quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Para o que virá...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Séries para se pensar

Algumas séries têm como tema a inteligência, a percepção. Obviamente, às vezes baixa um MacGyver em certos personagens, e isso não faz sentido. MacGyver somente o Richard Dean Anderson, quem consegue dar credibilidade ao fazer o impossível com quase nada.

Lie To Me me agrada profundamente. Eu me propus a assisti-la, em primeiro lugar, por ser o Tim Roth o protagonista, e ele é um dos atores de cinema que mais me faz a cabeça. No filme A lenda do pianista do mar (The Legend of 1900/1999), Tim Roth apresentou, em minha opinião, uma das mais belas interpretações de sua carreira.

Em Lie To Me, Tim Roth interpreta o Dr. Cal Lightman, dono de uma empresa que conta com especialistas capazes de interpretar gestos e expressões, e de dizer se as pessoas estão mentindo ou não. Roth interpreta o Dr. Lightman de forma muito peculiar, com trejeitos que acentuam a genialidade do cientista, especialista em comportamento humano, assim como a estranheza que o homem causa aos outros.

A migração de atores de cinema para as telinhas da televisão tem sido frequente. Se em algum momento havia problemas para a indústria do entretenimento, os atores e o público aceitarem esse movimento, isso já não ocorre mais. É comum tê-los em papeis fixos ou como convidados, o que, acredito, só tem colaborado positivamente com as séries.

O público vem buscando certa perspicácia nos protagonistas de séries, assim como roteiros mais trabalhados. Não basta que o protagonista seja fisicamente atraente, porque se não souber atuar a coisa pode se complicar. Por exemplo, apesar de gostar muito de Joseph Fiennes, sou obrigada a concordar que ele estava completamente fora de tom na sua atuação em FlashForward. Infelizmente, a série foi cancelada sem ter a chance de o roteiro ser devidamente desenvolvido, tampouco de Fiennes encontrar seu ritmo de atuação, ele que teve ótimas atuações em filmes, entre eles o Círculo de Fogo (Enemy At The Gates/2001).

Com dosadas tiradas cômicas, Castle é das melhores. A ideia de colocar um famoso e rico escritor especializado em mistério para colaborar com a polícia é muito interessante, como se fosse o encontro da ficção com a realidade, especialmente porque é ele, Richard Castle (Nathan Fiollion), o personagem que dá certa leveza ao drama policial, especialmente quando se trata de sua queda pela agente Kate Beckett (Stana Katic), quem também inspirou a personagem de um dos romances de Castle.


The Mentalist conquistou o público pela história muito bem amarrada do seu protagonista, Patrick Jane, um homem com muita facilidiade em ‘ler’ as pessoas, que em determinado momento de sua vida se torna famoso, uma celebridade, ao se declarar médium e trabalhar nesta área. Mas quando Jane se mete com um serial killer, as coisas mudam. O serial killer mata a sua família e Jane assume que estava mentindo sobre ser médium, colocando a sua habilidade a serviço das autoridades da Califórnia. Entre casos resolvidos a cada episódio, a presença desse serial killer é constante, através da manifestação do mesmo, e também do desejo de vingança de Jane.

Porém, não apenas a trama é responsável pelo sucesso da serie. Simon Baker interpreta Patrick Jane de uma forma tão sedutora que a combinação da história com a sua atuação vem tornando a série cada vez mais conhecida.

Muitas séries que têm como ponto forte um roteiro bem escrito com atuações emblemáticas, o que as torna dignas de muitas temporadas. Dexter e Criminal Minds também fazem parte desta lista.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

No meu player

Hoje em dia tudo parece grandioso. Do tempo que passa ao toque de caixa à tecnologia nos levando, cada vez mais, aonde jamais imaginamos chegar.

Na música não é diferente. Por aí nascem bandas a cada segundo, cada uma com uma proposta dita original, mas que quase sempre é apenas repetição. Muitas delas são apenas uma colagem pobre do que consideramos boa música.

É difícil não olhar para trás, revisitar grandes artistas que já estão nos palcos há décadas, ou desejar que a criatividade do Led Zeppelin, as melodias belíssimas de Elton John, o swing de Jackson do Pandeiro, a irreverência dos Mutantes voltem ao cenário musical.

Ok, tudo muda com o tempo, mas isso não significa que o que é bom deve ser deixado de lado. Também não digo aqui que não há artistas tão bons quanto os que já frequentam nossos players desde sempre. Na verdade, digo o contrário... Há muita boa música sendo feita. O que precisamos é atentar a ela.

Abaixo, alguns dos artistas que andam frequentando o meu player.

ÉLIO CAMALLE
Compositor que não teme os temas, e sendo assim, consegue criar canções inusitadas e belíssimas. Intérprete de voz marcante e violonista talentoso, tem nos ritmos brasileiros um dos mais importantes veios para sua criação, dando vida a obras que dizem poeticamente a miséria e a grandiosidade humana, assim como remetem às sutilezas que a tornam tão atraente aos olhos e à alma do artista.


STAND
Banda irlandesa, formada por colegas de escola. Há anos na estrada, vem lançando discos muito bons, com composições com instrumental criativo e bem executado, e letras bem escritas. São ótimos músicos criando grandes canções com belos arranjos vocais.



www.myspace.com/standland


KLÉBER ALBUQUERQUE

Da safra de compositores que sabe muito bem conciliar música e poesia, criando um repertório que trafega tranquilamente pela diversidade de estilos, mas sempre mantendo uma linha que liga a sua obra de forma harmoniosa. Também cantor e violonista, destaca-se como um artista que, no palco, transforma a música em uma experiência sonora e visual, imprimindo nela a sua identidade.



www.myspace.com/kkleberalbuquerque


J MINUS
Banda americana e se considera o independente do independente. Se ela o é ou não, não me cabe julgar. O que sei é que Dylan Fant, o letrista da banda, é muito talentoso no que faz, e os arranjos das músicas são realmente diferentes, e de uma maneira muito positiva. A banda tem ótimas baladas.


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Menalton Braff lança livro em São Paulo


www.menalton.com.br

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Kléber Albuquerque se apresenta no Madeleine



terça-feira, 16 de novembro de 2010

A mulher, a menina e o dublê

Publicado originalmente no site
Crônica do Dia, em  18/11/09


Era uma vez uma mulher com a cabeça bagunçada de tantos pensamentos, cobrando-se atitudes, concentração, a prática de tomar decisões e responder mensagens, desatolar os projetos em pauta, exorcizar algumas culpas e por aí vai. Ontem, de tão cansada, essa mulher, ao chegar em casa, tomou um banho e se deitou na tentativa de dormir e parar esse barulho todo na cabeça. Não deu certo.

