da música, às vezes, mas volto para ela e ela me devolve a mim, frequentemente.
Na última sexta-feira, assisti a um show que me fez sentir assim, capaz de retomar o fazer música. Não importa quanto tempo isso dure, se a inspiração passa. Este sentir é a minha conexão mais intensa com a música.
The Swell Season é uma feliz união entre dois músicos que já vinham fazendo alguns trabalhos juntos há um bom tempo, o irlandês Glen Hansard e a tcheca Markéta Irglová. Eles estiveram no Brasil acompanhados pelo The Frames, banda da qual Glen é integrante.

Antes de o filme ser lançado, eles gravaram um CD com as canções da trilha sonora e outras. Com “Apenas uma vez” a dupla ganhou o Oscar 2008 de melhor canção com “Falling Slowly”. Atualmente, eles trabalham com o disco Strick Joy, o segundo da dupla folk indie.
O show que assisti no HSBC Brasil me deixaria ainda mais feliz tivesse sido em um lugar menor. Não que o espaço tenha prejudicado a apresentação, porque a The Swell Season apresentou um dos shows mais bacanas que já vi nessa minha vida. Mas sim porque a aventura, certamente, seria ainda mais interessante. O repertório, composto por canções dos dois álbuns lançados por eles, é daqueles que pedem, mesmo nos momentos mais gritantes, certa proximidade. A gente sente vontade sentar aos pés dos músicos para não perder nada.
Glen Hansard tem uma voz peculiar, com uma potência digna de quem, assim como o personagem do filme “Apenas uma vez”, era músico de rua. E foi no clima desplugado que ele iniciou a apresentação.
Markéta é um contraste à animação de Glen no palco. Não digo que ela seja apagada, por favor, não pensem assim. O que digo é que a sutileza que lhe cabe aparece claramente nas canções e na execução. É parte importante do que tira a banda da condição de mais uma.

Num lugar menor... Quem sabe um dia.
Espero que Glen Hansard e Markéta Irglová voltem ao Brasil com outras tantas canções capazes de nos tirar do chão, de nos tocar o coração, de fazer a nossa cabeça girar... E de nos fazer desejar correr para a sala de aula para estudar um instrumento, aprender as alegorias, as nuanças da música. Aprender a colocar letra no som... Poesia na música.
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