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O talento de Élio Camalle

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Eu conhecia algumas das suas canções, antes de conhecê-lo pessoalmente, na época do lançamento do CD Bicho Preto que, para mim, é um dos melhores discos autorais de um compositor brasileiro. Em minha opinião, Élio Camalle é uma combinação de compositor que sabe muito bem conciliar a sua música com a sua poesia, um instrumentista talentosíssimo, que faz o violão cantar ritmicamente, abusando da dinâmica para criar nuances. Ele também é um grande intérprete, com uma voz que agrada aos ouvintes. Enfim, um artista que vale a pena conhecer. Na sexta passada, dia 10, Élio Camalle se apresentou no espaço DB Cultura e Bem-Estar - www.dbproducoes.com.br , em São Paulo, em um show que definiu como um encontro com os amigos, antes de embarcar para a França, onde fará diversas apresentações. O show - que coube muito bem no perfil intimista que o espaço oferece - foi muito especial, com direito à belíssimas canções, como Pão e Poesia , Cabeça , Receita e Isopor , parceria de Élio com Kléber A...

Lucina no espaço DB Cultura & Bem-Estar

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Engana-se aquele que pensa que a mágica da música acontece somente nos grandes estádios. Na verdade, tenho comigo que depois de passada a curtição de ouvir milhares de pessoas cantarem junto com o artista aquela música, que também você adora que só, que também cantou junto com elas, nada mais agradável do que se imaginar em um show dessa querença musical em um lugar no qual a música chegue sem risco de se atrasar, porque perdeu o caminho, e você enxergue o artista no palco, até mesmo o seu sorriso, ao invés de vê-lo em telões ou tentar resgatar suas feições embaçadas pela distância. Os shows em espaços culturais alternativos, ou teatros para cento e poucas pessoas, são especiais porque permitem a intimidade do olhar com a pessoa que faz aquela música que emociona a gente. E assim tudo fica mais bonito, pode acreditar! Sábado passado, dia 4, tive o prazer de assistir a um show desses em um espaço muito bacana, criado pela minha amiga Drika Bourquim, que é produtora de eventos e fotógraf...

Olyphant e High Life

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Timothy Olyphant é da safra de atores que realmente têm talento e sabem muito bem o que fazer com ele, construindo personagens dignos dos ótimos roteiros que, consequentemente, passam a fazer parte da sua rotina de trabalho. Obviamente, não posso deixar de citar o sucesso de Justified , que está na terceira temporada, contando com Olyphant interpretando o protagonista, Raylan Givens. A série conta com ótimas interpretações e um roteiro muito interessante. Porém, Justified é assunto para um próximo post . Apesar de ser fã da série – que conta com um roteiro impecável e tramas que prendem a atenção dos espectadores, e que vão além dos tiros disparados a cada episódio –, não foi através dela que me tornei fã desse ator norte-americano, nascido no Havaí. Olyphant me chamou a atenção, pela primeira vez, em Pegar e Largar (Catch and release/2006), filme no qual o noivo de Gray Wheeler (Jennifer Garner) morre repentinamente. Ela busca apoio, para passar pelo luto, nos três m...

Um dia

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Quando pensamos em vinte anos adiante, dependendo da nossa idade vigente, apreciamos o futuro de forma diferente. Há uma série de planos arquitetados, alguns com grande possibilidade de realização, outros nem tanto, ainda assim, eles não saem da nossa lista de projetos futuros. Futuro é algo que tem voz própria. Apesar de o construirmos a cada dia vivido, ele é o lugar no tempo que inexiste quando o alcançamos, pois ao fazê-lo, ele se torna o presente. Ele é, simplesmente, um berço para os nossos sonhos. Um dia (One Day/2011) é desses filmes que brincam com o tempo. Muitos filmes fizeram isso, como o De repente é amor (A Lot Like Love/ 2005), filme de Nigel Cole, com Ashton Kutcher e Amanda Peet. Mas acredito que poucos lidaram com a melancolia de forma tão graciosa, como em Um dia . Emma Morley e Dexter Mayhew passam o dia de sua formatura juntos, 15 de julho de 1988. É assim que se dá início a uma amizade que se estende pela vida afora. Ela é uma garota da classe ope...

Inquietos

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Gus Van Sant é um diretor que agrada a todos, de Hollywood ao cenário independente do cinema, e sem perder a sua identidade. Os seus filmes implicam em uma jornada interior, independente da história ou de onde vivem os seus personagens. A delicadeza é presente em temas pesados, como em Garotos de Programa (My Own Private Idaho/1991) e Encontrando Forrester (Finding Forrester/2000). Em Inquietos (Restless/2011) não é diferente. Gus Van Sant faz a sua mágica, fazendo surgir, em um filme que trata de grandes perdas, a beleza de um gostar honesto, vibrante e adepto da imaginação. Annabel Cotton (Mia Wasikowska) e Enoch Brae (Henry Hopper) se conhecem em um funeral. Ela conhece o falecido, mas ele não. Para Enoch, ir a funerais alheios se tornou uma tarefa cotidiana. Annabel é paciente terminal de câncer, com uma expectativa de vida de três meses. Ao saber disso, Enoch se propõe a acompanhá-la até o seu encontro com a morte. Mia e Henry estão confortáveis nos papéis de A...

O amante secreto

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Este é um filme que eu assistirei sempre que precisar de um tanto de poesia na minha realidade. Apesar de dramático, sofrido em tantos aspectos, há uma beleza ímpar nesta obra, certamente amplificada pela direção de Walter Lima Jr. A ostra e o vento (1998) fala sobre Marcela, ricamente interpretada por Leandra Leal, na sua estreia no cinema, uma adolescente que vive em uma ilha com o seu pai, o faroleiro José (Lima Duarte) e Daniel (Fernando Torres). Entre as várias histórias que se embrenham na trama principal, a mais poética – e profética - é, certamente, a forma como Marcela lida com a descoberta da sua sexualidade, sem que haja uma mulher como referência, e sob a proteção austera de seu pai. O filme é baseado no livro homônimo de Moacir C. Lopes, e o roteiro é de Walter Lima Jr. e Flávio Tambellini. A ostra e o vento é um mergulho no universo frágil e sagaz de uma personagem que vive, através da imaginação, o que é tolhida de viver na realidade. Marcela convive com a solidão prof...

Através dos preferidos

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O ator britânico Matthew Macfadyen Acredito que a maioria daqueles que apreciam o cinema e a televisão, tenham as suas preferências de ator/atriz e de diretores. Em casos como este, dispensa-se a sinopse, indo direto ao produto, sem medo de errar. Raramente, o filme, a série ou a minissérie desapontam, porque ao escolhermos nossas preferências, contamos com o bom gosto daqueles que escolhem os seus papéis. Não que seja impossível nos desapontar, mas pensando desta forma, certamente é mais raro de acontecer. Interpretando Mr. Darcy, em Orgulho e Preconceito Recentemente, assisti pela quinta vez ao filme Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice/2005), de Joe Wright, baseado na obra da escritora inglesa Jane Austen, que eu admiro muito. Neste filme, descobri o ator Matthew Macfadyen, que interpretou o famoso personagem de Austen, o Mr. Darcy. Não é apenas pela complexidade ou por eu ter gosto em me embrenhar em universos de personagens mais densos, mas Macfadyen foi o...