A mulher, ouriçada com essa ansiedade que não sabe de onde vem, recorreu ao controle remoto e ativou sua amiga noturna: a televisão. Quem sabe um seriadinho curto e alegrinho, bobinho, daqueles para arejar, não a ajudaria a cair no sono.

Fato é que essa mulher, que tem dias de doida de pedra, meus amigos, como ontem, não estava preparada para um filme que encontrou na televisão, depois de um tempão zapeando. Mas quem disse que há realmente como nos prepararmos para as sensações que são surpresas? Ou mesmo para as que já sabemos quando chegarão, devido às circunstâncias com data e hora marcadas? Bobagem essa de pensar que é possível controlar os espasmos emocionais... Ao menos para quem ainda se emociona.

Essa mulher meio sem noção, morrendo de vontade de participar de algum programa de sonoterapia pra ver se consegue dormir uma noite e descansar, colocou o controle remoto de lado, mas porque se encantou de cara pela menininha do filme, que estava no comecinho. Aquele sorriso, o jeitinho de quem sabe de tudo e mais um pouco.

A mulher não gosta de assistir filmes dramáticos que envolvam crianças. Pensa que adulto colhendo consequências é natural, mas criança não. Um amigo dela disse que isso também é consequência da vida das crianças, cortarem um dobrado, sabe? Mas nem sempre dessa... Talvez seja apenas o restinho de conta que têm de pagar dos débitos de outras vidas. E entre a vida em riste e a espiritualidade, a mulher escolhe pensar que essas crianças que sofrem o diabo, e nem sempre nos filmes, são mais fortes do que ela é capaz de imaginar.

As primeiras cenas desse filme a fizeram lembrar de outro, um daqueles que, vira e mexe, ela aluga para assistir de novo. A Cela (The Cell/2000) é dos que a inquietam, mas ao mesmo tempo enche seus olhos de fascinação pelas imagens e de inquietação pela trama. Ela não sabe o título do filme que assiste, afinal ele é um acidente na rotina dela, mas depois, junto ao Santo Google, ela descobre o motivo de pensar no outro filme: o mesmo diretor, o indiano Tarsem Singh, quem sabe imbuir a realidade com a fantasia sem torná-la incômoda, frouxa.

Enganou-se a mulher sobre aquele ser um filme leve, dos que fazem dormir. Minutos depois de ela sintonizar o canal, apareceu o Lee Pace, ator que ela admira muito, e então ela ficou mais animada. Lembrou-se dele naquele seriado muito bacana: Pushing Daisies.


O santo Google lhe contaria também, depois de assistir ao filme, que o título dele é The Fall, mediocremente batizado no Brasil como Dublê de Anjo (2006 | Tarsem Singh). Tudo bem que a trama fala sobre dois pacientes de um hospital, o dublê, Roy Walker (Lee Pace) que, depois de viver uma perda muito das sofridas, empenha-se em se tornar um suicida, e essa menina que adora ouvir histórias fantásticas, uma fofa (desculpem, mas a mulher não conseguiu se segurar e, ao assistir uma das cenas, disse baixinho: que fofa essa menina!), mas Dublê de Anjo dói no coração.


Catinca Untaru, que vive a menina Alexandria, nasceu na România, e desde muito pequena, cultivou um profundo interesse pelo fantástico e pelas lendas, tornando-se uma contadora de história convincente, o que é claro na sua participação em The Fall. Aos quatro anos começou a fazer aulas de inglês e o seu sotaque é uma das delícias desse filme. O ritmo da contadora de histórias menina é de uma graça que dá vontade de entrar nesse sonho ou trazê-lo para a nossa realidade. A mulher doida-varrida concorda com tudo isso.


Enquanto Alexandria se encanta com a história de bandidos e mocinhos que Roy lhe conta - e que aparece na telinha sendo protagonizada por eles mesmos –, e ele aproxima do seu encontro com a morte, ambos criam um universo de cores, medos, sutilezas, capaz de encher os olhos dos mais durões de lágrimas.


A mulher assistia ao filme, mas não conseguia se libertar dos pensamentos de antes. A alma ficou condoída por Alexandria e Roy, mas também por si mesma. E a mágica estava lá: os personagens na televisão e ela quase lá, ao lado deles.

O que mais fascinou a bagunçadinha da mulher em The Fall foi que, apesar das cenas tão comuns aos blockbusters sobre reis, conquistadores, tiranos, bruxos e por aí vai, trata-se de uma criança lidando com um adulto suicida... O filme é tenso, apesar de todo colorido, e dolorido, mas também catártico e gracioso. E deu um nó na alma dela que, mais tarde, migrou para a garganta.

Dramas com crianças a deixam emocionalmente exausta. Mas assim como outro filme que lhe veio à mente, O Labirinto do Fauno (El laberinto del fauno/2006 | Guillermo del Toro), a beleza da história contada em The Fall e a sutileza e talento de seus protagonistas, enchem de vida o que seria o túmulo da coragem de se sentir feliz, sempre que possível, apesar de todos os infortúnios. Desalento não desabona a alegria.


Quem estiver com mente e coração disponíveis a embarcar numa jornada de lágrimas e belíssimos sorrisos, pode fazer como essa mulher fez: pegar na mão de Alexandria e na de Roy e seguir adiante.



A mulher continua meio ensandecida, mas depois de ontem, percebe com mais clareza que tudo o que precisamos para compreender que a vida vai mais adiante do que podemos imaginar é de bons contadores de histórias.

E passei por aqui para contar a história de uma mulher que precisava muito dormir, mas acordou. Os olhos voltados para a fantasia que se embrenha na nossa realidade.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Lançamento do FAZENDO MEU FILME 3 em SP

É amanhã, 11/11, na Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardim, a partir das 18h30.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

The Shadow Dancer | De Encontro Com o Amor


Desde que coloquei os meus olhos no Joshua Jackson, ele menino de tudo, eu soube que seria fã dele. Não por ele estar em algum blockbuster, porque na época eu acompanhava a série Dawson’s Creek, que não era das minhas preferidas, mas que me levava a assistir o próximo capítulo não pelo seu protagonista, mas pelo amigo dele, aquele rebelde, fora do contexto, nada certinho, o Pacey.

Joshua pode ter engatado a carreira por conta de Dawson’s Creek, mas ele tem se mantido pelo talento que tem, participando de projetos diversificados, entre eles Sociedade Secreta (The Skulls/2000 - suspense), Americano (2005 - aventura) e Imagens do Além (Shutter/2008 - terror).

Atualmente, além de atuar no cinema, ele é Peter Bishop, na série que tem conquistado cada vez mais o público, Fringe.


Eu prefiro (pra variar) o título original do filme “De encontro com o amor”, isso porque o romance é um dos temas, mas não o principal. Lançado em 2005, escrito e dirigido por Brad Mirman, The Shadow Dancer conta a história de Jeremy Taylor (Joshua Jackson), um escritor que busca pela inspiração, pela linguagem própria. Ele é designado a convencer seu ídolo, Weldon Parish (Harvey Keitel), a assinar um contrato de edição, depois de anos sem publicar.

Harvey Keitel está maravilhoso no papel de um escritor que enfrenta um sério bloqueio criativo, e o encontro dele com o escritor iniciante gera uma serie de transformações, em ambos.

De encontro com o amor é muito bem escrito, tem um cenário belíssimo, e conta com ótimas interpretações. Fica a dica para quem aprecia a mistura de drama com romance.


Fazendo Meu Filme, de Paula Pimenta


Eu pulei a minha adolescência, indo direto para a adultice da vida, e talvez por isso tenha me encantado a história da Fani, a menina que tem certeza de que quer ser cineasta, mas que está descobrindo todo o resto, encarando decepções, conquistas, amor, e aquelas raivinhas que só passam depois do segundo sorvete.

Quando li “Fazendo Meu Filme 1 – A Estreia da Fani”, identifiquei-me com a personagem, mesmo tendo vivido pouquíssimas situações como as que a autora do livro, Paula Pimenta, descreve na sua obra. Essa empatia me permitiu apreciar a leveza da sua literatura, porque muitas coisas que sentimos, quando adultos, são apenas variações das inquietudes da adolescência.

Ontem eu terminei a leitura do “Fazendo Meu Filme 2 – Fani na Terra da Rainha”... Sim, Fani ganhou mais espaço e o gosto de muitos adolescentes, principalmente porque, através dessa personagem, a autora aborda uma serie de temas que lhes interessa muito, como a relação com os amigos, a descoberta do primeiro amor, a mudança de cenários, os medos, dos que passam logo e daqueles que vão e vêm.

Enfrentando um ano de intercâmbio na Inglaterra, a distância do amor recém descoberto, a saudade da família e dos amigos, o início de uma convivência com estranhos, num país estranho, falando uma língua na qual ainda não é fluente, Fani aprende que a vida vai além dos filmes que coleciona, das canções que são trilha sonora da sua vida. E mesmo isso lhe causando uma dorzinha aqui e outra ali, ela lida de uma maneira muito corajosa com essa jornada.

Fani é a amiga que toda menina tem... E toda mulher também, ao menos assim espero. Se você não teve ou tem, por favor, olhe para o lado e descubra a sua Fani, e seja uma também para as suas companheiras de viagem, durante a vida.

A linguagem do livro, usando e abusando das mensagens por e-mail e dos bate-papos por MSN, mostra que a tecnologia, assim como os bilhetinhos trocados em sala de aula, é apenas uma ferramenta para aproximar as pessoas, fortalecer o sentimento que umas cultivam pelas outras.

Paula Pimenta vem conquistando leitores por todo o Brasil. Não é à toa que vai lançar, ainda em 2010, o “Fazendo meu Filme 3 – O Roteiro Inesperado de Fani”. Sucesso mais do que merecido.

Confira o site e conheça os personagens do FAZENDO MEU FILME. Aproveite para conhecer melhor a autora, Paula Pimenta:

www.fazendomeufilme.com.br



quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Os amantes do Círculo Polar

Não sei por que me lembrei deste filme. Nada aconteceu que servisse de estopim para eu pensar nele. Mas acontece que ele me voltou, assim, com todas as sutilezas e dolências de sua trama.

Recordo-me de como me senti, após assistir “Os Amantes do Círculo Polar” (Los Amantes del Círculo Polar/1998). Estava realmente tocada pela forma como Júlio Medem mostrou a história de dois jovens que se apaixonam ainda crianças, e os encontros e desencontros acontecem durante décadas, permeando suas biografias. A fotografia, tão metafórica, serve para compor as nuanças desses personagens e suas aventuras interiores.

Belíssimo... Poético...


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Uma noite com The Swell Season


Às vezes eu me perco da música, não por desgostá-la, o que é realmente impossível, mas por acabar lidando com ela mais no aspecto da produção, na burocracia que isso envolve.

Fato é que sem música eu não existiria. Ela é uma parte muito importante, não apenas da trilha sonora da minha vida, mas uma companhia que, vez ou outra, diz a coisa certa, toca no ponto exato com suas melodias e harmonias e ritmos.

De vez em quando, presencio performances de artistas que me fazem desejar correr para a sala de aula, voltar a estudar e tocar bateria com a mesma intensidade de uma década. Então, eu me perco da música, às vezes, mas volto para ela e ela me devolve a mim, frequentemente.

Na última sexta-feira, assisti a um show que me fez sentir assim, capaz de retomar o fazer música. Não importa quanto tempo isso dure, se a inspiração passa. Este sentir é a minha conexão mais intensa com a música.

The Swell Season é uma feliz união entre dois músicos que já vinham fazendo alguns trabalhos juntos há um bom tempo, o irlandês Glen Hansard e a tcheca Markéta Irglová. Eles estiveram no Brasil acompanhados pelo The Frames, banda da qual Glen é integrante.

A união de um violonista e compositor de música folk misturada com celta com uma cantora e pianista clássica rendeu bons frutos e ótimas canções. Glen e Markéta fizeram um belíssimo trabalho no filme “Apenas uma vez” (Once/2006), escrito e dirigido por John Carney, que também é músico, baixista, do círculo de amigos deles. O filme lembra um documentário, visto que ambos faziam os papéis que lhe cabiam: músicos, compositores.





Antes de o filme ser lançado, eles gravaram um CD com as canções da trilha sonora e outras. Com “Apenas uma vez” a dupla ganhou o Oscar 2008 de melhor canção com “Falling Slowly”. Atualmente, eles trabalham com o disco Strick Joy, o segundo da dupla folk indie.

O show que assisti no HSBC Brasil me deixaria ainda mais feliz tivesse sido em um lugar menor. Não que o espaço tenha prejudicado a apresentação, porque a The Swell Season apresentou um dos shows mais bacanas que já vi nessa minha vida. Mas sim porque a aventura, certamente, seria ainda mais interessante. O repertório, composto por canções dos dois álbuns lançados por eles, é daqueles que pedem, mesmo nos momentos mais gritantes, certa proximidade. A gente sente vontade sentar aos pés dos músicos para não perder nada.

Glen Hansard tem uma voz peculiar, com uma potência digna de quem, assim como o personagem do filme “Apenas uma vez”, era músico de rua. E foi no clima desplugado que ele iniciou a apresentação.

Markéta é um contraste à animação de Glen no palco. Não digo que ela seja apagada, por favor, não pensem assim. O que digo é que a sutileza que lhe cabe aparece claramente nas canções e na execução. É parte importante do que tira a banda da condição de mais uma.

Era clara a alegria deles ao serem recebido com tanto carinho e admiração pelo público brasileiro. E também foram extremamente agradáveis, falando algumas frases em português, interagindo com o público, levando-o para mais perto.

Num lugar menor... Quem sabe um dia.

Espero que Glen Hansard e Markéta Irglová voltem ao Brasil com outras tantas canções capazes de nos tirar do chão, de nos tocar o coração, de fazer a nossa cabeça girar... E de nos fazer desejar correr para a sala de aula para estudar um instrumento, aprender as alegorias, as nuanças da música. Aprender a colocar letra no som... Poesia na música.




quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Tinha Que Ser Você


Este é um filme que se aproxima da realidade de muitos que acreditam que já tiveram a chance de amar e ser amado, agora é levar a vida.

Joel Hopkins, o diretor, acredita que é muito mais fácil fazer um filme sobre o romance entre dois jovens, no ápice do apaixonamento, lindos, repletos de esperanças, do que falar de amor quando já se passou dos quarenta, a mortalidade é altamente questionada, e há ex-esposa, filhos, ou um histórico familiar onde constam os atributos de uma solterice melancólica. Sendo assim, Tinha que ser você (Last Chance Harvey - 2009) é um filme com uma trama que pede muito mais esforço para ser contada com originalidade.

Emma Thompson adorou trabalhar com Dustin Hoffman em Mais estranho que a ficção (Stranger than fiction – 2006), mas a participação dele foi pequena, e ela desejava um novo projeto, no qual eles pudessem interagir e construir uma história.

As diferenças entre os personagens de Emma e Dustin são tantas, físicas e sociais. Porém, quando olhamos o cenário geral, percebemos o emocional da trama, percebemos que as diferenças não são tão poderosas quando o desejo de se abrir para o amor que eles já desejam secretamente, pois estão certos de que jamais o terão.

Um compositor de jingles desempregado e frustrado porque queria mesmo era ser pianista de jazz. Uma funcionária do Departamento de Estatísticas Nacionais que trabalha no aeroporto, que cuida de uma mãe que se aproveita do fato de ela não ter sua própria família para mantê-la por perto. Dizem que o amor pode nos levar às escolhas mais malucas, mas, certamente, às vezes ele nos faz compreender que é preciso amadurecer nossos desejos para ser capaz de aproveitar o sentimento oferecido. E este filme, de uma forma muito bonita, nos leva à tal compreensão.


terça-feira, 24 de agosto de 2010

STOMP > Altamente recomendável

O ritmo tem seus mistérios, e desvendá-los é o que nos faz compreender a sua importância. Há ritmo em tudo o que fazemos, mesmo quando ele não é o ‘ritmo solicitado, correto’. Dizem alguns que o ritmo da vida tem de ser cadenciado, enquanto outros acham mesmo que ele deve ser frenético. No meio-termo, o ritmo tempera os passos dos sambistas, faz roqueiros balançarem as cabeleiras, torna peculiar a forma como cada um de nós diz cada palavra, até elas formarem frases, diálogos. No mais profundo significado, é ele que nos mantém vivos, o coração no tempo do sentimento.

Domingo passado, assisti a um espetáculo que me fez repensar o ritmo, isso porque, durante a apresentação, era quase possível enxergá-lo como integrante do grupo que estava no palco. Foi a primeira vez que assisti a um show do Stomp.

Logo que entrei no Credicard Hall, aqui em São Paulo, meus olhos se encheram de curiosidade sobre o cenário. Eu já conhecia a história do Stomp, assistira alguns vídeos, mas não há o que nos prepare para o contato direto, quando percebemos uma série de itens do nosso cotidiano espalhados pelo palco, e imaginamos como aquilo tudo irá colaborar com a performance do grupo.

O Stomp nasceu no Reino Unido, em 1991, e os seus criadores são Luke Creswell e Steve McNicholas. A companhia é uma combinação de percussão, dança e performances teatrais bem humoradas, o que torna o espetáculo muito divertido.

O Stomp conta com um brasileiro, o baiano Marivaldo dos Santos, integrante mais antigo da trupe. É ele o primeiro a entrar no palco, e depois de observar o público por alguns instantes, ele pega uma vassoura e começa a varrer. Essa é a primeira de uma serie de esquetes surpreendentes, nas quais objetos como cadeiras, cabos de vassoura, canos de borracha, pias de cozinha, entre outros, se tornam instrumentos musicais.

Um objeto, nas mãos certas, canta. O corpo, com a mente aberta, dança, canta e comete as mais sensacionais coreografias, nas quais um simples erro pode fazer com que latas despenquem nas cabeças de seus integrantes. Portanto, se eles erraram qualquer passo, eu não sei dizer, mas se aconteceu, erraram acertando. E o que sei é que latas voaram naquele palco, e todos souberam, no ritmo que lhes cabia, mantê-las bem longe do chão, atiçando a imaginação do público, que estava morrendo de vontade de, efetivamente, participar do espetáculo. Aliás, foram muitas as vezes em que ele, o público, interferiu nas performances.

E se um espetáculo lhe desperta o desejo de fazer parte dele, a ponto de você tentar interagir com ele, certamente se trata de um belo espetáculo.

O que mais me impressionou na apresentação do Stomp foi a dinâmica. Bater tambor, tamborilar dedos nas caixas de fósforo, “fazer um som” com tampas de lixeira, “groovar” com o abrir e fechar de cadeiras, nada disso seria tão interessante não houvesse a aplicação da dinâmica. Mas o Stomp leva isso a outro patamar... A forma como aplicam a dinâmica, revezando e somando estes instrumentos inusitados ao sapateado, está intimamente ligada à sincronia de seus integrantes. As pessoas do grupo são, na verdade, o mais importante instrumento presente no palco.

E chega o momento de eu entender aquele cenário que, na verdade, é outro instrumento formado por diversas peças. São placas de sinalização, panelas, tubos, e por aí vai. Enfim, não dá para contar aqui... É preciso estar lá, ver e ouvir, para compreender a peculiaridade dos sons, a competência dos integrantes do grupo ao nos oferecer uma performance exemplar. Porém, a Ana Oliveira, a quem agradeço muito por ceder as fotos que ilustram este artigo, pode lhes dar uma ideia. Aproveitem para conferir o post dela sobre a apresentação do Stomp, clicando aqui.


E aí vai um pouquinho de Stomp em vídeo:


O Stomp se apresentará no Credicar Hall amanhã, quarta-feira, depois seguirá para o Rio de Janeiro, Curitiba, e então, Porto Alegre. Informações sobre ingressos:


www.stomponline.com


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Shows internacionais e seus ingressos salgados


O segundo semestre de 2010 traz tantos shows internacionais que o jeito é se sentar e respirar fundo, antes de tomar qualquer decisão.

Há diversidade no estilo, pluralidade nos eventos, mas o que não muda é o preço salgado dos ingressos. Por mais leiga que eu seja no que se refere às finanças de eventos como estes, posso garantir que é fato que o mesmo poderia ser arrecadado com ingressos mais em conta, pois a quantidade de ingressos vendidos aumentaria. Isso sem contar o benefício cultural, já que outras pessoas, de poder aquisitivo no qual antes não cabia tal despesa, poderiam comparecer ao evento.

Gostaria de compreender a insistência dos produtores, ou de seja lá o responsável por taxar shows internacionais no Brasil, em manter os valores tão altos, principalmente porque há patrocinadores apoiando as apresentações.

Minha intenção, de forma alguma, é colocar preço no trabalho de outros, ou dizer que a produção desses shows no Brasil é fácil e barata. Mas não posso fazer de conta que não afeta ao público em geral a eterna briga entre ingressos meia-entrada e inteira. Quem sabe, quando finalmente alguém pensar sem que a prioridade seja o próprio bolso, chegue-se à conclusão de que um público maior pode ser culturalmente mais enriquecedor, além de trazer mais benefícios aos produtores, aos patrocinadores e aos artistas, além do próprio público

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Jardim de Agnes

No próximo dia 28 lançarei o meu livro, o romance Jardim de Agnes. Quem quiser conferir o vídeo abaixo, há alguns trechos do livro nele.



JARDIM DE AGNES
Lançamento do livro de Carla Dias

28 de agosto, das 17h às 20h
LIVRARIA DA VILA
Alameda Lorena, 1731 - Piso Térreo - São Paulo

INFORMAÇÕES: info@carladias.com

JARDIM DE AGNES - BLOG
http://www.jardimdeagnes.blogspot.com

sexta-feira, 30 de julho de 2010

80 Anos de Villani-Côrtes

Na Livraria Cultura / Shopping Villa-Lobos
Abertura : 01 de agosto às 16h (concerto) e 17h30 (abertura da exposição)
A Mostra acontece durante a primeira semana de agosto e a exposição fica durante todo o mês (até 29 de agost )
entrada :... 1 kg de alimento não perecível

terça-feira, 20 de julho de 2010

Quem é Thomas?

Publicado originalmente no site
Crônica do Dia, em  30/05/04



A tecnologia se transformou em uma espécie de fada-madrinha quando se trata de relacionamentos. Das salas de bate-papo para a webcam, e daí para o messenger com webcam! E este é um conhecimento parco de uma desligada dos termos e pretextos tecnológicos (eu) que, ainda ontem, cortou um dobrado pra descobrir como é esse negócio de messenger e emoticons.

Thomas até é um cara bacana e, sabe o que é mais interessante sobre ele? Thomas é irônico, assim como toda a trama da qual é personagem principal... Espera aí! Personagem principal que não aparece durante o filme? Pois é... 

Apaixonado Thomas (Thomas est amourex/2001) é uma voz falando coisas que mexem com o nosso senso crítico e também nos diverte. O fato de a câmera estar sempre posicionada como se fossem os olhos dele, faz com que tenhamos a sensação hilária de que sim, somos um bando de Thomas sendo "atendidos" através da tela de um computador, encarando bizarros personagens numa época em que o sexo é virtual, porém palpável, basta comprar a roupa própria, e pronto!, sexo seguro, sem toques mas com as devidas sensações, sem beijo molhado, mas com prazer. E se já temos o maracatu atômico, por que não providenciar um orgasmo cibernético?


Thomas (Benoît Verhaert) é um homem de 32 anos que, há oito, não sai de casa e lá ninguém entra. Sofrendo de agorafobia (medo de ficar em espaços abertos), cria o seu próprio mundo valendo-se da tecnologia de videofone para viabilizar tudo o que precisa. Porém, não se trata de um filme sobre aficionados por tecnologia de ponta. Ao contrário do que se pensa, nem sempre poder tudo é bom e a gente gosta, não quando é preciso pegar um atalho, se desfazer de algumas coisinhas que, enquanto são nossas, não parecem tão importantes assim. E o filme dirigido por Pierre-Paul Renders retrata um momento no qual terapeutas, mães, amantes, prostitutas, recepcionistas, advogados, todos resolvem tudo através do videofone. 


Thomas tem Clara, quem satisfaz o seu desejo por sexo. Uma pena é ela ser uma animação e o sexo conduzido por uma roupa cibernética. Aliás, é hilário quando Melodie, garota que Thomas conhece através de uma agência de encontros (o terapeuta dele o inscreve como uma forma de tirá-lo de casa) resolve fazer sexo com ele, depois de muito refletir a respeito da maneira adotada por Thomas, e vai à loja comprar a sua roupa, voltando feliz por ter assumido para a atendente que a roupa é para ela. Melodie cria vídeo-poemas e frequenta salas para suar. Thomas, sarcástico, questiona para que servem estas salas e ela responde o óbvio, sem qualquer sentido metafórico: para as pessoas suarem juntas. Futuramente, quem sabe, as saunas tenham essa conotação mística. O futuro tudo nos reserva...

Estaria tudo bem se Thomas não começasse a se sentir tão só, a ponto de gastar um bom tempo de bate-papo com o recepcionista da Clinique Domotique, com a qual ele entra em contato para providenciar o conserto do aspirador de pó.


Através de um serviço de prostitutas (olhe, escolha e leve), ele surpreende Eva chorando. Esta raspa de humanidade conquista Thomas, que se encanta por Eva e deposita nela a sua vontade de um relacionamento real, longe do universo cibernético e das garras da agorafobia. É Eva quem conduz Thomas para a porta da rua, negando as suas manobras tecnológicas para saciar a solidão dele.

Na verdade, Apaixonado Thomas é um filme que, por mais que aqueles que o assistiram comentem, não há como explicar o impacto. É preciso ser o espectador, sentir vontade de rever um trecho, ou se pegar incomodado por se achar parecido demais com Thomas. 

Poucos são os diretores que abordam temas sérios (afinal, a tecnologia do filme não está assim tão distante da atual) com ironia cômica e uma pitada de dramaticidade sem trair a si mesmo e criar uma boa porcaria cinematográfica. Pierre-Paul Renders soube como construir Apaixonado Thomas.


quarta-feira, 7 de julho de 2010

Batuka! Brasil chega a sua 12ª edição



QUANDO
: de 16 a 18 de julho
HORÁRIO: dia 16/07 às 20h, dias 17 e 18/07 às 17h
ONDE: Auditório Ibirapuera – Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Parque do Ibirapuera, São Paulo/SP.
INGRESSOS: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia)
Antecipados: www.ticketsforfun.com.br ou 11.4003 5588
ATRAÇÕES: Ramon Montagner Quarteto, John Riley (EUA) show com Chico Willcox (baixo) e Erik Escobar (piano), Fernando Amaro, Christiano Rocha & Banda, Dom Famularo (EUA), Concurso Nacional de Bateristas, Joshua Dekaney (EUA) & Convidados e Edu Ribeiro – Trio Corrente. Apresentação: Vera Figueiredo.
SITE OFICIAL: www.batukabrasil.com

O Batuka! Brasil foi idealizado pela baterista e compositora Vera Figueiredo (Vera Figueiredo Quarteto/Banda Altas Horas), e acontece na capital de São Paulo. Sua primeira edição foi apresentada em 1996 e, em 2009, a 11ª edição do festival aconteceu no Auditório Ibirapuera, importante reduto cultural brasileiro.
Em 2010, o Batuka! Brasil volta ao palco do Auditório Ibirapuera para a apresentação da 12ª edição do festival. Entre os bateristas estrangeiros que já passaram pelo Batuka! Brasil estão grandes nomes da música mundial, como Jim Chapin (1929-2009), Dave Weckl, Dom Famularo, Clayton Cameron, Zoro e Virgil Donati.
Desde a sua primeira edição, o Batuka! Brasil já recebeu ícones da música nacional, entre eles Zimbo Trio, Pedro Mariano, Caju e Castanha e Banda Mantiqueira, sempre destacando a importância desses artistas na construção da biografia cultural brasileira. Daniel Baeder, Cuca Teixeira, Paulo Zinner, Julio Cesar e João Barone também já passaram pelos palcos do festival.
Os convidados estrangeiros pontuam a diversidade que o brasileiro tanto aprecia. O intercâmbio cultural que ocorre durante a realização do festival é de grande valia aos estudantes de música e ao público em geral. Assim como a presença de artistas brasileiros intensifica o conhecimento sobre a origem da nossa música, os estrangeiros revelam suas próprias culturas e enriquecem nosso conhecimento. Tão importante quanto essa troca de informações que o festival promove é a boa música que ele recebe.
Com onze edições já realizadas e dois CDs oriundos do projeto, o Batuka! Brasil cumpre o papel de difusor da cultura brasileira e do intercâmbio cultural, reunindo em sua programação shows, workshops e performances. Devido ao valor cultural adquirido e por apostar na divulgação da música brasileira e do intercâmbio cultural, figura na lista mundial dos mais significativos festivais do gênero, ao lado do Montreal Drum Fest (Canadá) e Modern Drummer (EUA).
O Concurso Nacional de Bateristas - que faz parte da programação do festival - nasceu para revelar novos talentos da música e o tem feito com sucesso. Entre os vencedores estão bateristas como Rafael Barata (Edu Lobo/Angela Ro Ro), Igor Willcox (Família Lima) e Sandro Moreno (Zé Ramalho/Tete Espíndola). Em 2010, o vencedor foi Isaias Alves, de São Luis, Maranhão.


PROGRAMAÇÃO – BATUKA! BRASIL 2010


Sexta-feira, 16/07/10 a partir das 20h00

SHOW
Ramon Montagner Quarteto (Brasil)

SHOW
John Riley (Estados Unidos)
Convidados: Chico Willcox (baixo) e Erik Escobar (piano)

Sábado, 17/07/10 a partir das 17h

WORKSHOW
John Riley (Estados Unidos)

PERFORMANCE
Fernando Amaro (Brasil)

SHOW
Christiano Rocha & Banda (Brasil)

WORKSHOW
Dom Famularo (Estados Unidos)

Domingo, 18/07/10 a partir das 17h

CONCURSO
Concurso Nacional de Bateristas

WORKSHOW
Joshua Dekaney (Estados Unidos)

PERFORMANCE
Dom Famularo (Estados Unidos)

SHOW
Edu Ribeiro – Trio Corrente (Brasil)



Clique na imagem abaixo para conferir o flyer ampliado.


segunda-feira, 5 de julho de 2010

The first cut is the deepest

Composta por Cat Stevens, The Firts Cut is The Deepest é uma canção que acho belíssima. Ela está no disco New Masters, de 1967.

Rod Stewart, Terence Tren't D'Arby, Sheryl Crow e James Morrison são alguns que regravaram essa canção. Gosto de todas as versões, inclusive dessa:


terça-feira, 22 de junho de 2010

Lembranças


Assisti somente ao primeiro filme da saga vampiresca, e isso não me tornou um dos milhares de fãs do ator Robert Pattinson. O que me levou a assistir ao Lembranças (Remember me/2010) foi uma matéria sobre o filme, que assisti na televisão, e as presenças de Chris Cooper e Lena Olin, dos quais aprecio muito o trabalho.

A trama gira em torno de Tyler Roth (Pattinson), um jovem melancólico, que ainda não conseguiu se recuperar do suicídio do irmão. O relacionamento com o pai Charles Roth (Pierce Brosnan), um importante empresário, é a zona de conflitos. A distância entre eles se tornou ainda maior, depois da morte de Michael.

Ally (Emily de Ravin) é uma jovem que assistiu ao assassinato da mãe, em uma estação de metrô, ainda menina. Seu pai, Neil Craig (Chris Cooper), é um policial atormentado com a morte da esposa. Quando Ally e Tim se encontram, ambos começam a perceber que a vida pode ser menos dolorida do que vem sendo.

Lembranças é um filme denso, mas delicado em muitos aspectos. As emoções desencontradas que permeiam o relacionamento entre Ally e Tyler, assim como a carga emocional que Pattinson e Ravin emprestam aos seus personagens, fazem com que a simplicidade da leveza que alcançam, em alguns momentos da trama, mostre a importância de se desapegar da sensação de solidão completa.

É uma história difícil contada com a sutileza necessária para que nós, os espectadores, possamos compreender a sua beleza. E sim... Robert Pattinson está muito bem no filme. É um bom ator que, espero, escolha outros papeis como o de Tyler Roth para viver.


quinta-feira, 17 de junho de 2010

Alonso Alvarez lança A Paixão de A e Z

No próximo sábado, dia 19 de junho, Alonso Alvarez lançará o livro A Paixão de A e Z, na Livraria da Vila Lorena em São Paulo.
Clique na imagem para visualizar o convite e confira as informações sobre o livro abaixo.


Eles estavam apaixonados, mas só podiam se encontrar nas palavras...


Em A paixão de A e Z – Uma história de amor no alfabeto, Alonso Alvarez narra a história de amor entre as duas letras e a dificuldade de estarem juntas, pois além de "morarem" nos extremos do alfabeto, palavras capazes de uni-las não são ditas todo dia. Com os sinais gráficos transformados em personagens, fica menor a distância entre o pequeno leitor e o abecedário. Para ilustrar a história, a editora convidou Marcelo Cipis, que dá corpo a tão abstratos personagens com humor e leveza.

A PAIXÃO DE A E Z
Uma história de amor no alfabeto
ALONSO ALVAREZ
Infantil

Ilustrações: MARCELO CIPIS
Editora: PEIRÓPOLIS

Editora Peirópolis

ISBN: 9788575961759
Formato: 22 X 24 cm
Páginas: 32 coloridas
Orelha com régua do alfabeto

Capa
preço de capa: R$ 29,00

Para comprar: http://www.ficcoes.com.br/livros/apaixaodeaez.html

segunda-feira, 14 de junho de 2010

CONCURSO NACIONAL DE BATERISTAS


Estão abertas as inscrições para o Concurso Nacional de Bateristas, que faz parte da programação do Batuka! Brasil International Drum Fest, que acontecerá de 16 a 18 de julho, no Auditório Ibirapuera.

Os bateristas interessados têm de fazer download do regulamento e da ficha de inscrição do site do festival: www.batukabrasil.com. As inscrições vão até dia 30 de junho.

No site do festival também já é possível conferir a programação de shows, perfomances e workshows.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Show de Kléber Albuquerque & MOPP no Memorial da América Latina

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Incendiário


Muitos filmes foram lançados abordando atentados terroristas, mas nem todos conseguem justificar a sua própria criação.

Fazer um filme que lida com assunto tão atual e devastador, certamente requer um ponto de vista que o torne peculiar e digno de o espectador parar para assisti-lo com interesse.

Incendiário (Incendiary/2008), apesar do título, lida mais com o universo emocional do que a tragédia em si, que contabilzia centenas de mortes como consequência. O espectador não verá várias cenas sobre a explosão no estádio de futebol, em Londres, Inglaterra. O que ele presenciará é a culpa e a ironia que se abate sobre a jovem mãe, interpretada por uma intensa Michelle Williams, ao perder o marido e o filho.

A culpa é coadjuvante nessa história que mostra que o nosso tempo nem sempre é o mesmo das nossas perdas e das nossas decisões. A jovem esposa, vivendo um relacionamento distante com seu marido, um integrante do esquadrão anti-bombas, conhece o sedutor jornalista Jasper Black (Ewan McGregor), que vive em um prédio luxuoso em frente ao condomínio humilde dela. Depois de um encontro casual com Jasper, na rua, ela decide aproveitar que o seu filho e o seu marido foram ao jogo de futebol e se entrega ao jornalista. Conviver com a culpa de trair seu marido, enquanto ele e seu filho morrem no atentado, faz com que essa jovem mulher transite entre a realidade e a ilusão, em busca de consolo.

Michelle Williams está brilhante neste filme. A forma como a trama é conduzida torna o Incendiário um dos mais belos filmes sobre a perda. A diretora Sharon Maguire, que traz no currículo O Diário de Bridget Jones (Bridget Jone’s Diary/2001) e a direção de uma série de episódios do aclamado The Late Show, também assina o roteiro de Incendiário, que é baseado no livro de Chris Cleave.


sexta-feira, 21 de maio de 2010

Não por Acaso

Um casal de amigos me indicou. Eu já ouvira falar sobre ele, mas eu demoro um pouco para engatar o desejo de assistir filmes, enquanto eles ainda estão sendo comentados. Depois que perdi a chance de assisti-los no cinema, eu espero. Tenho esse timing esquisito quando se trata de filmes.


Não por acaso (2007) é um filme sobre mudanças que nos tiram a segurança das certezas e da metodologia com a qual seguimos com nossas vidas, quando pensamos que manter as coisas como são, e acreditar que nada poderá mudar isso, é uma escolha.

Ênio (Leonardo Medeiros) é um engenheiro de trânsito que comanda o fluxo dos automóveis na cidade de São Paulo. Ele vê a sua vida mudar, após a morte da ex-mulher, Mônica (Graziella Moretto) o que o leva a ter de se aproximar e conviver com a filha adolescente, Bia (Rita Batata).


Pedro (Rodrigo Santoro) é dono de uma marcenaria especializada na fabricação de mesas de sinuca. Também jogador de sinuca, após a morte da namorada, Teresa (Branca Messina) tem de encarar a insegurança profissional e o envolvimento com uma mulher, Lucia (Letícia Sabatella).


Dirigido por Philippe Barcinski, também co-autor do roteiro, a beleza de Não por acaso está na cadência das perdas e na reinvenção dos personagens. Leonardo Medeiros e Rodrigo Santoro tecem muito bem essa história, com toda densidade que cabe na interferência do destino nas biografias dos personagens. Quem pensa que a vida está pronta quando ela é organizada e previsível, apenas engana a si mesmo. Somos todos passíveis das mudanças, mesmo quando não as previmos ou desejamos.

Não por acaso foi uma grata surpresa. É um filme que tem seu próprio tempo, que nos deixa em suspenso ou simplesmente reflexivos, em determinados momentos. A fotografia é intrigante, como a própria cidade, o roteiro está muito bem amarrado, tornando a ligação entre os personagens importante para a compreensão da trama.


terça-feira, 4 de maio de 2010

Brothers & Sisters


Brothers & Sisters é uma série dramática com uma pitada de humor e sarcasmo. Uma tragicomédia familiar capaz de nos tirar o fôlego, de nos fazer cair no choro ou gargalhar até. De nos fazer render ao romance sem medo de passarmos por tolos.

Se para você isso se parece mais com uma mistura de clichês, melhor ir até a locadora mais próxima e alugar a primeira temporada. Mas sem se esquecer de que, quando se trata de família, o que importa para fazer uma história se destacar é a forma como os dramas, os romances, os ideais... Os clichês são abordados.

A série conta a história de uma família norte-americana da Califórnia. São cinco irmãos mais diferentes impossível, um tio presente, uma mãe extremamente engajada em cuidar de suas crias, alguns agregados e um pai falecido que está mais presente do que nunca, através dos segredos sobre ele que são revelados ao longo da trama.

Sally Field é uma atriz que admiro muito. Como A matriarca da família Walker, Nora, ela dá uma aula de atuação, pois consegue evitar que a personagem se torne caricata, já que se trata de uma mãe extremamente passional quando se trata de suas crias. E são os cinco filhos dessa mulher que permitem à série desfechos de episódios tão pungentes.

Muitos atores do elenco de Brothers & Sisters já passaram por outras séries, sendo algumas delas grandes sucessos. Calista Flockhart, é ganhadora do Globo de Ouro pela sua atuação como protagonista de Ally MacBeal. Rachel Griffiths é vencedora do Emmy por Six Feet Under. Antes de começar a assistir Brothers & Sisters, e sendo fã de Ally MacBeal e Six Feet Under, peguei-me pensando que seria impossível desconectar essas atrizes de suas ex-séries, de tão marcantes foram suas atuações. No entanto, tanto Calista quanto Rachel se mostram talentosas atrizes ao interpretarem as irmãs Walker.

A política é assunto presente em Brothers & Sisters. Kitty trabalha diretamente com ela, e os seus irmãos e sua mãe têm significativas opiniões a respeito. Outros temas tão intensos quanto são recorrentes na série, e o que mais me agrada é a forma como são abordados, através dos filhos.

Justin (Dave Annable) volta da guerra e se vê as voltas com o vício. Kevin (Matthew Rhys) é um advogado bem-sucedido, gay e extremamente sarcástico. Thomas (Balthazar Getty) lida com a esterilidade, enquanto tenta manter o negócio da família. Kitty (Calista Flockhart) volta para casa, depois da morte do pai, e tem de lidar com um conturbado relacionamento com a mãe. Sarah (Rachel Griffiths) equilibra a vida como empresária e o papel de mãe de dois filhos.

Com a quarta temporada em exibição no Brasil, Brothers & Sisters é uma série muito bem construída, com atores talentosos, direção cadenciada e roteiristas capazes de criar episódios fantásticos.


terça-feira, 13 de abril de 2010

A minha trilha sonora

A música é esse lugar onde cabem todos, mesmo que cada um de nós escolha de qual artista gostar e desgostar. Ainda assim, na diferença, é música.

Quando ouvia as canções de Adoniran Barbosa e Cartola saindo do radinho de pilha da minha avó, não imaginava a grandeza que a música representava. Naquela época, essas canções apenas serviam de trilha sonora para a hora do café da tarde, quando logo depois minha avó começava a preparar o jantar.

Sem contar a espera, até que meu avô cantarolasse: Acorda Maria Bonita / Levanta e vai fazer o café / Que o dia já vem raiando / E a polícia já está de pé (Acorda Maria Bonita de Volta Seca).

Minha mãe também tinha sua canção-de-bolso, que cantava para mim e minhas irmãs e irmão, frequentemente. Uma canção triste que só, mas linda também: Derrubei pau a machado/E o mato fino rocei/Depois que o mato secou/Eu botei fogo e queimei (A Rosa e a Formiga de Heitor de Barros).

A música continua sendo trilha sonora, trinta anos depois. Mas a diferença está no fato de que hoje ela se embrenhou na minha vida, como na de maioria de nós. É raro quem não tenha sua seleção musical à disposição, para quando a música for a melhor opção para espantar fantasmas e melhorar o espírito.

Da marchinha ao samba-canção, passando pelo rock’n roll, o jazz, a bossa nova. Há tantas linguagens na música que, certamente, ela merece a sua definição mais popular: linguagem universal.

Na marchinha das brincadeiras, o samba-canção do desalento, o rock’n roll da rebeldia, a bossa nova do banzo. A música das línguas afiadas, das guitarras distorcidas, dos tambores africanos, dos pianos cuidadosos em dosar a emoção que oferece. A música alimenta a alma da gente com esses fragmentos de sons, às vezes misturados à poesia das ideias.

Qual é a sua trilha sonora de hoje?


Kléber Albuquerque - Só o amor constrói * A balada


Show de Kléber Albuquerque com a Miniorkestra de Polkapunk e participações especiais de Alessandra Brantes, André Bedurê e Elaine Guimarães, André Sant'Anna & Sua Trupe, Danilo Moraes, Grupo Poema Novo, Mário Lopez & Izabel Holtz e discotecagem de Ricardo Prado.

Sábado, 24 de abril de 2010
A partir das 20h

Espaço Rio Verde
Rua Belmiro Braga, 119
Vila Madalena - SP

Informações:
11.3459 5321 ou www.centroculturalrioverde.com.br

www.kleberalbuquerque.com.br

O BRASIL É AQUI


O Brasil é Aqui, uma série de masterclasses que serão apresentadas às segundas-feiras de abril, a partir das 20h, aqui no IBVF. Nessa primeira edição, receberemos o percussionista Julio César e os bateristas Ramon Montagner, Edu Ribeiro e Christiano Rocha.

www.verafigueiredo.com.br

quinta-feira, 8 de abril de 2010

QUERIDO MUNDO em Santo André


No próximo final de semana, o Teatro Municipal de Santo André receberá um espetáculo teatral que indico com o maior carinho.

Escrito por Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, dirigido por Rubens Ewald Filho, QUERIDO MUNDO aborda com bom humor situações delicadas, pelas quais passam os personagens Elza e Osvaldo, interpretados com maestria por Maximiliana Reis e Jarbas Homem de Mello.

Assisti QUERIDO MUNDO quatro vezes e dia desses repetirei a dose. Espero que vocês possam rir e se emocionar tanto quanto me emocionei em todas as vezes que assisti ao espetáculo.

Quem quiser saber um pouco mais sobre o QUERIDO MUNDO pode acessar o site www.queridomundo.com.br e também ler um artigo que publiquei neste blog escrevi no http://talhe.blogspot.com/2009/03/querido-mundo.html.

QUERIDO MUNDO
Sábado - 10/04, às 21h
Domingo – 11/04, às 19h

Teatro Municipal de Santo André
Praça IV Centenário, s/nº
Santo André - São Paulo

Informações: 11.4433 0786 / 4433 0789 / 4427 4360 / 4427 7986